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Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


A DIFICULDADE DE IR ATÉ A ESQUINA E ESSE GOSTO DE PASSPORT PRO INFERNO

A DIFICULDADE DE IR ATÉ A ESQUINA E ESSE GOSTO DE PASSPORT PRO INFERNO

Entendam que é difícil pra mim. O telefone toca, mas eu não quero levantar. Deixei "Stranded" do Van Morrison no repeat. Tem uma igreja medieval em cima da minha barriga e algumas orações que aprendi com meus avós na minha cabeça, mas parece que elas não me valem nada. Ainda sinto o gosto do Passport pro inferno. Preciso parar de ir pro Estrela da Roosevelt (o último refúgio que nem sempre nos recebe muito bem). Vou jantar com o Lobo e com a Mariana. Bons presságios. Acho que vou ganhar um Jameson hoje. Um Green Label na minha casa e eu bebendo Passport pro inferno. Eu voltei pro bar hoje. Eu sempre volto pro bar. Os amigos não acreditam quando me vêem entrando pela porta, de novo. Noite boa a de ontem. Grande show. Divertido pra caralho. Emocionante quando tinha que ser e divertido na hora certa. Os amigos se divertindo na platéia. E eu voltei pro bar. Quando ninguém mais acreditava que eu pudesse voltar. Eu tinha tudo pra não voltar, né? Mas eu sempre volto. Hoje recebo mensagens de outros amigos. Mas não quero levantar. Já ouviram "This love of mine" do Van Morrison?

HOJE TEM "BRUTAL"

É a penúltima apresentação e a última com a atriz Maria Manoela. Na semana que vem ela viaja e vai ser substituída pela atriz Helena Cerello. Então quem quiser ver ainda com a Manu, é a última oportunidade.

E NO DOMINGO

Tem nossa tradicional jam com churrasco comemorando o aniversário de nossa grande amiga Ester Laccava. Vai ser du caralho.

A Coletivo Galeria fica na Rua dos Pinheiros, 493 - Entrada Free - Começa às 17 h e termina às 22h por causa da lei psiu.



Escrito por Mário Bortolotto às 18h26
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SACO DE RATOS NO CAFÉ AURORA E COMENTS LIBERADOS E POEMAS QUE ME EMOCIONAM E A VIDA QUE A GENTE BEBE

Tô escrevendo do hotel em Lorena. Quente pra caralho. Fazer a peça de terno e gravata foi foda. Mas a apresentação foi muito maneira. As possibilidades de bares abertos por aqui numa quarta-feira me parecem escassas. Então vou dormir porque amanhã o dia vai ser hard. Ainda bem que a Van é maneira. Paulinha e eu viemos assistindo "Budapeste" enquanto o Alex e a Aninha dormiam solenemente no banco da frente. Pra volta, deve rolar o "Jean Charles". Vamos ver qual é. Tenho reunião às 15h, leitura às 18h e show às 23h30. Aí é sessão de terapia rock and roll (a melhor que existe) com os meus amigos da "Saco de Ratos" e com a platéia que aparece por lá. Vai ser foda.

Foto : Luiz Felipe Ogro

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E NO RIO DE JANEIRO - ESTRÉIA HOJE

Pô, queria ver isso!

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OS COMENTS TÃO LIBERADOS

Vários amigos tavam reclamando que não conseguiam comentar aqui. Então resolvi facilitar a bagaça retirando a necessidade de cadastro, etc. Agora qualquer um já pode comentar livremente aqui sem chateação. É uma via de duas mãos, é claro. Os babacas anônimos que escrevem aqui só pra me ofender já voltaram. Tá tudo certo. Eu simplesmente não aprovo os comentários. A rapaziada bacana vale a pena.

