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Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


HOJE NAS SATYRIANAS

Pra quem não sabe, as Satyrianas é um evento maluco que acontece todo ano na Praça Roosevelt. São 4 dias ininterruptos com apresentações de teatro, música, dança, artes plásticas, debates literários e o escambau. Começou nessa sexta-feira e vai até segunda (feriado). E este ano me convidaram pra ser o curador (do sábado) de uma tenda que é a tal da "Residências". Montei uma programação de eventos que eu gostaria de assistir e a partir das 16h vou estar lá cuidando pra que tudo possa acontecer a contento.

A programação da minha tenda (Residências) nesse sábado (a partir das 17h)

31/10 (sábado)
Curadoria: Mario Bortolotto

17h – Banda “Fábrica de Animais” (rock e blues)

Fernanda D’Umbra (vocal) / Sérgio Arara (guitarra) / Flávio Vajman (gaita e rubboard) / Rubens K (baixo) / Cristiano Miranda (bateria)

18:30h – Leitura de poemas com Sérgio Melo (de sua autoria)
19h – Leitura de Poemas com Marcelo Montenegro (de sua autoria)
19:30h – Márcio Américo cometendo seu standup comedy. 
20h – Leitura de poemas com Paula Cohen (de sua autoria)
20:30h – Show com a banda "Saco de Ratos" (rock e blues)

Mário Bortolotto (vocal) / Fábio Brum e Marcelo Watanabe (guitarras) / Fábio Pagotto (baixo) / Rick Vechione (bateria)

22h – “Sad Christmas” (tex. Mario Bortolotto / dir. Otávio Martins com Nelson Peres e Alex Gruli)
22:30h – “Stand up Tragedy” com Carlos Carah
23h – “Stand up Tragedy” com Lulu Pavarin
23:30h – “Stand up Tragedy” com Wagner Cabeça
24h – “Stand up Tragedy” com Nilton Bicudo
00:30h – “O Meu Vira-Lata Só Ouve Be-Bop” (tex. Jarbas Capusso / dir. Marcos Loureiro com Paulo de Tharso e Zeza Mota)
1h – “Rourke Song” (tex. Marcelo Trasel / Dir. Fernanda D´Umbra com Mario Bortolotto e Marcelo Paiva)
1:30h – Grandes Sucessos de Carcarah e Cabeça

 



Escrito por Mário Bortolotto às 06h47
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HOJE

Tem "Brutal"


E saiu crítica no Estadão

O perigo que ameaça as vidas vazias

O autor e diretor Mario Bortolotto alerta, em Brutal, para a violência da alienação

Crítica Jefferson Del Rios

Em Brutal, em cartaz só às sextas, à meia-noite, no Espaço Parlapatões, Mario Bortolotto define sua dramaturgia na frase "pessoas vazias podem ser muito perigosas". Embora faça um teatro existencial, ele, à sua maneira, chega, assim, a temas sociais. Se, de um lado, lança no palco personagens desajustados e com algum viés autodestrutivo, mas basicamente inofensivos, por outro introduz gente que explora psiques indefesas e , em casos extremos, espalha a morte. São os curandeiros de subseitas evangélicas, os executantes de "magias" sangrentas e a ralé neonazista. Eles sempre dão as caras. Um dia, em São Paulo, no espancamento e morte de um homossexual por skinheads; no outro dia, no ritual "satanista" com vítima fatal (recentemente, no sul do País). O fenômeno é mundial, e com as mesmas características: são psicopatas manipulando quem está vazio. Por esse caminho, Mario Bortolotto faz um discurso ideológico relevante dentro de uma trama de impacto.

Quando o texto/espetáculo tem início, os envolvidos em um crime já estão presos e respondem ao interrogatório policial ( voz, em off, de Paulo Cesar Peréio). À medida que se explicam, desvendam carências de afeto, falta de rumo na vida, imensa alienação, enfim. Daí surge o embrutecimento. Cinco mocinhas cooptadas por um "guru" que prega a transcendência pelo sexo promíscuo e o racismo assassino. O que impressiona é a mediocridade delas, seu desconhecimento de regras morais elementares. A desumanidade, o nada de mentes embotadas. A vigilância interna dos integrantes da "seita" é exercida pela amante predileta do líder e um guarda costas selvagem. É tudo bastante pesado.

