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Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


HOJE

Tava olhando o facebook e a Marina Franco colocou algumas fotos do ensaio de "Postcards de Atacama" (que estréia hoje). Aí apareceu uma garota (o nome dela é Tatiana Rocha) que após "admirar" essa "admirável" foto de André Ceccato encarnando o "Demônio" na peça, teceu os seguintes comentários:

chocante essa imagem

quinta às 23:28 ·
  • Tatiana Rocha assim, olhando rápido, eu pensei: nossa senhora, que mulher feia da porra!
    quinta às 23:29 ·
  • Tatiana Rocha aí eu percebi que usava cueca...eu pensei outra vez: cruz credo, além de feia tem péssimo gosto em matéria de roupa íntima.
    Só aí vi que era um homem.
    Mas continua me chocando
  • E posso garantir pra Tatiana que ela ainda não viu nada. Pessoalmente é bem pior que o inferno. A simples visão dessa cena vai fazer muito pecador determinado se converter e ir meditar em alguma palhoça lá da Índia.
    Hoje na "V Mostra Cemitério de Automóveis" estréia "Postcards de Atacama", peça que escrevi em 97. Parece que os atores se divertem fazendo a peça e há momentos nela que eu ainda me identifico bastante.
    A história de um sujeito que vai embora de casa e fica mandando cartões postais de Atacama (o deserto mais árido do mundo) pra ela. Ligando as cenas, pequenas sagas de outras pessoas tão solitárias quanto ele.
    Falando assim, parece bem triste, né? Mas aí aparece um sujeito como o Ceccato encarnando o Demônio. E vocês sabiam que no inferno só toca pagode? É ruim, mas aqui perto de casa não é muito melhor. Hoje acordei com uma sinfonia de música sertaneja interminável em volume absurdo. Toda pessoa com péssimo gosto musical é surda, né?
    Então hoje :
    POSTCARDS DE ATACAMA
    Texto, Direção, Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto
    Elenco : Carlos Carah, Fernanda D´Umbra, Mário Bortolotto, Daniela Dezan, Paulo "Deus" Jordão, André Ceccato, Thiago "Carcacinha" Pinheiro, Jiddu Pinheiro, Wanessa Rudmer, Samya Ennes, Luciana Vitaliano, Flávia Tápias, Marina Franco, Fernanda Sanches, Nelson Peres, Walter "Batata" Figueiredo.
    Guilherme Folco (Sax)
    Operação Técnica : Rodrigo "Linguinha" Cordeiro e Luiz Eduardo
    Produção : Daniela Dezan e Wanessa Rudmer
    Hoje (Sábado) às 21h, Amanhã (Domingo) às 20h. E Quarta (dia 15) e Quinta (Dia 16) às 21h.
    Centro Cultural São Paulo
    Sala Jardel Filho
    Rua Vergueiro, 1.000
    Ingressos : R$ 10
    E aqui mais algumas fotos do ensaio:

     

     



    Escrito por Mário Bortolotto às 12h41
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    A MOSTRA CONTINUA

    Foto de ensaio de Thiago "Carcacinha" Pinheiro. 

    Hoje tem "Efeito Urtigão". Tenho o mó carinho por essa peça. Escrevi numa época em que eu tava pensando muito em exílio. Não que a idéia tenha me saído da cabeça. Ela continua lá, insistindo, todos os dias que saio pra rua e me sinto deslocado e intruso. E então penso em deserção. Não foi a minha primeira peça de "desertores" e certamente não será a última.

    Paulo de Tharso e eu. Vamos sentir falta do Mutarelli. Mas dois dinossauros às vezes já é o bastante, né?

    Foto de Marina Franco

    EFEITO URTIGÃO

    Texto, Direção, Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto

    Elenco : Paulo de Tharso e Mário Bortolotto

    Operação Técnica : Rodrigo Cordeiro

    Produção : Daniela Dezan e Wanessa Rudmer

    Hoje no Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho - Rua Vergueiro, 1.000 - 21h

    Ingressos : R$ 10.

    _____________________________________________________________________

    E DEPOIS TEM ESTRÉIA DA LULU

    Eu assino a direção. Na verdade quero deixar bem claro que o mérito maior da direção é da Michelle e do Germano que realmente trabalharam muito, já que eu não tive tempo de me dedicar ao trabalho como deveria. O certo era eu assinar apenas "supervisão", e pedi isso, mas eles fizeram questão que eu assinasse a Direção. Então tá. E a peça tá muito bacana. O trabalho tá muito bem feito. O texto é bom, a Lulu é ótima e a equipe é toda muito bacana. Estréia hoje e tenho o mó orgulho. Então se vocês não gostarem, podem dizer que a culpa é minha. E se gostarem, dêem os parabéns aos dois (Michelle e Germano) que eles merecem.



