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Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


DOIS MINUTOS É TEMPO PRA CARALHO E EU TÔ ATRASADO PELO MENOS DUAS DÉCADAS

Já saiu o  novo livro do meu amigo Ricardinho Carlaccio. Ele me deu um exemplar ontem lá no "Parlapatões". Ainda não li o livro. O bilhar e a bebida andam me roubando o tempo que eu devia me dedicar à leitura. Mas enfim, apesar desses dois vilões sem alma, me dedicarei à leitura do livro do Ricardinho muito em breve. Mas de cara, já gostei do título "Dois minutos de gasolina para a meia-noite", gostei da orelha do Pinduca que já tinha lido no blog dele "A arte de roubar cavalos no playground de Deus" (embora os caras tenham comido barriga na revisão e deixado a orelha trocada) e gostei muito da capa com o desenho do Henrique Ervilha (que eu não conhecia o trabalho). Parabéns, Carlaccio.

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E ontem foi aniversário dos Parlapatões. Li um dos textos do livro do Hugo ("Palhaço Bomba") e bebi vinho às custas dos caras. Foi uma comemoração bacana. Depois fui almojantar com minha amiga Paulinha Cohen (que também leu um dos textos do livro). A gente tava na fissura de um bom bife. Parabéns pros Parlapatões. Além do teatro, ainda é um dos melhores bares da cidade ao lado da Mercearia São Pedro, Amistosas Bar e o novíssimo "Biro´s Grill" com direito à três mesas de bilhar. O prefeito tenta atrapalhar, mas São Paulo ainda tem a noite mais interessante do país.

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Mas nesse segundo semestre vou experimentar outros bares de outras cidades. Devo viajar um bocado por conta dos meus trabalhos. E eu gosto pra caralho de viajar, até porque gosto muito de voltar pra São Paulo depois. Fim do mês nossa banda "Saco de Ratos" toca em Maringá (dia 25) e Londrina (dia 26). Dia 13 a gente estréia lá no Rio de Janeiro a peça "A noite mais fria do ano" e fica em temporada até dia 18 de Novembro. Dia 17 de Outubro a gente deve apresentar o espetáculo "Brutal" no Festival de Ourinhos. Sem contar as apresentações de "Curta-Passagem" em Miracatu, Piraju, Fernandópolis e Monte Alto. E tenho esperança de viajar muito lançando o CD da "Saco de Ratos" por aí.

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Mas por enquanto vou ficando em São Paulo, alternando meus quatro bares favoritos e tá, eu sei que devia ter feito isso nos anos 80, mas enfim, sou do tipo que demora um pouco pra fazer as coisas e estou sempre atrasado em relação à 99% da humanidade, mas dane-se, vou lá hoje assistir o Bob Wilson.



Escrito por Mário Bortolotto às 15h45
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PABLO BEATO, KEROUAC, MARADONA E AS GAROTAS URUGUAIAS

"Há algo de muito estranho em ver, depois de um jogo, e em qualquer circunstância, o Dunga vitorioso e o Maradona com cara de bosta. Isso me incomoda. Existencialmente, digamos. Há algo de muito triste e melancólico nisso tudo."

                                                                  (Marcelo Montenegro)