Como Bortolotto aborda com frequência o submundo, é possível se imaginar outro retrato naturalista da marginalidade. Não é. A peça converge para indagações bem claras, colocadas no texto. O próprio Bortolotto acrescenta pessoalmente aonde quer chegar: "Todo o processo de violência que a peça acaba por desencadear provém do fato de estarmos lidando com personagens de personalidade extremamente frágil. Se existissem pessoas com personalidade própria e com destino, toda violência poderia ter sido evitada. O que eu quero que a plateia pergunte é: Por que essas garotas estão seguindo esse cara? O que ele tem de especial?"

O espetáculo, ainda em horário alternativo, poderá igualmente receber o rótulo simplificador de "alternativo" quando, na verdade, é uma produção cuidadosa bancada por parte do elenco, e que espera pauta em outros teatros. Uma significativa prova do seu alcance se deu na recente Mostra de Artes Cênicas de Ourinhos, quando uma platéia jovem assistiu em absoluto silêncio, seguido de aplauso. Trabalho com poucos recursos, mas sem abrir mão de cuidadoso acabamento, sobretudo da iluminação e trilha sonora, Brutal tem sua força ampliada por um elenco primoroso.

A dupla masculina tem seus extremos na violência. A primeira, dissimulada, é o pregador encarnado por Laerte Mello (em atuação um pouco ausente. pois o perfil do delinquente pressupõe mais sordidez e tensão); e a outra, aberta e abjeta, do capanga criado de forma inquietante por Walter Figueiredo. O universo feminino em desagregação irrompe com exemplar força dramática nas composições de cinco atrizes jovens, bonitas e talentosas: Maria Manoella, Luciana Caruso, Érica Puga, Carolina Manica e Helena Cerello. Da psicopatologia direta à rebeldia confusa ou reações de pânico, a coesão delas é um dos méritos da direção de Bortolotto, não por encenar sua obra, mas por saber afinar cada intervenção.

O espetáculo é todo feito de pausas, olhares eloquentes e a calculada semi-obscuridade que traduz um lado sombrio de seres banais e assustadores. Anarquista de certa forma, insolente e corajoso, o dramaturgo surpreende uma vez mais pelo olhar atento e a capacidade de captar rápido onde a vida está feia e sangrando. Se Brecht escreveu que "é infeliz o povo que precisa de heróis" (frase sonora, mas discutível), é certo há perigo quando proliferam messias, exorcistas, milícias e justiceiros. Alguma coisa sem controle que o espetáculo estampa. Algo brutal que o artista quer mudar.


Serviço
Brutal. 90 min. 18 anos. Parlapatões (98 lug.). Pça Roosevelt, 158, 3258-4449. Sextas, sempre às 23h59. R$ 30. Até 20/11

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Escrito por Mário Bortolotto às 11h36
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COCKSUCKER BLUES E A VOLTA DA SACO DE RATOS

Robert Frank sempre foi um dos meus fotógrafos preferidos. Depois que folheei o excelente "The Americans" coloquei o suiço no meu top ten. O cara é foda. Além de fotógrafo, Robert também fez muita coisa bacana em cinema. Ele é o cara que fez o excelente beat-movie "Pull my Daisy" com narração de Jack Kerouac (aliás, Robert foi o fotógrafo beat por excelência). Também trabalhou com Tom Waits em "Candy Mountain". E Robert Frank foi o cara que dirigiu o documentário "Cocksucker Blues" que não é exatamente um documentário. Parece mais um avô do reality show. Ele simplesmente acompanha uma turnê dos Rolling Stones na época do lançamento do clássico "Exile on main Street" (1.972). Esse filme ficou censurado um tempão. Agora já tá disponível. É du caralho. Câmera solta, PB, flanando pelos quartos de hotel, avião, paradas de beira de estrada e captando momentos de show, camarim, meteção e chapação. Participações-apariçoes de Stevie Wonder, Andy Warhol, Truman Capote e Tina Turner. Tudo o que você pode esperar de uma banda de rock and roll. Ou de um grupo de teatro nos anos 80 quando éramos um bando de jovens desgovernados. Fiquei pensando que no fundo é tudo a mesma coisa. Só depende de quem são os protagonistas da bagaça. No caso são os Rolling Stones, então tá tudo certo.

