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Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


MEU SALVO CONDUTO PELA TERRA DEVASTADA

Na quinta-feira, meu amigo Lourenço Mutarelli foi assistir o nosso show lá no Café Aurora. Ele sempre pede pra gente tocar "Gilete" que é uma parceria minha com meu amigo Bernardo Pellegrini. Ele gosta muito dessa música e a Paulinha Cohen também, tanto que ela quis cantar no primeiro show que ela fez lá na "Rio Verde". Fiquei lembrando quando fiz essa parceria com o Bernardo. Ele me encontrou na frente do Bar do Jaime lá em Londrina que era um lugar onde a gente bebia todas as tardes. Era tipo o nosso Happy hour bagaceira. A gente ficava sentado nas escadas que ficavam de frente pro bar que era frequentado basicamente pelo nosso Grupo e por jornalistas da Folha. Aí um dia o Bernardo me pediu uma letra e então lembro que comecei a escrever ainda no bar e fui terminando a letra rabiscando em vários guardanapos ao longo daquela noite em vários bares por onde a gente passou. O velho tour etílico, sabem como é. Escrevi : "Corta o meu barato nas noites de ferro / corta a minha doze em tiras de metal / bebe o sangue do pulso das meninas / depois passeia chapada / esperando o final / Gilete / na bolsa das putas / Gilete / nos olhos dos loucos / Gilete / nas línguas das virgens / Gilete / no sangue de poucos / Corta o meu barato / nas noites de vício / leva mil baladas / pra segurar este hospício / lava com whisky os pecados dos meninos / depois convoca a alcatéia pra um ensaio geral". Na verdade acho que a letra tinha um negócio ou outro diferente que não lembro o que é. Era o tempo que a gente comprava whisky "Black Jack" à R$ 4. Vocês imaginam o estrago que esse negócio fez ao meu pobre fígado. Era o tempo que eu andava por Londrina e achava que o mundo tava me devendo alguma coisa. Tipo "O Cobrador" do Rubem Fonseca, tão ligados? A gente terminava a noite no Valentino (bar mítico da cidade na época) e eu costumava andar com uma fita cassete no bolso da calça. De um lado tinha Tom Waits e do outro sua mulher (acho que já era ex) Rick Lee Jones. E eu pedia pros caras do Valentino tocarem essa fita e a gente ficava lá bebendo e ouvindo Tom Waits. E eu ficava tentando encaixar a letra de "Gilete" nos rosnados e grunhidos do Tom Waits. Naquele tempo eu ainda não sabia de toda a amargura, mas já previa tudo o que ia acontecer. A gente acabou de gravar essa música no CD da "Saco de Ratos" cuja capa é do Lourenço Mutarelli que gosta muito dessa música. E o Bernardo Pellegrini tem outra parceria comigo que é na verdade uma letra que ele fez a partir de citações minhas na peça "A Lua é minha" (que tá em cartaz atualmente às quartas feiras no Satyros 1) e que ele me mostrou na última vez que a gente foi pra Londrina. É um bluesinho fim de noite total, muito bonito. Espero que ele grave e mande pra mim pra gente poder tocar com a banda. Estou escrevendo isso tudo pra falar desse negócio maluco que é você ficar inspirado numa situação, numa mulher ou nos amigos, ou no que quer que seja pra escrever. É o que me salva. É o que tem me mantido vivo durante todos esses anos. Não é a bebida ou a vida boêmia que levo. Não é o "amor" ou o que chamam de "amor" por aí. Na verdade isso só destrói, né? É o que consigo criar a partir disso. Esse é meu salvo conduto pela terra devastada.

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Agora tenho que dormir. Vou pra Piraju de manhã. Vou lá montar e operar a técnica da peça "Curta-Passagem". Até tentei arrumar alguém pra me substituir já que tô pregado por causa dos últimos dias. Mas não consegui ninguém. Então vou ter que ir. É claro que não vou conseguir dormir. Vou ficar fritando aqui na kitchenete tentando ver algum filme dublado na TNT pra ver se pego no sono pelo menos um pouco.

