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HOJE NO SESC CONSOLAÇÃO Vou participar do projeto "Que viva Leminski" lendo alguns poemas do Cara. Estarei muito bem acompanhado do meu amigo Ademir Assunção, da grande Alice Ruiz e da linda e talentosa Aurea Leminski (é muito foda o privilégio de ver mãe e filha lendo os poemas do marido e pai respectivamente). Começa às 20h no Espaço Beta. O Sesc Consolação fica na Rua Dr. Vila Nova, 245. 
Escrito por Mário Bortolotto às 09h02
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HOJE TEM "BRUTAL" 
E o meu amigo Márcio Américo escreveu sobre a peça em seu blog: BRUTAL , O OVO DA SERPENTE
Tudo pode ter começado como uma brincadeira. Fim de churrasco. Amigos bêbados. Alguém começa a brincar com o litro de querosene, talvez apenas respingue gotículas no amigo chato, os outros gostam da brincadeira, e atiram mais algumas gotas, então, de repente, cria-se um pequeno método: se rir vai levar querosene. Logo haverá um deles encharcado. Brasas na churrasqueira. Alguém manuseará um ameaçador isqueiro. Já sente-se cheiro de carne humana queimada. A intolerância me parece seguir este mesmo trajeto. Tudo começa como uma brincadeira, como uma coisa que parece legal, que alivia a tensão. O espetáculo Brutal do meu amigo Mário Bortolotto narra com perícia esta trajetória. Um sujeito com grana e sem nenhum ideal na vida encabeça uma sub-seita, arrebanha pessoas, cria normas de convívio, de (a)moralidade, até que a intolerância, feito querosene, começa a espalhar-se por ali, o incêndio vem, e vem de uma forma brutal. O espetáculo é construído de forma a não desviar teu foco do que está acontecendo. Há uma música, um troço que parece te pegar pelo colarinho e te dizer: Escuta Zé! Tudo é mínimo pra maximizar a informação. Não há blags, o riso é do tipo sardônico. Quanto ao time de atores... bem.... não vou cair na ratoeira inventada por algum critico de teatro que procura “destacar” o trabalho de tal ator. O que se vê em cena é um grupo coeso, cada ator trazendo muito de si, dando tudo, exaustos ao final da apresentação. Teatro é coletivo. Brutal mostra como tudo pode começar como uma boa idéia pra salvar a humanidade, uma coisa simples, algo como: ama teu próximo como a ti mesmo. A frase é sinérgica. Atrai pessoas. Mas logo os cabeças começam a notar insatisfação, seus membros simplesmente não conseguem “amar ao próximo como a eles mesmos”, eles então dão o próximo passo, criar regras a fim de que, se não podemos amar ao próximo como a nós mesmos, poderemos pelo menos saber a quem odiar. Faz-se então uma lista de pessoas a serem odiadas: aqueles que comem carne em determinados dias, as que abortam, aqueles que não cortam a pele em volta do pau, os que aceitam transfusão de sangue, os que dão a bunda, que chupam pau, que cometem adultério. Pronto. Eu não consigo amar ao próximo, mas isto já é coisa do passado, o que importa agora é exterminar com aqueles que não aceitaram o código. O código é o fogo. Mas o código é frouxo também. Assassinar com uma arma é perdoável, mas assassinar um embrião sem nome nem CPF é passível de fogueira. Botar o pau na boca de uma criança de 10 anos, ejacular em sua cara, é uma coisa muito feia, mas sair por ai dando a bunda pra qualquer um de forma se possa te rotular de “gay”, aí o bicho pega: Fogueira. Se você se envolve numa pesquisa para a fabricação de novos armamentos para exterminar a raça humana, tá tudo certo, mas se