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Me perguntam se com esses meus textos tenho alguma intenção de fazer apologia de consumo de álcool. Porra nenhuma. Eu só faço apologia de não caretice. A gente vive numa porra de mundo careta demais e sinceramente tenho ficado de saco cheio disso. Ninguém precisa encher a cara pra ser um cara legal. Há muitos caras legais que conheço que só bebem Fanta Uva. Aliás, Fanta Uva é muito legal. Eu gosto de beber, só isso. Se gostasse de usar drogas , também ia dizer. Todo mundo sabe que alcool faz muito mal pra saúde. Pode matar. Meu pai, por exemplo morreu de atrofia cerebral de tanto beber, porra. Mas o que ninguém diz é que caretice também mata. Você nem percebe, mas tá morrendo. Subserviência e caretice deixam suas bolas do tamanho de bolinhas de gude, maluco. E eu não nego que identifico muito mais dignidade num bêbado de rua que em qualquer desses merdas brandindo talheres milionários em jantares familiares. Dia desses um bebum colou em mim e mandou: "Aí, Irmão, descola uma grana pra mim. É pra cachaça mesmo". Até brinquei com ele parodiando a Regina Casé no extinto Tv Pirata: "Porra nenhuma, Maluco. Você pensa que me engana? Tu tá é a fim de encher a cara de pão". Ele riu. Passei a grana pra ele que foi beber sua cachaça, feliz da vida. Enquanto isso, alguns pulhas se reunem em frente a uma lareira depois do jantar e contabilizam quanto ganharam com o último golpe que deram e que vai reverberar justamente no bebum que tá desempregado e que me pediu dinheiro pra uma cachaça. E enquanto isso suas mulheres estão na sala de estar contabilizando o numero de caralhos que engoliram no último mês. Que se fodam.

Foto de Fábio Pagotto - Só um jeito sincero de levar a vida

Então fico assistindo "Cocksucker Blues" ou perdendo totalmente a vontade de beber quando um garçon fica a todo momento perguntando se eu quero mais um. Que merda. Esse filho da puta trabalhou em churrascaria rodízio e agora tá servindo White Horse num bar do Leblon? Volto mais cedo pro hotel. Eu e Paulinha Cohen, mais uma vez andando pela calçada da praia. Noites como essa mereciam um grau etílico mais satisfatório.

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Foto de Carlos Bozzeli

E hoje a banda "Saco de Ratos" volta a tocar. Excepcionalmente nesta quinta-feira, vai ser um show duplo. Às 23h30 toca a banda "Made in Brazil". Nós devemos começar lá pela 1h30. E excepcionalmente (já que trata-se de um show duplo), o ingresso vai custar R$ 10. No Café Aurora (Rua 13 de Maio, 112).



Escrito por Mário Bortolotto às 13h34
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ME DEIXE NA PRÓXIMA ESTAÇÃO. SÓ VOU COMER UM CHEESE SALADA. O PRÓXIMO TREM VAI ME ENCONTRAR ABASTECIDO. E EU VOU CONTINUAR.