Mas Domingo (amanhã) tô de volta e a gente vai fazer aquela jam com churrasco lá na Coletivo Galeria. E talvez a gente toque "Gilete" em homenagem ao Lourenço Mutarelli, ao Bernardo Pellegrini e à Paulinha Cohen. E eu não vejo a hora de tocar "A lua é minha".

Domingo a partir das 17h > Jam com Churrasco > Mário Bortolotto (vocal e violão), Basa (violão) e Flávio Vajman (gaita) > Presença aguardada : Fábio Brum e todos os amigos que ficarem a fim de aparecer, tocar e cantar com a gente.

Entrada free > só paga o que consumir de churrasco e cerveja.

A Coletivo Galeria fica na Rua dos Pinheiros, 493.



Escrito por Mário Bortolotto às 04h55
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E o meu amigo Ricardinho Carlaccio também escreveu sobre a peça:

Sempre desconfiei da palavra amor. Nunca gostei dos hippies por conta do slogam “Paz e Amor”. Certa vez uma garota perguntou pro Marião como ele definia o amor e ele foi curto e grosso como manda a lei do velho oeste e disse: “amor é aquela paçoquinha que eu comia quando era garoto.” Ironia Du caralho, por essas e outras curto os textos do Mário Bortolotto e sempre que posso vejo suas peças. E a última que vi foi  Brutal, a peça fala sobre uma tal de Legião do Amor liderada por Estevão, um cara que tem sua própria interpretação do Antigo Testamento. Uma espécie de Skin Head sem a cabeça raspada e suspensórios, um tipo que pode estar ao nosso lado na fila do supermercado e a gente não vai sequer perceber o filho da puta. Esse naipe de cara se propaga por aí, a cada dia pinta uma igreja evangélica na esquina pra tomar a grana e a alma de algum otário, todas pagando de legião do amor ou legião da boa vontade, o que dá na mesma merda. Todos prometendo a salvação, todos o mesmo embuste, como  pastores que comem as crentinhas através de seus discursos messiânicos.  Como diz a pesonagem Sol magistralmente interpretada pela Érica Puga: "acho que é solidão, né, cara? A gente precisa se agarrar em alguma coisa. Qualquer tábua de salvação tá valendo". Existem vários níveis de solitários buscando Deus de maneira equivocada. Eu sempre desconfiei daqueles que esmolam companhia, esses são capazes de pagar qualquer preço na hora do desespero. E nessa hora cada um se agarra no guru que pode ou merece.

 

                                                                    (Ricardo Carlaccio)

 

 

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 21h32
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Essas são fotos do evento que aconteceu durante as Satyrianas lá na "Rio Verde". Foi o "Satyrianas Lado B". Foi bacana. Fiz uma apresentação com o Basa e o Flavinho. Tocamos algumas músicas lá. Depois joguei bilhar com a Kiki e participei cantando "Abre essas pernas" com minha amiga Nena Cerello e "Gilete" com a Paulinha. Foi divertido. As fotos e toda a arte gráfica (muito fudida, por sinal) do evento são de Patricia Cividanes. E estão todas no blog "Antro Exposto" : http://antroexposto.blogspot.com/

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Ando muito cansado. Meio sem saco pra quase tudo. Ando perdendo a paciência muito rapidamente. E sei que isso não é bom. Às vezes me dizem que eu tenho uma paciência de Jó e eu sei que é verdade. E que isso também não é bom. Cola muito mala e eu acabo fazendo valer o apelido que o Pereio me deu. Ele falou assim: "Mário, você um cara bacana. Você não é um mala, mas você é uma esteira". Mas ficar com o pavio curto o tempo inteiro também não é legal. Às vezes é preciso mesmo se retirar. Ir embora do bar mais cedo. Ir embora da vida mais cedo. Ontem por exemplo, era um dia que eu tinha que ir embora. Depois do show eu tinha mais era que ir embora ficar sozinho, dormir, bater uma punheta, ler um livro, ver um filme antigo, qualquer merda. Eu não era boa companhia pra ninguém. Tava sem paciência com os amigos e isso é péssimo. O que sobra é o show bacana que a gente fez ontem à noite. Isso sim é o que há de melhor. Fiquei muito feliz com o show. Mas devia ter ido embora pra casa logo depois. Ontem tive a certeza que é impossível jogar bilhar desconcentrado, com música alta e muita gente falando o tempo inteiro. Mas acho que fui embora (não exatamente na hora certa) num momento mais ou menos tranquilo ainda. Alguma coisa boa tô conseguindo fazer.