    Escrito por Mário Bortolotto às 15h09
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    DIA CHEIO

    Hoje vai ser foda.

    A partir das 13h já tô no Centro Cultural ensaiando.

    ____________________________________________________

    Às 19h participo de um debate com o meu amigo Reinaldo Moraes.

    O tema é "Literatura do Desmanche".

    No Centro Cultural São Paulo, na Sala de Debates. Entrada Franca.

    _____________________________________________________________

    Às 21h, tem nova (e última) apresentação da peça "O Herói Devolvido"

    Texto : Marcelo Mirisola

    Adaptação, Direção, Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto

    Operação Técnica : Rodrigo Cordeiro e Luiz Eduardo

    Produção : Daniela Dezan e Wanessa Rudmer

    Elenco : Fábio "Xepa" Espósito (Marcelo), Marcos "Arroba" Amaral (Duarte e Pepê), Melissa Vaz (Belinha), Patricia Leonardelli (Claudinha), Luna Martinelli (Iveti), Luciana Vitaliano (Fernanda e Eva), Luciana Caruso (Marisete), Paula Flaiban (Bié), Wanessa Rudmer (Margô), Wladimir Trevizzano (Toni), Ester Lacava (Elvira), Sylvia Malena (Zeladora), João Fábio Cabral (Girardi), Leandro Aguiar Domingues (Diogo e Tiago)

    Hoje às 21h

    Sala Jardel Filho - Centro Cultural São Paulo

    Rua Vergueiro, 1.000

    Ingressos : R$ 10

    Pra quem quiser toda a programação da mostra, clica aqui : http://cemiteriodeautomoveis2.blogspot.com/

    _____________________________________________________________

     HOJE TAMBÉM TEM "TAPE" NO SATYROS 1

    E à Meia-Noite e Meia a nossa banda "Saco de Ratos" faz show em nova casa na Rua Augusta. É o Rocker Club (Rua Augusta, 901)

    Entrada : R$ 5

    Às 22h tem show com Fábio Brum cantando

    Às 23h tem show com Lu Vitaliano

    E gente entra à Meia-Noite e Meia

    TÁ ACABANDO A TEMPORADA

    Eu sei que tá dificil de ler nesse flyer.

    A parada é a seguinte. Hoje, quinta-feira às 21h no Teatro dos Satyros 1 (Praça Roosevelt, 214).

    O texto é do Stephen Belber

    A Direção é minha

    E no elenco estão Pedro Guilherme, Marcelo Selingardi e Carolina Manica

    _______________________________________________________



    Escrito por Mário Bortolotto às 11h13
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    HOJE É DIA DO "HERÓI DEVOLVIDO"

     

    Ou seja, dia de Marcelo Mirisola. Ele deve aparecer por aqui. Apresentação de "O Herói Devolvido" sem Marcelo Mirisola na platéia é inconcebível. Elenco todo novo. Pelo menos no que se refere à atrizes. Elas estão todas estreando hoje com exceção das Grandes Ester Lacava e Silvia Malena. Os atores são os de sempre (ainda bem!) : Xepa, João Fábio, Vlad e Arroba. Du grande caralho. É uma peça que posso sentar na platéia e apenas curtir como se estivesse vendo pela primeira vez.

    Texto : Marcelo Mirisola

    Adaptação, Direção, Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto

    Operação Técnica : Rodrigo Cordeiro e Luiz Eduardo

    Produção : Daniela Dezan e Wanessa Rudmer

    Elenco : Fábio "Xepa" Espósito (Marcelo), Marcos "Arroba" Amaral (Duarte e Pepê), Melissa Vaz (Belinha), Patricia Leonardelli (Claudinha), Luna Martinelli (Iveti), Luciana Vitaliano (Fernanda e Eva), Luciana Caruso (Marisete), Paula Flaiban (Bié), Wanessa Rudmer (Margô), Wladimir Trevizzano (Toni), Ester Lacava (Elvira), Sylvia Malena (Zeladora), João Fábio Cabral (Girardi), Leandro Aguiar Domingues (Diogo e Tiago)

    Hoje (quarta-feira) e amanhã (quinta-feira) - Só esses dois dias.