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E falando em rapaziada que vale a pena, a Adriana Godoy lá de BH (que sempre comenta aqui e que eu conheci pessoalmente há pouco tempo quando esteve por aqui assistindo "Brutal") escreveu um poema pra mim. Eu gostei. Fiquei lisonjeado, aliás. E gostei principalmente da parte dos anjos velando. Tô precisando disso. Ela escreveu assim:

Bortolotto, estava dando aula  agora e o assunto era escrever um poema sobre alguém, tipo uma biografia. Então, enquanto os alunos estavm escrevendo, sem querer fiz isso sobre você. Não me leve a mal, mas saiu de um fõlego só.  Sei que não tá legal, meio didático, não é muito meu jeito, mas resolvi te enviar assim mesmo. Beijo.

meu querido outsider

ele vem de coturnos com os cadarços desamarrados
a camisa grande com as mangas maiores que os braços
uma camiseta por baixo
um quase sorriso e um jeito tímido e forte

o dia é feito de ressacas e de um computador
quando calor demais liga o ventilador
e as ideias se espalham em textos únicos e mágicos

a noite chega e ele sai à caça de bebidas e de possíveis amigos
ou joga bilhar com homens e mulheres
e não duvida que pode ter brigas e pode brigar
mas agora prefere desativar bombas
e ficar mais leve um pouco

o rock e o blues estão em suas veias
como as palavras para um poeta
a voz rouca combina tão bem com o uísque que toma
e com a música que canta
que se tornam indissolúveis

escreve como quem enxerga os subterrâneos humanos
nos seus mais obscuros infernos
e deixa  a solução  na alma de cada um
encena e traduz a angústia de diversos personagens
mas traz em si as angústias da humanidade

encanta por ter um coração de menino
por gostar de lutas e de filmes b
de revista de mulher pelada
de comer coxinha de madrugada

de ver as séries na tevê

de ouvir mp3 num canto qualquer e ficar só

de conversar com os mendigos e perdidos da cidade
enquanto estudantes estão indo pra escola

ver o sol nascer pode lhe dizer
pra voltar pra sua quitinete
e tentar dormir o que a noite não deixou

então sonha, menino, tá tudo certo

no meio do caminho pode ter um bar

e mulheres  e amigos que te esperam

os anjos te velem  e digam amém

              (Adriana Godoy)

Valeu, Adriana, que os anjos cuidem mesmo de todos nós. E que eles sejam mais bacanas que os fdp do "Supernatural", né?



Escrito por Mário Bortolotto às 00h42
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O BAR SEMPRE NO CAMINHO

O BAR SEMPRE NO CAMINHO

Há alguns amigos que não encontro todo dia. Mas quando os encontro, me faz muito bem. Ontem encontrei um deles. Gosto muito de encontrá-lo porque a gente pergunta: "E aí? Como é que tá?" Ele responde: "Tô ótimo. Melhor impossível. Tá tudo maravilhoso". Por mais que eu esteja triste pra caralho, me faz muito bem encontrar esse amigo.

Dia desses o Carcarah tava jogando bilhar até às 8 da manhã com a gente. E ele tinha que viajar pra Monte Alto pra uma apresentação. A Van ia sair às 9. Aí o Guizé intimou: "Carcarah, vamos pro Ecléticos Bar"

"Cê tá louco. Que porra de Eclético´s? Tenho que pegar a Van às 9. Tô indo pra Monte Alto".

"Pois é. É caminho".

Pra esses meus amigos, o Bar tá sempre no caminho. Não tive como não parar a jogada e rir.

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Ela me ligou dizendo que precisava de mim. Gosto quando as pessoas que gosto muito precisam de mim pra alguma coisa. Ela tinha passado um pouco da conta e só queria que eu ficasse perto dela. Ela só não queria ficar sozinha. Disse pra ela vir aqui pra casa. Então acordei, joguei uma água no rosto e a recebi. A gente bebeu Green Label sentados no chão e falamos sobre uma pá de assuntos que a gente gosta de conversar. Ela foi ficando tranquila. Aí a gente simplesmente deitou e dormiu. De um jeito suave, como deve ser. Quando acordei hoje de manhã com o despertador do celular e vi que ela tava bem, me senti com algumas moedas pesando menos no bolso da bermuda, algumas contas a menos na mercearia, alguns escombros menos no porão, alguns arranhões a menos na vidraça. Não há nada que me perturbe mais no dia de hoje. Ainda somos capazes de usar o mesmo banheiro, mesmo que a porta mal esteja se aguentando nas dobradiças.