Vou deixar aqui um texto do meu livro "Gutemberg Blues" que o meu amigo Fábio Brum gosta muito e me pediu pra eu postar aqui. É um texto que escrevi para o guitarrista Roy Buchanah.

GUITAR HERO

 

Naquela noite de agosto, os cachorros vagabundos uivavam melancólicos avisando que o mais seguro era ficar em casa enroscado em uma garotinha trêmula, bebendo um vinho devagar ou assistindo tevê. Mas Roy Buchanan, guitarrista fantástico, lenda viva do blues branco, não era o tipo de cara que conseguia ficar em casa numa noite de agosto vendo as popices dos clips monótonos da tv. Os uivos dos cães vagabundos eram convites irresistíveis para cair fora, por isso Roy, 48 anos, cara inchada, cansada, fumou mais um pouco do seu cachimbo e se levantou do sofá, desligou a tevê, cobriu a garotinha que na verdade nem era tão jovem assim com um cobertor velho de flanela, vestiu a jaqueta amarrotada e saiu pra rua. Ia andando e esfregando as mãos enquanto sussurrava uma oração que o seu pai havia lhe ensinado há muito tempo. Não se lembrava muito do seu pai, mas aquela oração havia se instalado na sua cabeça de uma maneira inexplicável, às vezes enquanto tocava a sua guitarra, aquela oração aparecia e então ele começava a rezar. Roy Buchanan estava rezando quando entrou no bar, encostou no balcão e pediu o primeiro whisky. Ele continuou rezando quando já não conseguia distinguir os rótulos das garrafas. Só parou de rezar quando o jogaram no banco traseiro daquele carro com sirenes. Ele não conseguia entender o que estava fazendo naquela cela fria da Virginia, naquele 14 de agosto de 88. Foi rezando que ele amarrou a jaqueta em torno do pescoço. Os cães pararam de uivar. O seu companheiro de cela, um outro bêbado maltrapilho, ainda jura que ouviu aquele sujeito rezar antes de se enforcar. Não sabe precisar ao certo quais eram as palavras. Talvez algo como Thank you, Lord.

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E hoje tem "Brutal". Eu sempre aviso. Não é uma peça fácil. Ela é propositalmente pesada, soturna, lenta e é longa também (são quase duas horas), então só vai lá se tiver a fim de encarar. Não fica enchendo o meu saco falando coisas do tipo: "Ah, a peça é um pouco longa, né? Será que não podia cortar um pouco?". Que inferno. Tem peça pra caralho em cartaz na cidade, vai assistir outra. Essa é assim e ponto final. E não bebam cerveja antes do espetáculo. Ficam com vontade de mijar, tem que sair e depois voltar no meio da peça. E isso atrapalha pra caralho. O Zé Celso faz peça de seis horas, mas lá pode tudo. Pode sair, volta, beber, é um ritual, é dionisíaco e o escambau. Aqui não é. Não tem ritual nenhum. Nem gosto que fiquem falando "merda" um pro outro antes do espetáculo. Aliás, não tenho saco pra todo esse ritual teatral. Pra mim é tudo rock and roll. E essa peça é um tijolo, maluco. E é assim que eu gosto dela. Se ficar diferente, paro de gostar. Fico em casa lendo HQ. Vou ganhar muito mais. Tá tudo certo, rapaziada. Ninguém precisa assistir. Fiquem lá fora bebendo e a gente conversa depois. Tá tudo bem. Mesmo. Mas se tiverem a fim de encarar, vou achar muito legal. Mas não digam que eu não avisei.

 

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 15h37
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HOJE TEM "BRUTAL"



Escrito por Mário Bortolotto às 07h51
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HOJE TEM 

"SACO DE RATOS" NO CAFÉ AURORA

e o Mutarelli acabou de ligar dizendo que vai hoje. Isso sim é uma boa notícia.