    às 21h

    Sala Jardel Filho - Centro Cultural São Paulo

    Rua Vergueiro, 1.000

    Ingressos : R$ 10

    Pra quem quiser toda a programação da mostra, clica aqui : http://cemiteriodeautomoveis2.blogspot.com/

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    Meu amigo Jotabê Medeiros escreveu sobre "Música para ninar dinossauros" em seu blog.

    O link tá aqui : http://medeirosjotabe.blogspot.com/

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    Ontem foi uma noite foda. Esqueci que era feriado. Fui lá pra jam como faço todas as segundas feiras. Sempre tem alguns amigos por lá. A Lu serve alguns whiskies pra gente e tocamos nossos novos e velhos blues, mais para o nosso próprio deleite do que qualquer outra coisa. Mas como eu disse, esqueci que era feriado. E a Galeria tava lotada. Tocamos por mais de três horas (Basa, Brum, Flavinho e eu), fato esse que fez com que meu amigo Fábio Brum me ligasse hoje à noite feliz da vida e ainda emocionado (ele sempre se emociona por ter o direito de viver do que mais gosta de fazer, ou seja, tocar guitarra com verdade e só o que acredita. Um pouco parecido com o que costumo fazer). No final, a Fernanda apareceu por lá e cantou algumas com o Basa (que sabe todo o repertório da "Fábrica de Animais") e o Flavinho. Grande noite. Encerrei jogando bilhar com o Carcarah e o Linguinha no Biro´s. Já eram tipo 5 da manhã quando saí do bar. E eu sabia que tinha que acordar às 9 pra ir marcar a luz dos espetáculos dessa semana. E ia ter que ensaiar direto até às 9 da noite. Quero entender como ainda estou acordado escrevendo por aqui às duas da manhã. Mas talvez seja só isso. O prazer de trabalhar apenas no que acreditamos. Não tem preço. Simples assim.

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    OS MANDAMENTOS DO BLUES

    Tunguei esses mandamentos do blog do Edu Soliani. Bacana.

    1. Os Blues, em sua maioria, começam, ‘’Acordei esta manhã’’
    2.“ I got a good woman’’ (“Tenho uma boa mulher”) é um mal jeito de começar o blues, a menos que você insira algo rude na próxima linha como, ‘’Tenho uma boa mulher, com a cara mais malvada da cidade’’.
    3. O Blues é simples. Depois que você conseguir a primeira linha certa, repita-a. Então ache algo que rime, como: ‘’Tenho uma boa mulher com a cara mais malvada da cidade. Sim, eu tenho uma boa mulher como a cara mais malvada da cidade.Tem dentes como a Margaret Thatcher, e ela pesa 250 quilos.’’

    4. O Blues não é sobre escolha. Você está enfiado num fosso, você está enfiado num poço. Não tem saída.
    5. Carros do Blues: Chevrolets, Fords, Cadillacs e caminhões quebrados. O Blues não anda de Volvos, BMWs, ou veículos de diversão. O meio de transporte do Blues é o Greyhound (equivalente a nossa Cometa), um trem com destino ao Sul. O Blues NUNCA vai no trem com destino ao Norte.Aeronaves a jato e veículos estatais nem estão no movimento. Andar exerce

    uma parte principal no estilo de vida do Blues. E também a morte determinada (Fixing to die).
    6. Adolescentes não sabem cantar o Blues. Eles ainda não estão com a morte determinada (Fixing to die - Em inglês significa que a pessoa tem um vício ou doença que vai levá-la a morte cedo ou tarde).Adultos cantam o Blues. No Blues a idade adulta significa ser velho o suficiente para ir para a cadeira elétrica.

    7. O Blues tem lugar na cidade de Nova York mas não no Havaí ou em qualquer lugar do Canadá. Em Minneapolis ou Seattle, só se estiver deprimido. Chicago, St. Louis e Kansas City são ainda os melhores lugares para ter o Blues. Você não pode ter o Blues em qualquer lugar que não chova.

    8. Um homem com calvície bem cuidada não é Blues. Uma mulher mandona é. Quebrar sua perna porque você está esquiando não é o Blues. Quebrar uma perna porque um jacaré a esteja mastigando, é.