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Agora vou pra Lorena. Vamos apresentar hoje por lá a peça "A noite mais fria do ano" no TEATRO SÃOJOAQUIM, dentro da UNISAL às 20h.

Texto e Direção : Marcelo Rubens Paiva

Co-Direção : Fernanda D´Umbra

Elenco : Alex Gruli, Hugo Possolo, Mário Bortolotto e Paula Cohen.

Segundo as previsões do meu vidente de plantão, hoje Paulinha e eu vamos beber em Lorena. Gruli e Hugo devem dormir cedo. Pago muito bem meu vidente pra ele fazer previsões imprevisiveis como essa.

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E AMANHÃ - QUINTA-FEIRA

Foto : Luiz Felipe Ogro



Escrito por Mário Bortolotto às 02h48
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NOSSO INSTINTO PRIMITIVO É CAIR FORA, MAS SE EU FICAR VOU TER QUE ENCARAR E EU POSSO DIZER COM CONHECIMENTO DE CAUSA: O MAL SOBE PELAS PAREDES E NÃO DERRAPA

NOSSO INSTINTO PRIMITIVO É CAIR FORA, MAS SE EU FICAR VOU TER QUE ENCARAR E EU POSSO DIZER COM CONHECIMENTO DE CAUSA: O MAL SOBE PELAS PAREDES E NÃO DERRAPA

"A gente pode só dormir?"

"Eu vou te dizer uma coisa, Garota. Acho até melhor você sentar. Essa revelação pode te deixar chocada, mas enfim...vou te falar: eu gosto pra caralho de dormir".

Ajustei o ventilador em direção à cama. Essas noites tem sido quentes pra caralho. Então volto cedo pra casa, porque sempre tô com muito sono. Se fico no bar, logo procuro o ombro de alguma amiga pra descansar. Prefiro os peitos, é claro, mas quando não tenho muita intimidade, fico ali pelos ombros mesmo. Nessas horas sempre penso: "Onde é que tá a Lulu?"