Saco de Ratos é : Mário Bortolotto : Vocal / Fábio Brum e Marcelo Watanabe (guitarras) / Fábio Pagotto (baixo) / Rick Vechione (bateria)

Ingressos à R$ 5 - Cerveja em lata à R$ 3

A partir das 23h30

O Café Aurora fica na Rua 13 de Maio, 112 (Bela Vista). 

http://www.myspace.com/sacoderatos 

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Queria escrever mais, mas preciso dormir um pouco. A volta do Rio de Janeiro foi a mó saga. Tive que acordar às 7 da manhã (isso porque fui dormir milagrosamente às 4). Fomos pro Santos Dumont e ficamos lá o mó tempão. Os vôos tavam atrasados. Mó balbúrdia. Até encontrei o Fagundes no Aeroporto que me disse que no dia anterior teve até que desistir de embarcar, mas hoje ia ter que vir de qualquer maneira, já que faz espetáculo por aqui. Aí depois avisaram que a gente ia ter que ir pro Galeão porque o Santos Dumont tava sem teto. Mais duas horas esperando e conseguimos embarcar. Mais 50 minutos dentro do avião esperando autorização pra decolar e finalmente conseguimos voltar pra São Paulo. Depois mais 40 minutos de Guarulhos até minha casa. Tô destruído. Vou dormir um pouco pra me recuperar pro show de hoje à noite. Té logo mais.

 



Escrito por Mário Bortolotto às 15h47
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EU VI A LUZ E AS FOTOS DA FERNANDA YOUNG

A gente tava dentro do carro e o locutor na rádio dizia: "Deve faltar água nos próximos dias. O apagão vai fazer grandes estragos" e no momento seguinte emendava: "E amanhã vamos todos torcer pelo Fluminense". A gente ria dentro do carro e lembrava que estamos mesmo no Brasil. Eu tava jogando poquer no camarim do teatro (a gente sempre faz isso durante a peça - o Alex e eu terminamos nossa cena e quando começa a cena da Paulinha e do Hugo, armamos nossa mesa de poquer - costumo brincar que ganho mais dinheiro no poquer do que com a bilheteria da peça) quando as luzes oscilaram e apagaram de vez. Lá no palco (com luz de emergência que proporcionava uma agradável penumbra) os atores continuaram com a peça a pedidos da platéia. Quando a peça acabou, o Rio de Janeiro estava no escuro. Depois a gente descobriu que era um lance nacional e que até o Paraguai tinha mergulhado na escuridão. Voltamos pro Hotel Marina que tem gerador próprio e ficamos por lá. Os caras preferiram comer em seus quartos. Paulinha e eu fomos pro Restaurante do Hotel e pedimos logo uma garrafa de vinho. Da janela do restaurante, dava pra ver uma praia bonita e sinistra. Ficamos conversando enquanto alguns amigos ligavam e davam notícias de São Paulo e de outros lugares do Rio de Janeiro. E então a luz voltou e é claro que Paulinha e eu fomos pro Bar. Continuamos no vinho. Encontramos alguns amigos e na volta pro hotel ainda ganhei a Playboy com a Fernanda Young. Gosto da Fernanda. Gosto dos livros dela. E a conheci quando fiz a trilha pra peça "A idéia" (texto e atuação da própria). É uma ótima garota, por mais que sua persona televisiva às vezes tente desmentir essa minha afirmação. Gostei muito das fotos (do ótimo Bob Wolfenson), especialmente de uma em que ela está deitada com um livro do Bukowski entre suas pernas. Justamente o livro que eu assino a orelha. Cool. Paulinha foi dormir e eu subi pro terraço do Hotel Marina (26° andar). Lá de cima fiquei olhando aquela mesma praia que ontem tinha achado sinistra. Ela tava bonita pra caralho com aquela luminosidade filha da puta das manhãs cariocas. Então eu pensei que a vida nem sempre vai nos proporcionar manhãs como essas. Acho que o futuro vai ser sinistro e escuro como a noite de ontem. Então fiquei lá muito tempo olhando as gaivotas que pareciam urubus (ou será que eram mesmo urubus?) voando perto da minha cabeça. Vai faltar água, talvez o Fluminense vença hoje (o que deve deixar o Fausto Fawcett e o Carcarah bem felizes), mas por enquanto tenho esse cenário deslumbrante pra caralho, as fotos da Fernanda Young e um café da manhã de hotel cinco estrelas. Algo a se comemorar.