Eu concordo plenamente com o Marcelo. Se há algo que me incomodou muito durante todo o jogo do Brasil e também após ver as fotos do jogo Argentina e Paraguai, foi exatamente isso. Ver um cara como Maradona (com a história que ele tem) se afundando como naqueles filmes de Tarzan que eu assistia quando criança. O vilão lá na areia movediça tentando segurar inutilmente um galho de árvore pra se manter à tona. Eu achei muito triste. Não me interessa a rivalidade Brasil e Argentina. Tô cagando pra essa merda. Não me interessa toda a cartolagem futebolística ou todo o ranço que possa existir entre os dois times ou os dois países, foda-se. Mas eu não gostei de ver o Maradona naquela situação. Foi como imaginar Kerouac gordo e decadente abraçado à sua mãe no fim da vida (depois de ter escrito todos os livros fuderosos que ele escreveu). Foi como ver Bukowski triste e solitário brincando com os gatos na sua bela casa em San Pedro. Não sei explicar. Alguma espécie de angústia. Acho que o Marcelo Montenegro traduziu muito bem. Mas é isso. Não sou da igreja do Maradona. Gostei de ver o Brasil ganhando da Argentina e tudo o mais. Torço para a Seleção Brasileira, apesar de nosso "maior craque" ser um puxa-saco de pastor. Mas são essas circunstâncias esquisitas. Eu não preciso de mais motivos pra alimentar tristeza nenhuma. Já tô bem abastecido por uma década. E eu nem acho que vou durar tanto.

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Hoje é aniversário do Teatro dos Parlapatões e vai haver uma comemoração às 19h com lançamento do livro "Palhaço Bomba" do Hugo Possolo. Ele me convidou pra ler uma das crônicas do livro ("E aí, Godot? E se eles não vêm?"). Então vou lá participar junto com outros atores amigos que também foram convidados: Paulinha Cohen, Fábio "Xepa" Espósito e Ivan Cabral. O Teatro dos Parlapatões fica na Praça Roosevelt, 158. Tel: 3258-4449.

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"Agora, me permito fazer, uma breve explanação pra quem não conhece direito essas castelhanas do interior uruguaio. Elas são bonitas, mas não o tipo de bonita que dê pra classificar como “gostosa” no bom e velho padrão brasileiro. Quase todas morenas, de olhos negros profundos e cabelo meio rocker ensebado e sorrisos de atriz de filme francês. Dá a impressão de que, em algum momento do tempo, elas pararam de seguir a moda. E o melhor é que elas escolheram o momento certo. Usam calças brim justas e tênis velhos e camisetas com a boca símbolo dos Rolling Stones. E há milhares delas por todas as regiões daquele pequeno país. Todas com um humor magnífico e com seus sorrisos discretos e assobiando Ramones suavemente pelos balcões e mesas de bilhar iluminadas com aquelas luzes amarelas fortes e rodeadas por insetos, e até os insetos são diferentes do Brasil."

                                                          (Bruno Bandido)

Esse é o Bruno Bandido falando sobre as garotas uruguaias. O Bruno com o Ricardo Ara andaram pelo Uruguai e lá conheceram um sujeito interessantíssimo. Um cara que mora sozinho e que foi uma espécie de "beat" na essência quando jovem, embora ele não goste de ser chamado assim: "Vocês sabem das coisas, parem com esse lance de beat. Não sou viado, nem budista, odeio subir montanhas ou bancar o budista e nem escrevo. Mas como todos eram viados mesmo, não é? Acho que nenhum se salvava dos principais ali. Até o Burroughs matou a esposa e ficou naquela de pagar pra foder meninos de rua. E depois também tem aquelas putices de montanhas, Gary Snider, Ferllinghetti…"

O cara viajou muito por aí, tipo toda a América Latina, ficou até tipo cinco meses em Salvador, comeu muitas putas mexicanas e faz questão de dizer que homem que é homem não faz metáforas. Quando os garotos tentaram se hospedar na casa dele, foi enfático: "Vocês entram. O violão não". Quando perguntaram no outro dia porque ele não deixou o violão entrar, ele respondeu: "Eu não conhecia vocês. Um violão pode ser insuportável em mãos erradas. Uma arma de merda na mão de idiotas. Já tive que aturar muito desses idiotas violeiros na minha vida."

Porra, fiquei fã do cara. Leiam a entrevista dele na íntegra e o relato dos garotos. É du caralho.

Onde?