Então porque não consigo ficar no bar sem bater um puta sono, volto pra casa. Deito, mas também não consigo dormir. Meu sono é um coito interrompido. No melhor do sonho, eu desperto, sempre. Foda-se. Por mim, podia até ser um pesadelo, desde que eu conseguisse dormir 6 horas seguidas. Durmo um pouco, quando acordo vejo que se passou apenas meia-hora. Durmo de novo mais meia hora. Dormir à prestação te deixa mais cansado do que passar a noite em claro. Por isso eu sempre tô cansado. E não foi diferente. Ajustei o ventilador em direção à cama, fixo, bem em cima de nós. Ela tava de shortinho jeans e com as pernas encolhidas. Achei a imagem bonita. Não há nada mais bonito do que uma linda garota dormindo na sua cama. Tinha um tempo que eu levava ela pra casa (me perdoem o meu jeito desorientado de escrever, mas acho que dá pra entender que nem sempre tô falando da mesma mulher, né?), transava e voltava pro bar. Eu tenho essa mania de voltar pro bar. Ela não se importava, ou pelo menos não parecia se importar na época. Ficava dormindo. Quando eu voltava completamente chapado, achava poético pra caramba ela dormindo só de calcinha, de bruços e eu pensava: "Sou mesmo um cara de sorte". Mas sorte é algo que não dura a vida inteira. Não descobri isso no poker. Na verdade quando jogava truco no seminário, comecei a suspeitar disso. E só tive certeza quando ela depois de uma partida de volei, não me sorriu do mesmo jeito que havia sorrido um dia antes quando eu a vi na platéia enquanto tocava algumas versões vagabundas de músicas do Raul Seixas (Ps ou nota de escritor desorientado: isso foi há 32 anos, exatamente no dia dessa foto aí, e eu lembro com detalhes anatômicos). Então agora deve ter outro cara com mais sorte do que eu olhando ela dormir de bruços em sua cama. Acordei várias vezes durante à noite, andei pela kitchenete, fui até a janela, escancarei a janela, tinha gente gritando lá embaixo, algum tipo de demônio no encalço de seu novo recipiente, sei lá. Se você não assiste "Supernatural" não vai entender. E ela continuava dormindo, tranquila. Quando a manhã veio, eu tava no computador escrevendo, um surto de euforia literária. Escrevi compulsivamente enquanto ouvia Van Morrison. Sempre fico lembrando do Cabeça cantando "Wild Night" do velho Van à capela no Teatro X no final de um de nossos shows. Quando saí do transe, ela tava andando pela kitchenete, descalça, fazendo café, me trazendo uma xícara, sentando na beirada da cama e falando sobre ex-maridos, internamento à força pela família, poesia com um barbeiro no meio da rua, essas coisas que fazem a vida ser única e vigorosa. E então como uma artesã de sua própria existencia, ela foi desfiando suas histórias e prestando a mó atenção nas que eu contava pra ela enquanto Van Morrison cantava "When that Evening Sun Goes Down". Uma linda garota sentada na beirada da cama rindo das minhas observações que eu até acho pertinentes às vezes como no momento que falei pra ela: "Um amigo tava brigando com a namorada. Em determinado momento ele disse que ela tinha razão. Gritei com ele. NÃO, VOCÊ NÃO PODE DIZER ISSO. RAZÃO É A ÚNICA COISA QUE NOS SOBRA". E é só uma frase de efeito, é claro. Eu mesmo numas de não levar a discussão adiante, já me peguei dizendo: "Você tá certa!" e é claro que isso não vai adiantar porra nenhuma se ela tiver realmente a fim de discutir. Ela me explicou que o lance é hormonal, alguém vai ter que pagar a conta e geralmente é quem está mais próximo. Disse que entendia e que várias vezes quando percebi que ia rolar aquele cheiro de napalm pela manhã que o Robert Duvall adora eu já dava um jeito de me refugiar em algum bar fora da lista dos meus prediletos. Algum bar que ela não conhecia e que por isso, não ia conseguir me achar. A Cíntia me perguntou ontem no jantar: "Você escreve mais personagens masculinos, né?" Citei alguns personagens femininos que acho importantes na minha dramaturgia e depois concluí pra ela que é mais fácil escrever sobre homens. Disse: "A mentalidade masculina eu conheço. A feminina? Só investigo". Ela retrucou comigo dizendo que os homens são tão complexos quanto as mulheres. Disse pra ela: "Nós somos óbvios pra caralho. Vê só os caras que foram pra cima da menina da Uniban. São óbvios. Vêem uma garota gostosa, e olha que ela nem é tão gostosa assim, mas enfim...naquele micro vestido, ela bem que fica, liga só, é como colocar uma garota de calça larga de sarja num desfile de burkas. Ela vai ser a mó gostosa. Mas voltando ao assunto da obviedade. Os caras ficaram com tesão e ficaram agressivos. Sempre que a gente vê uma garota gostosa na rua, dá vontade de agarrar. Nós somos assim". Aí a Neca falou: "Quer dizer então que você tá justificando a atitude dos caras?" Respondi: "Não é isso que eu tô falando. O que eu tô dizendo é que esse é o nosso instinto animal primitivo. O cara com uma clava gritando "mightor" e arrastando a mulher pelos cabelos. Hoje em dia nós aprendemos a ser razoavelmente civilizados e sabemos que não devemos agir dessa maneira. É a tal da evolução, né? Talvez essa evolução não tenha chegado na Uniban, sei lá. E só lembrar do gráfico de Darwin. A gente anda sobre dois pés e com a coluna ereta, torce pra algum time de futebol de nossa preferência, escolhe os filmes que quer comprar no camelô e temos o tal do livre arbítrio amparado em nossa inteligência e capacidade de discernimento. Se a gente errar a mão, vamos parar numa cadeia tendo que tomar banho preocupados em não deixar cair o sabonete. A gente aprendeu a não ceder à nossos instintos animais, por isso consigo dormir do lado de uma linda garota de shortinho jeans e não fazer absolutamente nada, mas os instintos estão todos lá, refreaveis, é claro, mas óbvios demais". Disse mais ou menos isso. Mais tarde no "The Edge" tentava explicar pra Aninha F. porque não podia ficar com o gato dela (antes havia explicado que era impossível comparar Beatles com Kinks, até porque os Beatles são antes e depois de Revolver. The Kinks é apenas antes. E também demonstrei interesse em viajar num cruzeiro pelo litoral brasileiro durante uma semana com a Aninha atacando de DJ. Não me pareceu má idéia apesar da Simone rindo da minha cara. As pessoas fazem uma imagem adulterada de minha bebum pessoa. Tava comendo uma maçã no sábado e a Vanessa Bumagny me inquiriu perplexa: "Marião, você comendo maçã?" Respondi: "Vocês acham mesmo que eu bebo Jack Daniels o dia inteiro? Eu gosto de maçã e de abacaxi e de melancia"). Mas enfim, o gato da Aninha me parece um gato bacana (espero que ele ainda não esteja viciado em música eletrônica), estiloso e do tipo que não vai ficar arranhando minha perna quando eu estiver deitado na rede lendo "Foolkiller", e eu nem me importaria de dividir o leite da geladeira com ele, mas é que eu sou o tipo de cara que mora sozinho, e viaja um bocado. Ele ia acabar gostando de mim. Sou um cara razoavelmente legal. E ele ia sentir a minha falta quando eu não estivesse por lá e talvez na sua cabecinha de gato ele acreditasse que eu não ia voltar. E não há quase nada pior do que você imaginar que alguém que você gosta muito não vai voltar. Quando tava saindo do "The Edge", a música que o Tatá Aeroplano tava tocando me lembrou de outra Ana e uma manhã embriagada. Ela voltando pra sua filha dirigindo o carro, essa música tocando no repeat e minha mão entre as pernas dela. As mulheres. E nossos instintos mais primitivos. Van Morrison agora canta "Moonshine Whiskey" e eu estou reabastecendo o meu MP3. Ei, Melissa, se quiser, me traz o seu qualquer hora dessas e eu vou turbinar com o velho Van. Você vai gostar. Se tem uma coisa que eu sempre soube, foi escolher música. Acho que sei mais duas ou três coisas, mas não me vem à cabeça agora.