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Hoje no Rio de Janeiro :

Hoje em São Paulo :

Amanhã (quinta-feira) em São Paulo :

SHOW DA NOSSA BANDA "SACO DE RATOS"

Saco de Ratos é : Mário Bortolotto : Vocal / Fábio Brum e Marcelo Watanabe (guitarras) / Fábio Pagotto (baixo) / Rick Vechione (bateria)

Ingressos à R$ 5 - Cerveja em lata à R$ 3

A partir das 23h30

O Café Aurora fica na Rua 13 de Maio, 112 (Bela Vista). 

http://www.myspace.com/sacoderatos 



Escrito por Mário Bortolotto às 17h43
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NOSSO AMIGO VALDIR

Infelizmente não tenho nenhuma foto bacana do Valdir. Ele era tão discreto que era difícil fotografar. Mas nessa foto (em um show do Edvaldo nos Parlapatões) ele tá aí de perfil.

Porque ele era amigo de todos nós. Tá certo que ele era muito mais amigo do Edvaldo. Ele era um irmão do Edvaldo. Aliás, poucas vezes na vida vi alguém ser tão amigo de outro como o Valdir era do Edvaldo. Não conseguia dissociar um do outro. E todo mundo gostava do Valdir. Tava comentando ontem que tinha que ser muito "espírito de porco" pra não gostar do Valdir. Era um dos sujeitos mais simpáticos que já trombei nessa vida. Parecia que nada o abalava. A última vez que o vi, foi na abertura da exposição do Leminski no Itaú Cultural. Quando a gente saiu de lá, fomos até o Ponto Chic e lembro que ele não podia beber porque tava fazendo um tratamento. Não entrei em detalhes com ele, mas fiquei chateado porque sabia o quanto o Valdir gostava de ficar bebendo cerveja com a gente. Lembro que o Edvaldo e eu fomos pegar um táxi na frente do Ponto Chic (a gente ia descer pra Roosevelt) e nos despedimos do Valdir. Foi a última vez que o vi. Ontem fiquei sabendo da merda toda. Valdir foi embora. Nós não vamos mais nos divertir com ele. Não vamos mais vê-lo com aquele sorriso franco, feliz simplesmente por estar ali por perto, depois de mais um show do Edvaldo. Esse tipo de "acontecimento" faz com que a gente pense como tudo é frágil e efêmero. É claro que estou dizendo o óbvio, mas não quero dizer nada além disso. As pessoas perdem tempo demais com coisas muito pequenas. Vamos aproveitar o máximo o pouco tempo que temos pra ficar perto das pessoas que realmente amamos. Porque a qualquer momento, elas não vão mais estar por aqui. E ficar lamentando não vai servir pra nada. Porque tem uma hora que as luzes param de piscar e não há nada que se possa fazer. Como diria o velho, grande e terno Valdir (era assim que ele terminava os seus e-mails convidando para os shows do Edvaldo) "hasta la vista, baby".



Escrito por Mário Bortolotto às 12h03
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HOJE NO RIO DE JANEIRO

SÓ MAIS DUAS SEMANAS



Escrito por Mário Bortolotto às 07h29
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SOBRE LIGAÇÕES DE MADRUGADA, GAROTAS BOAS E GAROTAS MÁS