vocês fizer pesquisa com células tronco para salvar a humanidade: a fogueira te espera. Mas o código pode ir além, e o código nem precisa apresentar a lei por escrito, ela é apenas sussurada de um ouvido ao outro: negros, asiáticos, russos precisam morrer. Assim funciona a intolerância. A intolerância nossa de cada dia. Se você ainda acha que é possível ser inocente, talvez você não veja, mas tenha nas mãos um fósforo aceso. Brutal pode ser um sopro na direção da chama. (Márcio Américo) _____________________________________________________________ Com essa temperatura devastadora, achei que a noite de ontem ia ser hardcore. Sempre acho que no clima quente acontecem grandes cagadas. Até escrevi isso no texto "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifacio". Mas foi das mais tranquilas, apesar de todo o alcool consumido. Jantei com a Fernanda e a gente aproveitou pra conversar sobre nossas vidas de uma maneira tranquila e serena como temos conseguido de vez em quando nesses últimos 20 anos que a gente já se conhece. É sempre muito bom quando conseguimos. Depois o Eldo e a Dani chegaram e foi tranquilo também. Depois fui lá pro Aurora fazer o show com a "Saco de Ratos". Bebi devagar e fizemos um dos nossos shows mais tranquilos e corretos musicalmente. Determinada hora falei pro Brum: "Vamos tocar Homem de Bar". ("Você quis me dar uma vida boa / mas eu sou daqueles tipos a toa / eu sou assim / como uma erva ruim"). Grande música do Renato Fernandes. A gente nunca tocou essa música com a banda. Mas aí um olhou pro outro e falou: "vamos lá, vamos fazer uma versão mais rock". E foi di prima. A gente até repetiu a música no final de tanto que a gente gostou do resultado. Depois fui jogar bilhar no Biro´s. Fiz uma dupla com o Basa e a gente não perdeu nenhuma. Nem o Massao conseguiu nos tirar da mesa. E aí os copos de whisky foram se materializando na minha mão de novo. Já era de manhã quando o Brum e eu entramos na "Amistosas" depois de um café da Manhã no "Estrela da Roosevelt". Apenas dois amigos conversando tranquilos e andando pela rua, com whisky em copos descartáveis. Vim pra casa tranquilo. Tinha um recado de uma amiga no meu e-mail. Respondi: "Te escrevo depois. Tô muito bêbado agora". Coloquei a música "Pensando em você" do Paulinho Moska ("Eu estou pensando em você / pensando em nunca mais / pensar em te esquecer"). Bonita música. Liguei o ventilador e fui dormir. Às vezes faço dessas coisas.
Escrito por Mário Bortolotto às 13h57
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HOJE TEM "SACO DE RATOS" 
Hoje a gente volta com os shows da banda. Agora vai ser de quinta-feira. No Café Aurora. Mesma coisa de sempre. R$ 5 a entrada e cerveja em lata à R$ 3. 
O Café Aurora fica na Rua 13 de Maio, 112 (Bela Vista). O show começa tipo 23h30. 
Fotos de Luiz Filipe Ogro Acabei de chegar do Rio de Janeiro. Não dormi porra nenhuma. Paulinha e eu ficamos bebendo até o sol nascer no Leblon. Como ninguém queria vender cerveja pra gente, ela subia no quarto do hotel, pegava cervejas e voltava. E a gente ficava bebendo olhando o sol nascer. Todas aquelas pessoas passando fazendo jogging e a gente enchendo a cara. E o mais engraçado é que ela ficava perguntando pra todo mundo se alguém tinha isqueiro. Foi muito engraçado ver a reação das pessoas. O profundo desprezo que elas tinham por nós e pelo pedido da Paulinha. Preciso dormir agora, numas de ficar razoável pro show de hoje à noite.