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E aliás, falando em boa música, saquem só essa dica do Bruno Bandido. O nome dele é Seasick Steve. É um sujeito com 67 anos que só há pouco tempo começou a ficar conhecido. Tem toda uma lenda dele que circula por aí. Do tipo que levava porrada do pai desde criança, que fugiu de casa, andou em trens de carga e fez todos os trampos mais malucos, tipo o cara criou uma lenda pra ele, como já fizeram Bob Dylan e Tom Waits, só pra citar dois grandes mitômanos que me vem à mente de imediato. Eu nem diria "mitômanos". Eu usaria a expressão do meu amigo Reinaldo Moraes quando perguntaram pra ele se tudo o que ele escrevia tinha acontecido de fato. Ele então respondeu que o que fazia era "conficção". Perfeito. A verdade é que fiquei fã do cara. Disse pro Bruno que ele é o Neil Young do Blues, a mesma energia e carisma num cara com mais de 60 anos. Um velho herói como seria o meu Elvis Presley de fundo de boteco do conto que escrevi em "Gutemberg Blues". O Pereio me dizendo ontem à noite: "Vou dormir". E o Palmério retrucando: "Mas como assim? Você vai dormir antes de mim? Isso nunca acontece." E ele falando calmamente: "É que hoje eu tô melancólico". Um ZZ Top solitário e com alta carga de impetuosidade musical. Uma espécie de velho rato de sarjeta dizendo : "Ei, Man, desce aqui pro esgoto e eu vou te mostrar o tipo de birita que eu costumava tomar nos hard times". O Cara é foda. Fábio Brum e Carcarah, talvez vocês já conheçam o Homem, mas se ainda não conhecem, digam pra mim: O que acharam?