Ela ficava ligando. Ela é uma boa garota. Bebe algumas doses de vodka a mais, mas é uma boa garota. A gente saca só de olhar pra ela. Ela tinha batido o carro. Rolou a mó treta porque tinha uma criança no carro. Ninguém se machucou, graças ao Bom Deus com quem o Paulão toma um trago de vez em quando. Antes a gente tinha bebido um bocado e eu e o Brum fechamos a noite tocando músicas do Cazuza. A Fernanda cantou com a gente e foi du caralho: "Baby, você marcou touca / marcou / porque eu sou carne de pescoço / você topou com um louco / pra se livrar de mim, vai ser fogo, vai ser fogo". Aí começou a chover. Era uma chuva forte, do tipo que leva pra longe qualquer tipo de angústia. Coloquei o meu violão na sua capa plástica e saí andando no meio da chuva atrás de um táxi. Eu ando assim, totalmente independente depois que descobri que inventaram esse negócio chamado táxi e que você só tem que ter algum dinheiro pra ele te levar pra qualquer lugar. Se decido que vou embora, é um, dois. Não fico esperando carona de ninguém como eu fazia antes. Na verdade nunca fui disso. Ia embora andando no meio da chuva, de qualquer jeito. Sempre fui um filho da puta orgulhoso. E ontem tava chovendo pra caralho. Não passava nenhuma porra de táxi. Andei três quadras e nada. Fiquei na esquina com o violão na cabeça tipo uns dez minutos até aparecer um abençoado táxi graças ao Bom Deus pra quem o Paulão paga umas de vez em quando. Cheguei no Parlapatões e encontrei a Paulinha com o Marcelo Paiva. Ainda tinha meia garrafa de vinho que eu matei. E ela ficava ligando. Ela tinha batido o carro. Eu perguntava: "Onde cê tá?" Ela respondia com aquela voz malemolente que as gurias ficam quando tão muito bêbadas: "Eu não ssseeei". "Porra, então levanta daí e pergunta pra alguem na rua. Eu pego um táxi e vou aí te buscar, mas você tem que me dizer onde é que você tá." Mas ela ficava naquele mantra insuportável : "Eu nãããõ sssseeeiii" Depois de muito tempo e várias ligações, a janela do carro aberta, ameaça de assalto e o escambau, ela descobriu que tava na Rua Vergueiro e que era perto da casa dela. Conseguiu chegar em casa e me ligou de lá dizendo que tava tudo bem. Eu fiz ela prometer que ia me ligar. Porque eu sou o cara que desarma bombas, tá ligado? Sempre fui o sujeito que entra no meio do conflito e vai lá e desarma a porra da bomba. Eu não sou o cara que fica escondido atrás do tanque chorando porque a vida tá uma merda, porque o meu amigo me traiu e a minha mulher não me quer mais. Eu escrevo sobre isso, faço um blues, vou lá e desarmo a bomba. E depois vou contar piadas e rir com os amigos que me sobraram. E por isso a minha dor é menor que a dos outros? Se liga. A diferença é que eu não vou escrever novela pra televisão. A noite é assim. Ela nos proporciona, nos espanca e nos tira tudo o que temos. A noite não perdoa. Ando pra dentro dela. Meu violão nas costas. Todos os bons bares estão fechados. Venho pra casa. Tá um calor filho da puta. Meus amigos foram pra um bar da Rua Augusta. O tipo de bar que evito. Há alguns bares que evito. Bar pra mim é uma espécie de lar. Eu tenho que me sentir bem, senão vou querer ir embora, vou querer evitar, vou querer ir pra qualquer outro lugar. Fiquei andando pela kitchenete matando o que sobrou da garrafa de Bourbon. Vou abrir a outra amanhã. Tá um calor du caralho. Fiquei ouvindo o pianinho maluco de Henry Butler enquanto dava conta da garrafa de Bourbon. Ontem conversava sobre boas e más garotas. No fundo são todas boas garotas. Dessas que ligam pra gente de madrugada, largadas dentro de um carro, tão bêbadas que não sabem onde estão. As que ficam perdidas esperando uma ligação qualquer de um bêbado na madrugada e as que insistem contigo que são suaves apesar de você sentir de imediato o perfume entorpecedor da encrenca. Porque eu vou te dizer, meu camarada, tem gente que é viciada em drogas, outras em bebida, outras em jogos. E tem aqueles que são viciados em encrenca. Ainda bem que todos estão bem nas suas casas graças ao Bom Deus pra quem o Paulão paga uns tragos de vez em quando. Quanto a mim? Acabei aquela garrafa de bourbon e capotei. A última música que ouvi foi a do ventilador.



Escrito por Mário Bortolotto às 12h59
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A NOITE É QUE NOS PROPORCIONA

Foto de Fábio Reoli

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Uma garota me perguntou:

"Qual livro seu você me recomenda?"