Escrito por Mário Bortolotto às 12h29
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ELVIS É ASSIM Esse é o nome do filme que emocionava a minha mãe. Sempre que eu tava assistindo na sessão da tarde, ela sentava na poltrona e em determinado momento do filme, mais precisamente quando Elvis cantava "Bridge Over Troubled Water", eu olhava pra ela e a flagrava com as lágrimas correndo pelo rosto. Ela não entendia o que o Elvis tava cantando, mas ela entendia o sentimento dele. Meu pai era um cara abrutalhado que se metia em brigas terríveis nos bares e toda a família dele era assim. Meu tio arrancou a orelha de um cara numa briga de bar. Então algum idiota podia imaginar que o meu pai era só isso. Mas eu sempre o entendi. Eu sei que ele foi obrigado a trabalhar dirigindo um caminhão antes de atingir a maioridade e que o caminhão que ele tava dirigindo caiu numa ribanceira e que o meu avô cobriu ele de porrada e fez com que ele trabalhasse exaustivamente até pagar o prejuízo. Eu sei do olhar perdido dele sentado lá fora com um copo de cerveja na mão e fumando um cigarro, triste pra caralho. Eu sei que minha filha escreve pra mim os e-mails mais emocionantes que eu tenho recebido nos últimos anos. Eu sei de tudo. Eu sei que os copos de whisky se materializam nas minhas mãos de uns tempos pra cá. E sei que fico louco, bêbado e carente de madrugada. E sei que ligo pra mulheres de madrugada esperando alguma espécie de afeto. E sei que me arrependo no dia seguinte. E sei que mesmo assim acho poético ficar completamente bêbado e ligar de madrugada. Isso prova que ainda tô vivo e me emocionando com verdade. Não me interessa o caminho do meio e da racionalidade. Só me interessa esse pulsar descompassado, essa embriaguez emocionada. Um amigo me deu de presente o último filme do Almodovar. Não consegui entender. Almodovar não me interessa. Até acho que ele é um bom cineasta. Não sou Caetano Veloso. Eu gosto é de Woody Allen, mas não vou dizer que o Almodovar é um cineasta menor, até porque não acho que ele é. Mas Almodovar não me interessa. Eu sou o caipira de Londrina que se emocionou assistindo o último Rock do Stalone. Eu não quero ser levado a sério pelos sujeitos bem inteirados. Eu não fui ver Lars Von Trier. Sinceramente não me interessa. Eu prefiro ficar em casa e ler pela enésima vez "Lily e o Caçador" do Ken Parker. Acho que as pessoas tem uma visão errada a meu respeito como tiveram do meu pai e da minha mãe e que ainda podem ter a respeito da minha filha ou da minha irmã ou a respeito do meu irmão cujo apelido era "taciturno". Nós somos assim. Um cara queria vir em casa e me mostrar algumas músicas. Disse pra ele: "Pelo amor de Deus, não faz isso não, gosto de ficar em casa sozinho. Depois você me mostra as músicas na rua". Eu sou o cara que gosta de ficar sozinho em casa à tarde, assistindo algum filme antigo ou lendo um livro e sou o mesmo cara que tem saudades dos amigos e que quando chega a noite, tem que sair e implorar por algum tipo de confusão. Vou continuar bebendo muito, e ligando de madrugada e me arrependendo depois (por ter sido muito chato) e na sequencia vou achar bonito ter tido a manha de ligar, de ficar sozinho no meio da noite esperando alguma resposta que não vai vir. Eu sou apenas o cara que se emocionou muito quando era garoto assistindo um velho filme com Dennis Quaid em que ele interpretava um cantor country que se metia em lutas de boxe. Lembro particularmente de uma cena em que sua esposa está brigando com ele. Em determinado momento ele explode e diz pra ela: "Eu te dei tudo o que podia e você pode pedir o que você quiser, mas não me peça pra perder minha sensibilidade". Eu sou o cara que não consegue parar de escrever. Tenho que entrar numa lan house e escrever algo, nem que seja apenas esse texto desconexo. Eu sou o cara que vai entrar num avião agora pro Rio de Janeiro. Vou ouvindo Lynyrd Skynyrd. Espero que isso não seja presságio de nada, se é que me entendem.
Escrito por Mário Bortolotto às 14h00
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HOJE NO RIO DE JANEIRO 
Acordei bêbado e tô indo pra lá. Noites estranhas!