Na segunda edição da revista virtual "Língua Pop" dos garotos que conheci lá em Porto Alegre. E essa edição é um especial sobre a Geração Beat. Tem alguns caras bacanas recomendando livros: Mauricio Arruda Mendonça, Ricardo Carlaccio, Cláudio Willer, Celso Borges e Leo Felipe. E um texto sobre a fatídica lei anti-fumo. Fatídica pelo menos para a noite de São Paulo. Nós que andamos pela noite, já sacamos a brutal diferença. Entrem lá que é muito bacana e essa edição tá mesmo especial : http://linguapop.wordpress.com/ 



Escrito por Mário Bortolotto às 16h21
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HOJE

E TUDO O MAIS QUE O YOU TUBE NOS RESERVA

A gente improvisa aquela jam lá no "Coletivo Galeria" (Rua dos Pinheiros, 493) a partir das 22h - Flavinho Vajman e eu (e todos os amigos que baixam por lá). Semana passada, Gabriel Pinheiro e Martinha Nowill cantaram várias. E é sempre assim. Os amigos vão chegando e participando. Fábio Brum e Marcelo Watanabe costumam aparecer. Luciana Vitaliano também. Noite dessas, até o Bebeco Garcia (dos "Garotos da Rua") baixou por lá e tocou algumas. Sempre tem cerveja gelada e a entrada é franca. Pra ter uma idéia do que acontece, achei três vídeos que estão no You Tube.

Essa é "Pego Leve" (um trecho da música, pelo menos), parceria minha com o meu amigo Marcello Amalfi e que faz parte do repertório da nossa banda "Tempo Instável". Fábio Brum tá acompanhando no violão e Flavinho Vajman na gaita.

AQUI : http://www.youtube.com/watch?v=kNtzC4zz3NY

CORTESÃ - Parceria do Grande Renato Fernandes e Fábio Brum. Faz parte do repertório da "Saco de Ratos" e está no nosso primeiro CD. Nessa versão acústica na Galeria, Fábio Brum no violão e Flavinho Vajman no Rubboard.

AQUI : http://www.youtube.com/watch?v=0rm-SdHCt1A

ESSE SEU BURAQUINHO - Música com letra extremamente lírica do meu amigo Paulão das "Velhas Virgens". Eu não sabia que tinham gravado. Alguém largou a câmera no chão e deixou gravando.

AQUI : http://www.youtube.com/watch?v=YZ30G4LU2zs

E aqui a nossa amiga e grande cantora Lu Vitaliano cantando "Blues do ano 2.000" do Cazuza acompanhada de Fábio Brum e Flavinho Vajman: http://www.youtube.com/watch?v=oPDC6hFq-ic

Apareçam por lá hoje à noite. É sempre muito divertido.

Costuma ser tão informal que eu atendo celular no meio da música.

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DIÁRIO DAS CRIANÇAS DO VELHO QUARTEIRÃO

Há dois anos atrás dirigi no Rio de Janeiro, uma montagem do meu texto "Diário das Crianças do Velho Quarteirão". Foi muito bacana. Trabalhei com os atores Cadú Favero, Jorge Neves e Priscila Assum. Mexendo no You Tube, encontrei esse making off da montagem. Não conhecia. Ótima surpresa. Tá pintando uma possível remontagem do espetáculo lá no Rio. Vou gostar muito de fazer.

AQUI : http://www.youtube.com/watch?v=Wpe5JynzqH4

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DÊ LEMBRANÇAS AO TOTH

E também mexendo no You Tube, encontrei esse vídeo no mínimo curioso. Trata-se de um vídeo que se diz baseado na minha obra. Infelizmente o áudio foi desativado. Parece que tinha alguma música sem autorização, sei lá. Então não consegui entender direito e nem dizer se gostei ou não do lance. Enfim...o título é na verdade o nome que dei para o roteiro que fiz para o terceiro filme do Zé Belmonte. Mas esse título não foi aproveitado. O optou por batizar o filme com o título que ele havia pensado inicialmente que é "O meu mundo em perigo". O Toth no caso é o nome de um cachorro. Vou colocar aí embaixo o trecho do roteiro em que a personagem (no filme interpretado pela grande Helena Ignez) fala do Toth.