Pô, acho que tem uns sete travesseiros nessa cama do Hotel Marina. Me escondo no meio deles e fico esparramado nessa cama enorme. Nunca vi uma cama tão grande. Dava pra fazer uma orgia romana nela. Fico mudando de canal quando acordo. Tá passando uma entrevista da Angela Ro Ro na GNT. É uma entrevista pra Marilia Gabriela. Puta entrevista de pau mole. A Angela foi grande. Não me incomodo com o fato de ela ter parado de enlouquecer, de ser a nossa "Tim Maia" de saias (ou quase). Cada um sabe onde o fígado dói. O que me incomoda é ver ela dizendo o quanto foi du caralho fazer um show com a ivete sangalo. Mudo de canal e fico lembrando dela do tempo que a conheci no Rio de Janeiro. Na verdade nunca conversei direito com ela, mas ficava na mesa do bar ouvindo ela falar (a produtora dela era minha amiga Lucimara) e era sempre du caralho ouvir a a Angela falar, anos luz da entrevista "boa moça" que quase assisti ontem. Deixei pra lá. A Angela parou com tudo. Ela tem os motivos dela. Quer viver mais. Tá tudo certo. Vários amigos param com esse objetivo. Dia desses foi lá em casa uma amiga muito querida. Ela tem alguns filhos (três). O mais novo costumava brincar com minha filha quando os dois eram crianças. Minha filha hoje está com 18 e ele tem 19. Perguntei pra minha amiga em tom de brincadeira: "Como é que tá o seu filho? Já enlouquecendo? Fumando maconha e bebendo todas?" Ela respondeu, consternada e com um tom de desencanto: "Marião, meu filho parou com tudo. Parou de beber, de fumar, parou com tudo. Virou daimista". Fiquei pasmo. Eu nem sabia que ele tinha fumado ou bebido. Há muito tempo que não vejo ele. Ainda lembro dele garotinho sentado num banco conversando com minha filha. Como assim? Parou com tudo? Aos 19 anos? Antigamente as pessoas pensavam em parar com tudo depois dos 40 quando o fígado já tá todo violentado e apitando na curva, como a Angela ou outros amigos que realmente pararam com tudo porque nunca colocaram o pé no freio antes. O garoto parou com tudo aos 19 anos. Algumas pessoas me perguntam: "Quando é que você vai parar, Marião? A vida é curta". Respondo: "Pois é, a vida é curta. Então é melhor viver tudo com mais intensidade, né? Eu não vou parar, Brother. Eu vou acelerar. Foda-se. Cada emoção vai ser ainda mais intensa. Cada paixão, ainda mais na porrada. Cada verso vai ser escrito como se fosse o último" Essa é minha profissão de fé. Não precisa ser a de ninguém. Parar com tudo aos 19 anos? O meu amigo Massao faz uma brincadeira com o Pereio que acabou de completar 69 anos. Ele diz: "Pô, Pereio, cê tem que pegar mais leve. Você tem que entender que você não tem mais 68 anos". O Brother Vinicius dorme na cama do lado aqui no hotel. Mas eu nunca encontro o cara. A gente sempre divide quartos quando viajamos com a peça. É conveniente pros dois. Temos horários totalmente diferentes. Quando estou chegando do bar, ele tá levantando pra correr na praia ou pra fazer ioga, alguma coisa do tipo. Vinicius é vegetariano e praticante de ioga e de tudo o que for saudável nesse mundo. Perguntei ontem se ele abraçava árvore também. Ele riu. Não entendi. Minha pergunta foi séria. Ele pratica ioga e diz que faz a saudação ao sol. Parece que tem vários níveis, A e B, sei lá. Minha amiga Ariane é que entende disso. Digo pra ele: "Ah, também faço saudação ao sol todos os dias. Saio do bar de manhã e digo: "E aí, sol? Como é que é? Tudo certo aí em cima?" E vou dormir. Ontem ficamos até o fim da madrugada na rua. Eu e Paulinha Cohen, como sempre. Bebemos várias doses. Ela foi de caipirinha de maracujá. Mais maracujá que caipirinha. Disse pra ela que vale a pena trazer uma garrafa de vodka na bolsa, pedir suco de maracujá e calibrar aquele suco que eles servem ao preço de uma caipirinha. Bebemos e falamos da vida, de nossas histórias. Sempre muito bom ficar conversando com a Paulinha de madrugada. O bar vai ficando cheio no final. Algumas pessoas se sentem à vontade pra sentar com a gente. Uma garotada me aborda pra dizer o quanto gostaram de minha palestra há alguns anos numa universidade do Rio de Janeiro. Lembro daquela palestra. Eles lembram momentos da palestra e reproduzem pra mim. Tem até um pequeno trecho no You Tube (http://www.youtube.com/watch?v=91bqNKw5Y9E). Eles gostaram mesmo. Fico feliz com isso. Voltamos pro Hotel andando pela calçada da praia. Tá uma noite ótima. Uma brisa boa vindo do mar. Nós não estamos bêbados. Estamos tranquilos andando pela calçada na noite incrivelmente linda do Leblon. Pra mim isso significa esse negócio que chamam de "paz". Tenho tido poucos momentos como esse. "acelerar, acelerar" como canta a Fernanda na música da "Fábrica de Animais", e que os pequenos intervalos de suavidade sejam como esse. Eu andando pela noite do Rio de Janeiro com minha linda amiga, um blues do Lyle Lovett na cabeça, alguns versos tortos do Chacal e nada mais. Quais versos?

"Quem quer saber de um poeta na cidade do rock? / com uma ficha e ninguém pra ligar / num dos 527 orelhões dessa cidade vazia?"

                            (Chacal)

Tava falando sobre isso com a Paulinha ontem. Quantas vezes eu só tinha uma ficha pra ligar pra garota. E tentava dizer o que sentia. Mas eram só três minutos. Nunca consegui dizer o que precisava em três minutos. Eu preciso de mais tempo. Às vezes não consigo dizer o que sinto por anos. E as pessoas ainda me perguntam quando é que vou pegar mais leve. Caramba. Então a ficha caía. E todas aquelas coisas tão necessárias, precisando ser ditas, confissões abortadas, palavras fundamentais engasgadas. Um cara solitário com um telefone inutíl na mão, uma noite incrivelmente bonita e alguém do outro lado da linha, precisando ouvir o que esse cara tinha pra dizer. Desde muito jovens, nos acostumamos com essa sensação de inevitável infelicidade. Então do que é que estamos reclamando hoje? 