Escrito por Mário Bortolotto às 12h13
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FIM DAS SATYRIANAS Bebedeira colossal. Cassiano apareceu com uma garrafa de Grand Old Parr. Daí pros Reds e Jacks dos Parlapatões e pros Blacks do Biro´s foi só um aceno. Antes quando ainda tava sóbrio fui assistir a estréia do filme "Cabeça a Prêmio", primeiro filme do Marco Ricca baseado no livro (o melhor dele, na minha opínião) homônimo do Marçal Aquino. O filme ficou bacana e o elenco tá muito bem. É claro que tem a merda da gente sempre gostar mais do livro, mas é um ótimo filme. O Marco consegue passar pro filme aquela tristeza seca dos livros do Marçal. Há particularmente um momento muito inspirado com Brito (Eduardo Moscovis) esperando sua namorada sair do trabalho (eles tinham se desentendido). Ele vai alternando essa cena com outras de outros personagens. Ela entra no táxi e ele vai embora sozinho andando pela rua deserta. Du caralho. E o final com Fulvio Stefanini na geladeira é di fudê. Parabéns, Marcão. Encontrei a Renata no elevador e a gente acabou assistindo o filme juntos. Engraçado porque há muito tempo não ia ao cinema com alguma mulher (mesmo sendo apenas uma amiga). Algo que eu sempre fiz com frequência. Lembro que a Rosi e eu quando éramos namorados costumavamos assistir o mesmo filme várias vezes no cinema. Lembro do dia que levei a Ana no cinema pra assitir "Fuga à Meia-Noite" e ela dormiu no meu ombro (narro essa história no livro "Bagana na chuva"). Acho que a última vez que fui ao cinema acompanhado foi no ano passado no Rio de Janeiro com a Martinha e a Ana Paula pra assistir o "Vick Cristina Barcelona". Gosto de assistir filme com uma mulher bacana do lado ou então com alguns amigos bêbados dividindo a garrafa como na ocasião que assistimos o "Factotum" na Mostra de Cinema. Acho que a nossa turma ocupou pelo menos duas fileiras do cinema. Ontem tinha três pessoas na nossa frente com problemas de coluna, sei lá que porra que era aquilo, só sei que elas ficavam se curvando pra frente o tempo inteiro, não conseguiam ficar encostados na poltrona e o mais absurdo é que os três faziam da mesma forma como se tivessem ensaiado. E aí eu também não conseguia ver o filme encostado com aquelas cabeças na minha frente. Cada dia que passa gosto mais (infelizmente) de assistir filmes em casa. Quando tiver grana pra comprar uma tv fodona de plasma, não vou nunca mais ao cinema (infelizmente). Quando a gente tava descendo a Rua Augusta, encontrei o Roberto Alvim e a Juliana Galdino em frente o teatro deles (o Club Noir). Era aniversário da Juliana. Bebi uma cerveja com eles e desci pra praça pra encontrar os amigos. Daí foi o inferno. Dormi totalmente bêbado e acordei sem nenhuma ressaca. Isso tá acontecendo direto comigo, não importa a quantidade industrial que eu beba. Só quando bebo cachaça é que acordo mal. Mas com whisky, sempre acordo zero Km, ou pelo menos quero imaginar que estou, sei lá. Agora é a volta pra vida. Amanhã vou pro Rio de Janeiro apresentar a peça "A Noite mais fria do ano". Excepcionalmente nessa semana não vai ter a peça na terça-feira. Na quinta tem "Saco de Ratos" no Café Aurora e no próximo domingo acontece a primeira jam com churrasco na Coletivo Galeria. Vai ser divertido. Espero estar vivo até lá. E coisas realmente bizarras acontecem nos shows da "Saco de Ratos". Isso aconteceu no show das Satyrianas.
Escrito por Mário Bortolotto às 14h46
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Caramba!! Tô `bêbado pra caralho. Bom dia pra vocês.
Escrito por Mário Bortolotto às 05h35
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TOTALMENTE LARGADO Acabou. Não tenho mais que trabalhar. Hoje e amanhã tô largado. Só tenho apresentação da peça no Rio na quarta-feira (excepcionalmente não vai ter nessa terça). Vou aproveitar pra acabar de ler o Carver o Kerouac. Terminar meu livro de poemas pra mandar pra Chris. Acabar de ver o filme com o Val Kilmer e a Sharon Stone. Quando esses atores meio ícones de beleza (mas talentosos) se tornam mais velhos, ficam invocados atuando. É legal ver o Val Kilmer e a Sharon Stone já avançados na idade contracenando. Forte pra caralho. É o filme "Ruas de Sangue" e se passa em New Orleans depois do furação Katrina. Pau na mesa. Tive que interromper o filme ontem pra tomar banho e subir pra praça numas de conceder uma entrevista pra uma rapaziada que tá fazendo alguma matéria sobre lei Rouanet. Insisti com eles que não entendia nada de leis de incentivo, mas eles em contra partida insistiram pra eu dar um depoimento. Então ok. Encontrei o Márcio Américo e a Naty Rodrigues e ficamos conversando um pouco. Depois a