CLICA AQUI PRA TER UMA IDÉIA: http://www.youtube.com/watch?v=R-XkyMfh8xA

E AQUI : http://www.youtube.com/watch?v=pNoPNC3ebYQ

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E na quinta-feira tem show da nossa banda "Saco de Ratos" no Café Aurora. Viajo amanhã pra Lorena pra apresentar a peça "A Noite mais fria do ano" por lá. Volto na quinta pra leitura do texto "Ecstasy" do Mike Leigh que deve estrear em Março. E depois vou direto pro show no Aurora. Minha sessão de terapia (minha e do Rick, né? Ou você acha que alguém desce a mão na batera daquela forma impunemente?). Amigos, vamos beber algumas hoje. Já marquei com o Nelsinho.

O desenho da Ratazana é do Mutarelli e a arte do flyer é do Carcarah que ontem mandou uma seleção impecável de rock no "The Edge" (aniversário do Eldo)

 



Escrito por Mário Bortolotto às 08h50
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HOJE

Meus amigos Jairo Matos e Paulo César Pereio vão fazer uma leitura do meu texto "Efeito Urtigão"

No Mistral Bar Bistrô- Hotel Linson

Rua Augusta,440 a partir da 20:00

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E hoje é também aniversário do meu amigo Eldo. Parabéns pra ele.



Escrito por Mário Bortolotto às 16h46
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RECEITA PARA NOVOS E PRETENSOS ENCENADORES DOS MEUS TEXTOS

"Fighting" é o que eu gostaria que "Nossa vida não cabe num Opala" tivesse sido. Já cansei de falar sobre o filme adaptado da minha peça. Que é um filme fraco a começar pelo roteiro e com pouca compreensão do universo abordado. Tudo o que o Bruno Bandido sacou da minha peça "Uma pilha de pratos na cozinha" por exemplo, é exatamente o contrário do que foi entendido pelas pessoas responsáveis pelo filme "Nossa vida não cabe num Opala", a começar pelo título que originalmente é "Nossa vida não vale um Chevrolet". Exatamente o contrário do que queria dizer. Então dia desses assisti o ótimo filme "Fighting" (Veia de Lutador) do Diretor e roteirista Dito Montiel, de quem eu já tinha visto "Santos e Demônios" e que aliás, também gostei muito. É um filme com uma história simples. Rapaz (Channing Tatum que também trabalhou em "Santos e Demônios") vem do interior para Nova York com um passado marcado por desentendimentos com o pai, tenta ganhar a vida vendendo produtos ilegais na rua, se mete em encrenca e conhece o golpista Harvey (Terrence Howard) que percebe o talento do rapaz em brigas de rua e o coloca no circuito das lutas ilegais. Logo o rapaz se torna uma estrela no meio enfrentando desde lutadores profissionais até fodões de artes marciais. É claro que tem também o envolvimento do rapaz com uma garota que trabalha em uma boate, os fantasmas de seu passado, etc. Na verdade são todos perdedores natos que vislumbram uma possibilidade se dar bem em um mundo onde não há mais que uma chance pra que isso aconteça. Reparem no personagem "Harvey". Simplesmente enternecedor. Quando escrevi "Nossa Vida não vale um Chevrolet" que acabou de ter leitura no México com ótima recepção de público segundo a Lygia Cortez que me mandou um e-mail ontem, foi com o intuíto de escrever sobre esses personagens que foram obviamente deturpados no filme. Escrevi os personagens que se envolvem em lutas de rua inspirado no ótimo "Lutador de Rua"