HOJE NO RIO DE JANEIRO

 



Escrito por Mário Bortolotto às 15h40
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"Bem, Mário, você sabe que de inteligência essa pessoa não vai morrer, né?"

Esse é o Pereio me falando a respeito de determinada figura. Fiquei pensando nisso ontem à noite enquanto ouvia algumas pessoas falarem tempestuosamente sobre seus problemas. Porque esses merdas não fazem como eu e não abrem um blog pra falar esse monte de bobagem? Por isso posso ficar quieto por aí. Porque já falo muito por aqui. Ontem nem discotequei na festa da Martinha. Tava muito louco. Fui no Prêmio "Bravo" (fui jurado do prêmio de Teatro) e enchi a cara de whisky. Coquetel com whisky. É uma maravilha. Depois do advento do Proseco é foda encontrar algum coquetel com whisky. E ontem era assim. Red Label a rodo. Eu e o Brum bebemos pra caralho. Gostei de ver o meu amigo Roberto Alvim feliz por ter recebido o prêmio. Gostei de ver o Selton receber também. E o Danilo. Enfim, foi legal. E acima de tudo, tinha whisky, caralho. De lá fomos pro Studio SP. Passei em casa pra pegar alguns CDs, mas já tava crente que não ia discotecar porra nenhuma. Não tava a fim. Entrei lá e minha amiga Joana Savaglia já me presenteou com uma dose. Aí o Linguinha trouxe outra. Coloquei as duas no mesmo copo e é claro, derrubei as duas na sequência. Acho que isso me salvou de ficar totalmente alucinado. Teve o show da banda "Fábrica de Animais". Muito bom. Tenho problemas com o som de lá. Às vezes não conseguia entender as letras das músicas e são todas muito boas (geralmente da Fernanda e do Arara e sei que tem uma puta letra do Marcelo Montenegro "você é do tipo que tira os seus band-aids de uma vez ou aos poucos?", algo assim), e isso me deixa um pouco mal humorado. Não é preciso muito pra me deixar mal humorado. De lá descemos pro Biro´s e ficamos jogando até de manhã. Quando consigo dormir um pouco, o telefone toca. É o Gruli me avisando que o nosso vôo pro Rio mudou de horário. Que ia ser às 11 e 20. Isto é, tenho que levantar agora. Jogo uma camiseta e uma cueca na mochila junto com o livro do Bukowski e saio correndo de casa. Vou contra corrente. Um zumbi. Algumas pessoas sorriem. Como é que alguém sorri a essa hora da manhã? Que merda aconteceu de bom na vida dessas pessoas? Qual é o segredo delas? O que elas sabem que eu não sei? Elas nunca tiveram suas bolas esmagadas por um martelo? Qual é a dessas pessoas que estão sorrindo? Tomo um café preto quase frio e entro no ônibus pro Aeroporto de Guarulhos. Gosto de ver as aeromoças no aeroporto, sempre excessivamente charmosas e com aquelas camisetas cortadas no braço. Um jeito civil de ainda assim estar. Hoje me hospedo no Hotel Marina. Permuta de teatro. Nossa glória e nossa ruína. Lembro da música: "Os inocentes do Leblon / eles não sabem de você / nem vão querer saber". Algo me diz que vou amanhecer em algum quiosque do Leblon. Vai ser pior do que imagino. Mas mesmo assim não vou ficar sorrindo à toa. Não vejo motivo pra isso. E se tivesse, ia esconder de todo mundo. As pessoas deviam ter um pouco mais de vergonha.

"Eu sei que é demais mijar na janela / gritando por Deus / e berrando o nome dela / e o mundo todo / tem que saber / que ela errou / que eu errei / e então eu declarei guerra / paz na terra só pra quem tem coragem / quem perde no amor sempre faz o papel de covarde / faz bobagem"

                                           (Cazuza / Lobão)

HOJE NO RIO DE JANEIRO



Escrito por Mário Bortolotto às 08h26
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HOJE

Vou discotecar ali pelas 22h30 numas de receber a rapaziada que tá chegando pra festa (antes do show do Junio Barreto). Vou mandar um set mais tranquilo com alguns blues e souls de leve, nada muito forçosamente dançante. Até prefiro. Não gosto da idéia de que tenho que entusiasmar alguém.



Escrito por Mário Bortolotto às 08h00
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