gente caiu lá pro Espaço Rio Verde. Joguei algumas partidas de bilhar com a Kiki e depois fizemos um pocket show no Coreto. Foi divertido. Depois resolvi ganhar todas na pior mesa de bilhar do planeta. A Kiki prometeu que vai reformar a mesa. Não vai adiantar se a rapaziada continuar sentando em cima, largando copos de cerveja e o escambau. Fiz dupla com uma garota que era amiga da Bruna Caçapinha (foi assim que eu apelidei a garota e pra azar dela, o apelido já pegou). Depois participei dos shows das minhas amigas Heleninha Cerello e Paulinha Cohen . Reboquei o Basa e o Flavinho junto comigo. Foram dois belos shows. As garotas cantaram muito bem, sabendo explorar os recursos de voz de cada uma, brincando com as possibilidades do microfone. A Heleninha cantou uma música em francês e uma Billie Holliday di fudê e a Paulinha esmerilhou em castelhano e fechou bonito numa versão de "Amapola" (que ela não sabia que o Roberto Carlos tinha gravado) em dueto com o Gero Camilo. Depois, o de sempre. Vim com o Marcelo Paiva pra praça e encontrei meio mundo. Whisky e um pouco de sono, teve uma hora que sentei sozinho na escadaria e fiquei ouvindo meu MP3 e bebendo whisky num copo descartável. Foi um momento bacana da minha noite. Ontem um amigo brigou feio com a namorada. Parece que uma amiga dela se meteu no lance e a coisa ficou feia. Sempre acontece de amigas se meterem, né? É engraçado isso. Com a gente não é assim. Uma regra básica pra nós é respeitar as histórias de nossos amigos com suas namoradas mesmo que a mina seja uma puta chata e na verdade a gente acredite que o nosso amigo mereça coisa melhor. Mas enfim, a regra é "cada um sabe de si nesse departamento". Algumas mulheres são especiais pra cada um de nós e ponto. Não dá pra explicar porque tem aquela mulher que quando entra no bar, parece que o resto do mundo ficou em "pause". Mas é assim. Para outros talvez não signifique nada, mas cada um de nós sente de um jeito diferente. Tem mulher linda que você transa uma vez e depois não tem mais a menor vontade de encontrar com ela. E tem aquelas que ficam anos com você. E ela nem precisa ser tão linda quanto aquela outra que você tá evitando. Mas só de ver a gente já fica de pau duro. É simples assim. Não dá pra explicar. O meu amigo tava bem chateado. Parece que eles já passaram por várias e agora eles tavam tentando se acertar depois de um tempo separados. Tem o lance da garota não gostar muito do estilo de vida dele (a merda de sempre). A gente não dá conselho um pro outro. O que a gente faz é ouvir o outro e falar um pouco da nossa experiência. O resto quem decide é ele. Só consegui murmurar: "amiga filha da puta". O Bruno Bandido escreveu um troço bacana no blog dele hoje sobre um desentendimento com uma garota. Saquem só: Teve uma hora em que a garota entrou pra ir ao banheiro e o Rodrigo foi atrás e ficou só eu e a Lu ali e a gente não tava muito bem um com o outro e os dois tavam torcendo pra não acontecer isso de ficar os dois sozinhos sem ninguém na volta. Eu fiquei olhando pras estrelas e abrindo outra garrafa com um velho canivete vermelho que meu pai ganhou há uns dez anos atrás quando comprou uma garrafa de Johnny Walker, o velho Johnny tá desenhado no canivete com sua bengala e sua cartola, keep walking. Aí pelo que ela falou, ela esperava que eu pedisse desculpas, o que eu podia fazer sem problema nenhum, o problema é que não iam ser tão sinceras porque eu seguiria fazendo todo aquele tipo de coisas que ela não gosta. É complicado de explicar, mas é simples, o que acontece é que as desculpas até são de verdade, o foda é que eu vou ter que seguir me desculpando sempre e uma hora ela não vai mais agüentar. “Eu já sabia que isso ia acontecer afinal, não sei nem por que é que eu tô me esquentando”, ela falou, e tinha algo de tristeza ou lamento nessa frase dela, daí se sentou no meu lado, botou um braço por cima dos meus ombros e com o outro pegou a garrafa e ficou bebendo e olhando as estrelas enquanto eu abria e fechava a faquinha do canivete. Espero que o meu amigo esteja bem hoje e que as coisas tenham se resolvido. Todos nós precisamos de um pouco de paz. Gosto de ver meus amigos felizes com suas garotas. Sei que não é fácil, mas é bacana. Há algo de poético nisso. Assim como eu consigo ver poesia num sujeito sentado sozinho na escadaria bebendo whisky num copo descartável e ouvindo um blues no seu MP3.
Hoje vou passar no Líbano pra ver o nosso DVD com o show da "Saco de Ratos". Porra, o Carver é foda. Dá vontade de não terminar o livro nunca. Não tenho nada especial pra fazer hoje. Não acredito que venha a ser um dia bom, mas se for suave, já tá valendo pra caralho.