 de Walter Hill com o grande Charles Bronson. São sujeitos que lutam por dinheiro sem nenhum tipo de proteção e nos lugares mais improváveis. É o que o filme "Fighting" tem. A luta é marcada e acontece num beco do Brooklin ou numa mansão de algum milionário. Tanto faz. Os dois caras simplesmente começam a lutar e vale realmente tudo. No filme "Nossa vida não cabe num Opala", os caras levaram as lutas pra um ringue, com luvas de boxe e o escambau. Não era nada daquilo. É claro que o roteirista nunca conversou comigo a respeito disso e que o Diretor não teve o menor interesse em me consultar e entender minhas referências. Por isso o filme é tão fraco. Nem vou discutir os outros personagens como a irmã Magali (totalmente deturpada) ou o empresário Guto que ficou caricatural. Ou a solitária Silvia que no filme parece apenas uma garota que sai à noite pra "caçar" alguns caras pra transar, nada mais que isso. Voltei a falar disso porque assisti o filme "fighting" e fiquei pensando no enorme desperdício que é fazer um filme sem conhecimento de causa, sem entender de onde veio toda a encrenca e sem sacar as referências do cara que escreveu a história. É por isso que sempre fico chateado com a maioria das montagens de minhas peças que assisto por aí. Os caras estudam Shakespeare, Nelson Rodrigues e Koltés e querem encenar um texto que escrevi. Fica difícil. Aconselho a quem quiser se aventurar a encenar outro texto meu (quase todos os dias recebo pedidos de encenação) a ler muito gibí, ver muito filme alternativo (Jarmush, Cassavetes, Abel FerraraHal Hartley por exemplo) e inclusive muito filme "B" (entendam que eu sou fã de Stalone, Carpenter, Rob Zombie e George Romero por exemplo). Esqueçam David Lynch, Almodovar, Lars Von Trier, etc. Eu não tenho nada a ver com isso. Tentem ler os caras que realmente mudaram minha vida (Bukowski, Spillane, Henry Miller, Kerouac, Chandler, Goodis, Carver, etc). Também tem que sair pra rua, beber até de manhã com alguns amigos engraçados e apaixonados. Tem que comer algumas mulheres ou até muitas mulheres (faz bem pra caralho), mas também tem que se apaixonar por uma e ficar muito mal quando ela te deixar e trocar por outro mais bacana. Você sabe que tá sempre no fim da fila dos caras bacanas, né? E tem que fazer alguns poemas decentes quando isso acontecer. Tem que ouvir muito blues (porque só no blues está toda a verdade). E tem que ter toda a melancolia necessária. Tem que saber que nada vai dar certo e tem que saber todas as regras do jogo e não deve usar nenhuma delas, porque na verdade você não deve trapacear com a vida em benefício próprio. Tem que estar disponível pra ser socado na cara quando a luta começar. Não tem que ter vergonha de sentir tudo do jeito mais intenso possível. E errar, e se arrepender. E voltar atrás. E não pode ter medo do erro, porque no erro reside toda a santidade. Ou você realmente acha que os santos são perfeitos? Você acha mesmo que eles já não se pegaram amaldiçoando o Deus impassivel que armou essa pra eles? E tem que chorar sozinho vendo alguma cena de algum filme que você já viu novecentas vezes. Tem que ter orgulho das cicatrizes. Só assim vai ser possível. Se você não estiver estômago para isso, te aconselho a encenar algum Shakespeare ou algum Nelson Rodrigues (eles são bons pra caralho, eu reconheço, e isso não é nenhuma ironia) e me esqueçam. Eu não tenho nada a ver com isso. E talvez eu não tenha nada a ver com vocês.