    9. Você não pode ter o Blues num escritório de luxo ou num shopping. A iluminação (enfoque) está errada (o). Vá para fora num estacionamento ou sente-se na caçamba de lixo.
    10. Bons lugares para o Blues: Numa rodovia, cadeia. Maus lugares pra o Blues: Norstrom (empresa corporativa), inauguração de galerias; Instiuições de caridade; campo de golfe.Ninguém vai acreditar que é Blues se você usar um terno, a menos que você seja um velho amarrotado tendo dormido em cima dele por pelo menos 6 meses.
    11. Você tem o direito de cantar o Blues? Sim, se: você for mais velho do que desesperado. b. se você for cego; c. se você matou um homem a tiros em Memphis e se o homem em sobreviveu; se você tiver um 401K (espécie de poupança) ou um Fundo de Fideicomisso (espécie de herança).
    12. O Blues não é motivo de cor, Trata-se de má sorte. O Tiger Woods (jogador de golfe) não pode cantar o Blues. Sonny Liston (boxeador) poderia. Gente branca feia também tem uma perna no Blues.

    13. Se você pedir água e a sua querida lhe der gasolina, é o Blues. Outras bebidas aceitáveis do Blues são: água barrenta, café preto ruim. As seguintes NÃO são bebidas do Blues: Perrier, Chardonnay, Snapple e Slim Fast.

    14. A morte de um bluseiro ocorre num motel barato ou numa choupana vagabunda de caçador; esfaqueado nas costas por uma amante ciumenta é um outro jeito de morrer. Também pode-se morrer numa cadeira elétrica, abuso de drogas e, morrer sozinho numa espeluca. Você não pode ter uma morte bluesy durante uma partida de tênis ou enquanto estiver fazendo lipoaspiração.
    15. Alguns nomes de Blues para mulheres: Sadie (Tristinha), Big Mama (Mãezona), Bessie (Betinha), Fat River Dumpling (Entulho do Rio Gordo).
    16. Alguns nomes de Blues para homens: Joe (Zé). Willie (Guilherme), Little Willie (Guilherminho) d. Big Willie (Guilhermão).

    17. Pessoas com nomes como Michelle, Amber, Debbie e Heather não podem cantar o Blues não importa quantos homens elas matem em Memphis.
    18. Kit para iniciantes de ’’Crie o seu próprio nome de Blues’’:

    a) Nome de uma debilidade física (Cego, Aleijado, Manco, etc)
    b) Primeiro nome (veja acima) mais o nome de uma fruta (Limão, Lima, Kiwi, etc)

    c) Sobrenome – de um presidente (Jefferson, Johnson, Fillmore etc). Por exemplo: Blind Lime Jefferson, Pegleg Lemon Johnson(Perneta Lemon Johnson) ou Cripple Kiwi Filmore (Kiwi Filmore Aleijado), etc.
    19. Eu não me importo quão trágica seja a sua vida: se você possuir até mesmo um computador, você não pode cantar o Blues. Se você estiver lendo isto num computador talvez você não possa cantar o Blues – mas pode com certeza ouvi-lo.

    ****Agora, vê se vcs começam a tocar e cantar BLUES, rssss.

                                                 (Johnny Adriani)



    Escrito por Mário Bortolotto às 01h48
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    HOJE TEM JAM

    Pra descansar um pouco da Mostra e fazer um som com os amigos. É sempre bom.

    ____________________________________________________________________________________

    E aqui um link pra uma entrevista que eu concedi ao Cazé no programa dele na MTV. Foi logo depois que saí do hospital: http://mtv.uol.com.br/noticiasmtv/entrevistas/noticias-mtv-120310-caze-entrevista-o-dramaturgo-mario-bortolotto-confira 

    ___________________________________________________________________

    E aqui um daqueles textos antigos que escrevi no meu blog já extinto. Reli e fiquei com vontade de republicar:

    HOWLIN´ AT THE MOON

    Meu pai me levava pra pescar quando eu era criança. Não que eu quisesse ir. Na verdade eu queria ficar em casa vendo desenhos animados. Mas ele me levava pra pescar. Ele e alguns amigos tinham um rancho na beira do Rio Tibagi. Eu chegava lá e passava um final de semana miserável querendo fugir dali. Meu pai e seus amigos fumavam e bebiam sem parar e um dos odores mais fortes de minha infância foi justamente o cheiro do cigarro. Talvez por isso eu tenha verdadeira aversão à idéia de fumar. Não que eu me importe com as pessoas fumando. Acho uma merda esse negócio de leis antifumo e a maioria das mulheres que namorei fumavam. Tudo certo. Mas eu tô fora e desconfio que tenha a ver com essa lembrança olfativa de minha infância. Uma vez já com os meus 20 anos de idade, tava num boteco sentado numa banqueta num balcão e um cara numas de me provocar expeliu fumaça de cigarro na minha cara. Desferi intuitivamente um direto no seu nariz que fez com que ele despencasse do banco. O cara tinha a manha de uma dessas lutas com as pernas e por conta disso andei torto durante uma semana, em compensação ele deve ter ficado respirando pela boca durante um mês pelo menos. O cheiro de cigarro impregnava o rancho e os amigos do meu pai falavam alto, contavam piadas e pareciam felizes enquanto fumavam e bebiam sem parar. Lá no rancho meu pai era diferente. Ele sorria e brincava. Desconfio até que ele era feliz. Muito diferente da imagem que eu tinha dele lá de casa, sempre carrancudo e de mal com a vida. Os paraísos particulares que as pessoas inventam. O rancho era o paraíso do meu pai pra onde ele fugia nos finais de semana e se transformava num sujeito quase feliz. Ficava por ali brincando com o meu cachorro e observando o jeito como meu pai e seus amigos se divertiam. Lembro que uma vez eles levaram pro rancho uma meia dúzia de mulheres. Elas usavam biquínis, bebiam e fumavam. Eram muito bonitas e pareciam felizes. Eram diferentes da minha mãe que sempre estava muito triste lá em casa. Meu pai e seus amigos riam muito na presença delas. Lembro do meu pai pulando do bote dando cambalhotas e se exibindo para as mulheres que o aplaudiam e pareciam admirá-lo. Eu também ficava orgulhoso do meu pai por ele saltar e nadar tão bem e porque aquelas mulheres bonitas pareciam gostar dele. Eu pensava que a mãe também devia admirá-lo em vez de ficar brigando tanto com ele. Meu pai queria que eu aprendesse a nadar e me soltou no meio da corredeira. Engoli água pra caralho enquanto me debatia tentando não me afogar. Meu pai então me puxou pra dentro do bote e me olhou com certa decepção. Decidi então que ia aprender a nadar de qualquer jeito. Ficava na beirada do rio me esforçando para ficar na superfície enquanto me debatia de maneira estabanada. Depois de algum tempo, já estava conseguindo. Queria que o meu pai me visse nadando, mas acho que ele não prestou muita atenção nem conseguiu admirar todo o progresso que eu tinha feito. Na verdade eu o estava desafiando pra que ele me jogasse de novo nas corredeiras. Eu ia mostrar pra ele o quanto era independente. Eu ia mostrar que eu não precisava dele e nem de ninguém pra me salvar. Talvez ele sentisse orgulho de mim, ou talvez me desprezasse ainda mais, mas era o que eu precisava fazer. Eu sempre tive necessidade de provar que não precisava de ninguém pra me salvar. Talvez por isso com o tempo passemos a esquecer as orações de nossa infância e aí a gente acabe se transformando nesses adultos solitários, falsamente auto-suficientes e melancólicos que somos hoje. Mas pensando bem eu já era um garotinho solitário e melancólico tentando provar que não precisava de ninguém. Nem do meu pai nem de ninguém. Quando chegava a noite, meu pai e seus amigos armavam o espinhel que consistia numa linha de nylon com vários anzóis com iscas. O espinhel ficava armado a noite inteira e no outro dia de manhã eles iam lá conferir os peixes que haviam caído na armadilha. Concluído o trabalho, eles ficavam jogando baralho, bebendo e fumando. Eu ficava sozinho imaginando que devia logo aprender a pilotar o bote com motor de popa, assim podia fugir dali quando me desse na telha. Eu e meu cachorro. A gente ia fugir de noite quando meu pai e seus amigos estivessem dormindo. Mas meu pai sempre me aterrorizava com as histórias de sucuri que ele contava. Eu não precisava de ninguém, mas ficava realmente assustado com a idéia de ser devorado por uma sucuri. Uma noite ouvi um sapo gritando desesperado. Meu pai me disse que era a sucuri devorando ele. Os gritos do sapo nunca me saíram da cabeça e eu desisti da idéia de fugir de noite. Aí teve uma noite que fui com o farolete até a beira de uma lagoa e fiquei olhando os sapos. Eles coaxavam, pulavam e se escondiam. Às vezes eu conseguia ver apenas os olhos deles. Então falava baixinho: “Vocês tem que tomar cuidado com a Sucuri”. Meu pai estava me procurando e me achou pela luz do farolete: “O que você tá fazendo aí?” Respondi algo do tipo: “Tava avisando os sapos que a Sucuri tá por perto”. Meu pai não respondeu nada. Chamou o cachorro e juntos nós voltamos pro rancho. Não falamos nada. Os passos do meu pai costumavam ser longos e apressados, mas naquela noite ele andou devagar, meio que acompanhando os meus passos. Era como se ele quisesse andar ao meu lado, pela primeira vez. Ele não sorriu nenhuma vez e não falou nada durante todo o caminho, mas eu senti que ele estava junto comigo como nunca havia estado antes. E então eu não tive mais dúvidas. Me senti protegido e muito forte também. E sabia que naquela noite os sapos estariam a salvo. Eu tive a certeza de que naquela noite a Sucuri não se atreveria a aparecer. Eu percebi que naquela noite eu era capaz de qualquer coisa, até de fugir se eu quisesse. Mas eu não queria mais.