Escrito por Mário Bortolotto às 14h39
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NO DIA DE FINADOS, UM COMPROMISSO COM A VIDA 
O Bebum com Fábio Brum - No show da "Saco de Ratos" de ontem - Foto de Maíra Soares "Não pode ver que no meu mundo / um troço qualquer morreu / um corte lento e profundo / entre você e eu". Esses versos do Cazuza me parecem meio emblemáticos para o dia de hoje, sem contar que amanhã é Finados, porra. Ontem foi um dia cheio. Lembro que quando cheguei no Parlapatões lá pelas 2 e meia da manhã, encostei na porta com um copo de whisky (gentileza do meu amigo Cassiano) e simplesmente não consegui sair de lá. Fiquei conversando com os amigos sentindo um negócio esquisito, uma espécie de angústia, mas com serenidade. Isso é possível, posso garantir. Depois fui assistir a peça do Trovão e é claro, amanheci no Biro´s teimosamente encostado no balcão, bebendo a última dose e rezando pra criar coragem, levantar dali e ir embora. E foi o que fiz, depois que Deus me escutou e chutou minha carcaça bêbada de lá. E fui embora assim, descendo sozinho a Martinho Prado, triste pra caralho, não nego, com aquela angústia tão familiar, mas com uma serenidade indefinivel que realmente não há como traduzir. Eu não consigo pensar num motivo pra nenhuma espécie de comemoração, e realmente não há. Mas essa sensação quase tranquila de não pertencer, de não ser particularmente especial pra ninguém... e se isso não te estabelece uma condição de namoro sério com sua própria vida, então eu acho que nada mais consegue. Nesse dia de finados, devo dizer que estou comprometido comigo mesmo, que algo morreu, que estou quase sereno, quase lúdico, quase impossível, quase um velho disco de vinil enroscando em alguns riscos na faixa, às vezes repetindo o mesmo verso, mas ainda assim tentando chegar ao final, pra gente poder virar essa bagaça e ver logo o que é que existe no Lado B da vida. ONTEM NA SATYRIANAS Fui o curador da tenda "Residências". Foi muito tranquilo. Tudo correu bem. Todos se apresentaram muito bem. Sempre dentro do horário. Acho que todo mundo se divertiu. Foi cansativo pra mim, mas quando encostei lá na porta dos Parlapatões com o meu whisky num copo descartável, foi tipo "missão cumprida". Valeu, rapaziada. Algumas fotos dos eventos: 
Sad Christmas - Alex Gruli e Nelsinho Peres - Foto de Fábio Pagotto 
Cabeça em seu standup tragedy - Foto de Fábio Pagotto 
Carcarah em standup tragedy - Foto de Fábio Pagotto 
Niltinho Bicudo em seu standup tragedy - Foto de Fábio Pagotto 

Rourke Song - o Bebum com Marcelo Paiva - Foto de Maíra Soares 
No show da "Saco de Ratos" ontem - foto de Maíra Soares 
O bebum com Fábio Pagotto no show da "Saco de Ratos" ontem Foto de Maíra Soares E HOJE NAS SATYRIANAS Vou participar do negócio que o Ruy Filho batizou como "Satyrianas Lado B". É bacana. Acontece lá no "Espaço Rio Verde" (Rua Belmiro Braga, 119). Ele reuniu uma pá de figuras pra cantar (alguns estão cantando pela primeira vez). Vou abrir a noite de hoje às 20h cantando algumas músicas acompanhado dos meus amigos Basa (guitarra) e Flavinho Vajman (gaita). Depois a noite segue com 20h45 - Ivam Cabral 21h30 - Marisa Orth 22h15 - Celso Sim 23h00 - Paula Cohen / Helena Cerello Vou participar cantando minha música "Gilete" com a Paulinha e depois vou fazer um dueto com a Heleninha Cerello em "Abre essas pernas" das "Velhas Virgens". 23h45 - Gero Camilo 00h30 - Rubi / Tata Fernandes 01h15 - Gustavo Machado / Tatiana Thomé ___________________________________________________________ E às 4 da madruga no Satyros 1 tem a estréia de "A Lua é minha", o meu texto com direção do Luís Eduardo Frin. Se estiver em condições, vou lá ver.
Escrito por Mário Bortolotto às 15h08
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