Respondi:

"Nenhum. Eu te recomendo qualquer um do Dostoiévski"

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Pereio tava conversando com a gente e soltou essa:

"Disse pra ela então : Já fui rejeitado por mulheres muito piores que você"

E o Marcelo Paiva perguntou:

"Pereio, porque as mulheres nos rejeitam?"

Ele respondeu:

"Só posso responder por mim. No meu caso, é sempre por um motivo justo. E ainda bem que elas me rejeitam, senão como é que eu ia explicar na delegacia?"

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E hoje li no Blog do Bruno Bandido uma frase do filme "O último Boy Scout" (que é um dos meus clássicos). O filme tem grandes tiradas. É um grande roteiro com ótimos díalogos. Bruce Willis interpreta o personagem principal, um detetive de quinta categoria, loser total. Ele chega em casa, depois de uma noite em que perdeu todas no jogo e flagra o melhor amigo que tinha acabado de comer sua mulher. Ele pergunta pra mulher porque afinal ela o traiu. Ela diz que tava se sentindo sozinha, que ele sempre tá ausente e que ela precisa de carinho, enfim...todos nós tamos cansados de saber todas as justificativas delas. Ele então diz pra ela: "Você devia ter comprado um cachorro". O amigo morre numa explosão mais tarde e ele confessa: "Eu gostava daquele cara que comia a minha mulher". Aí o outro cara pergunta pra ele: "Você tem uma filha, né? Ela gosta de você?". Ele responde: "Não. Ela gosta do Prince".

E essa semana fui "acusado" de ser um cara romântico. Na verdade, não me incomodei com a "acusação". Só achei que não era segredo pra ninguém. Ela perguntou: "Posso te falar uma coisa?" Eu disse: "Claro, fala o que você quiser". Ela então disse: "Você é um cara romantico". Caramba, é claro que eu sou. Será que algum dia passei outra impressão? Sou um romantico meio atravessado, esquisito, mas é claro que eu sou. Se não fosse, não escrevia esse monte de poemas arrasados e esses textos deploravelmente angustiados que escrevo. E não fazia tanta merda e não metia os pés pelas mãos como sempre faço. E não me ferrava tanto. Posso até lamentar, mas sou.

E é por isso que gosto muito dessa frase do filme que o Bruno transcreveu:

queria que o céu não fosse azul, que a água não fosse molhada e que eu não amasse a minha mulher”.

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Agora vou lá pra Coletivo Galeria (Rua dos Pinheiros, 493) pra nossa primeira jam com churrasco. Vou lá tocar algumas baladas românticas.



Escrito por Mário Bortolotto às 16h47
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NOSSA PRIMEIRA JAM COM CHURRASCO

E hoje (Domingo)  vamos inaugurar a nossa Jam com Churrasco lá na Coletivo Galeria. É mais ou menos o que a gente fazia nas quintasfeiras por lá. Basa, Flavinho Vajman e eu ligamos os instrumentos e tocamos algumas de nossas músicas (rocks, blues e baladas auto-irônicas) e algumas de outros caras que a gente admira. E a rapaziada fica bebendo e participando. Às vezes largamos os instrumentos nas mãos de alguns amigos e ficamos na platéia bebendo e se divertindo. Aí o Brum chega e manda ver um puta blues. De vez em quando o Watanabe também baixa por lá pra botar "mais lenha nesse inferno" como diria o grande Itamar Assunção. Ou a Luciana Vitaliano. Ou a Fernanda, que disse que vai amanhã. Ou o Rubens K, enfim, gente pra caralho. É um clima de jam mesmo. Uma jam entre amigos, mas que não é fechada pra ninguém. Só os chatos são proibidos de participar. E o diferencial dessas jams de Domingo é que vai ter churrasco e vai ser tipo fim de tarde (vamos começar tipo 16h30) e se estender pela noite. O que você tem pra fazer em casa nos domingos à tarde? Assistir Faustão??? Caramba!!!

ah, e a bagaça é grátis. Tu só paga o que consumir de "churrasco" e bebida.



Escrito por Mário Bortolotto às 08h20
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