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HOJE

JAM COM CHURRASCO NA GALERIA

E hoje acontece a nossa tradicional jam com churrasco. Basa, Fábio Brum, Flávio Vajman e eu vamos tocar nossas músicas por lá enquanto a rapaziada come churrasco e bebe cerveja. Começa às 17h e nesse domingo tem hora pra acabar. A gente deve terminar às 22h, por causa da lei psiu que tá pegando no pé da Galeria (Rua dos Pinheiros, 493). Entrada Free.

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E ontem a gente tocou no "Vocábulário", mais ou menos o que gente faz nas jams. E a Tatiane Santana escreveu em seu blog sobre nossa apresentação. Muito bacana.

Músicas tem sentimentos?

domingo, 29 de novembro de 2009

Do dia 28/11 às 9h00 até dia 29/11 (hoje) tem o Vira Cultura na Livraria Cultura, como não podia deixar de ser, fui.



Fui com uma amiga.

Foda foi pouco. Assistimos ao "Vocabulário", um evento que Paulo Scott organiza e tem direção da Fernanda D'Umbra.
Mário Bortolotto estava lá com Fábio Brum , Basa e Flavinho Vajman. Arrebentaram, para variar.
Conheço o trabalho do Bortolotto pelo meu pai, desde que eu tinha uns 18 anos, ou seja à uns 8 anos atrás, tempinho legal né?
Li duas obras dele que são Mamãe Não Voltou do Supermercado e Bagana na Chuva.
Meu pai me emprestou e foram os únicos livros que me fez devolver, ainda compro esses livros para mim...
Acompanho alguns shows dele, assisti á peça Brutal, que é um tapa na cara, e considerei bem ao estilo Dostoievski. Sabe aquelas obras que mexem com os sentimentos alheios e prova que todos são passíveis e fazem merdas, e depois procuram desculpas para reparar seus erros.
Não sou boa como crítica também, mas sou curiosa e a minha ousadia me faz ver além do comum, ou penso que sou assim.
Não ligo também para o que pensam de mim, se sou boa crítica, ou a esquisita, a antipática, porque sou mesmo, mas pelo menos sempre estou com pessoas que amo e sei que gostam de mim.
Só quero ser o que julgo bom para mim. Ser eu mesma, sem puxar saco de ninguém ou fazer amizades por interesse.
Chata para caralho né?
Bortolotto cantou três músicas dele e vou dizer, me emocionei com as letras como á muito não me emocionava com música alguma. De repente foi o modo como ele cantou, o sentimento que passou, aquele copo descartável na mão, a humildade em sentar com os amigos no palco, os caras tocando, se compreendendo pelo olhar.
São sempre assim, emociona ver. Arrepia a alma!
Olha, não é só cantar sabe? Sempre percebi isto, desde que comecei a ouvir músicas, não entendo merda nenhuma, mas a coisa mais broxante é quando você vai ouvir alguma banda tocar e aquilo tudo que você imagina no CD ao ouvir pessoalmente é uma merda. A frustração é momentânea, você vai com toda aquela ideologia que você fazia da música, da banda, de tudo e quando ouve...esmorece.
Por isto, desde que resolvi crescer, parei de colocar expectativas em livros Best Sellers e músicas do momento, porque com a era digital as pessoas conseguem enganar á todos, inclusive ludibriar sentimentos.
Sou taxada de chata, e muitos não conhecem as músicas e livros que gosto, mas eu ligo? Merda nenhuma...

Fiquei possessa porque agora consegui constatar que estão falsificando sentimentos em músicas e livros.

É demais, diz aí?
                                        (Tatiane Santana)
Foto que a Tati tirou


Escrito por Mário Bortolotto às 03h24
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