    Escrito por Mário Bortolotto às 14h22
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    NO METRÓPOLIS

    Começou na última sexta-feira a "V Mostra Cemitério de Automóveis". Repercutiu legal na imprensa, grande parte do mérito se deve ao bom trabalho de nossa assessora de imprensa (a gente tá fodão, hein?) Marina Franco.

    Aqui o link pra matéria do Programa "Metrópolis" da Tv Cultura:

    http://mais.uol.com.br/view/xiddtuwnvlqs/metropolis--5-mostra-de-teatro-cemiterio-de-automoveis-04029C3472D8C153C6?types=A

    E aqui um vídeo que o nosso amigo Dany Boy fez na estréia da Mostra: http://www.youtube.com/watch?v=5BNIMr2Pdxc

    ______________________________________________________

    E a Mostra prossegue hoje com apresentação do espetáculo "Música para ninar Dinossauros".

     

    Amanhã posto aqui toda a programação.

    Música para ninar Dinossauros

    Texto, Direção e Sonoplastia : Mário Bortolotto

    com Paulo de Tharso, Lourenço Mutarelli, Mário Bortolotto, Flávia Tápias, Daniela Dezan, Wanessa Rudmer, Francisco Eldo Mendes, Carlos Carah, Marcelo Selingardi, Paula Flaiban, Carolina Manica e Fernanda Sanches. 

    Iluminação e Operação Técnica : Rodrigo Cordeiro (Linguinha)

    Hoje (Domingo) : 20h

    Ingressos : R$ 10

    Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1.000)  

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    E hoje também saiu uma entrevista minha no "Correio Braziliense". Concedi essa entrevista quando tava em Brasília no mês passado apresentando a peça "Êxtase".

    Aqui o link para o blog do jornalista (Sérgio Maggio) que fez a entrevista. Tá lá na íntegra. Tem alguns pequenos erros, mas não é culpa do jornalista e não é nada que comprometa a entrevista. É que no meio da conversa, é natural que o entrevistador se confunda e depois transcreva errado o que a gente falou.

    Por exemplo: não sou curitibano. Sou londrinense.

    É França, não Franca. (acho que aí foi um erro de digitação mesmo)

    O Festival de Dramaturgia não foi em Paris, mas sim em Pount-à-Mousson (três horas de Paris). Fui pra Paris por minha conta ficar rodando lá por três dias e fiquei dormindo num albergue em Cartier Latin.

    Não existe nenhum filme do Elvis que se chama "Bridge over troubled Water". Essa é uma música de "Simon & Garfunkel" que o Elvis canta no filme "Elvis é Assim" e que realmente emocionava muito a minha mãe.  

    Elvis era faixa-preta de Karatê, não de Kung-Fu.

    Outro erro de digitação : É "pagando à toa". Não é "pegando à toa".

    E aqui o link pra entrevista:

    http://blogcricriemcena.blogspot.com/2010/09/tudo-e-rocknroll.html

    _______________________________________________________________________

    Comprei a Trip desse mês só por causa da entrevista do Angeli. Muito boa, como sempre.

    Revista Trip - Edição 191

    "Às vezes me pergunto por que essa fascinação pelo outsider, pelo cara que não dá certo, que anda torto... É tão natural pra mim. Fui caindo nessas coisas. Se vou criar um personagem, logo vou pro cara mais roto, mais esfolado."

                                  (Angeli

    É emocionante quando ele fala do Glauco.

    _________________________________________________________

    E hoje é o último dia da temporada da peça "Felizes para Sempre", montagem do meu texto em Londrina. Não consegui assistir, infelizmente, mas pelo que me disseram, ficou muito bacana.



    Escrito por Mário Bortolotto às 16h13
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