CENA D.  DIA/INT/CASA DE ISIS

 

(essa cena é um flashback. Mãe de Isis conversa com ela)

 

MÃE

 

Eu sempre lembro do Toth.

 

ISIS

 

O cachorro do pai?

 

MÃE

 

O cachorro mais velho do mundo. Eu não lembro do Toth nascer. Eu já lembro dele velho, muito velho. Velho e imortal. Lembro dele uivando no quarto quando o seu pai gritava. Lembro dele rosnando com ódio pra mim, como se eu tivesse alguma culpa. O que será que o Toth queria dizer?

 

ISIS

 

O Toth assim como todo mundo tinha que botar a culpa em alguém.

 

 

                                                                                                                   MÃE

 

Talvez o Toth estivesse certo. Era um cachorro velho e sábio. Ele me causava calafrios quando tava vivo. E agora ele aparece nos meus pesadelos como um cachorro do inferno.

 

 

ISIS

 

Deixa o Toth no inferno que é o lugar dele, Mãe.

 

MÃE

 

No dia que o seu pai morreu, ele subiu a rua e desapareceu. Ele passou na frente de uma ambulância e foi atropelado. Aquele cachorro se matou, Isis. Ele se suicidou. 

 

ISIS

 

Eu sei, Mãe. Eu sei a história toda. No dia que Toth morreu, todos os cachorros da vizinhança uivaram durantes uns bons quinze minutos. Um coral canino do inferno uivando pra lua e anunciando a chegada de Toth.

 

MÃE

 

O suicídio de Toth marcou o Halloween dos cachorros do bairro.

 

ISIS

 

Diz pra mim, mãe. O dia que meu pai morreu e Toth foi pro inferno. Fala pra mim, Mãe. Nesse dia quando os uivos cessaram, você sentiu alguma espécie de alívio?

 

MÃE

 

No outro dia de manhã, eu me sentei no banco da praça e chorei. Um choro de vinte e cinco anos. Nesse dia de manhã, houve uma revoada de pombos. Quando eu olhei pro chão, tinha o cadáver de um pombo. Um pombo morto em cima do meu pé. Eu senti sim, filha. E eu até me sinto culpada por sentir. Eu chorei...de alívio e gratidão.

 

E aqui o vídeo que achei no You Tube : http://www.youtube.com/watch?v=m3dBQ9fVOgA



Escrito por Mário Bortolotto às 13h53
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ÚLTIMA JUVENTUDE

Um show pros amigos. Foi o que aconteceu ontem. Foi o nosso menor público. Acho que se encheram de nós e do nosso rock and roll. Ou talvez tenha sido mesmo o lance da chuva, pós feriado, o escambau. Não faço idéia. Mas foi um puta show bacana. Rubens K substituindo Pagotto e tocando pra caralho com seu visual de Principe Valente. E o Alejandro que tava lá de bobeira e foi intimado a ir buscar a guitarra e o ampli. Tocou pra caralho também e se divertiu. Eu o apresentei como Alejandro Watayalla, filho de Watanabe com Ayalla. Um cruzamento estranho. Essa nem James Cameron ia ter a manha de imaginar, né? Um paraguaio e um japonês. Eu só via o Ayalla gritando da platéia : "O Pai sou eu". Watanabe não tava lá pra se defender. Marcinha chegou e dançou com as garotas na frente do palco. Perguntei pra Marcinha: "Fechou os Parlapatões cedo?". Ela respondeu: "Só tinha três mesas, Marião". Pós feriado prolongado. Ninguém aguenta tantas noites seguidas. Só nós mesmo. Acabou o show e quem disse que a gente foi dormir? Bilhar, é claro. Seis da manhã e a gente resolveu entregar os pontos apesar dos protestos de Fábio Brum que sentia falta do amigo Eldo. Rubens K capotou na minha rede. Fiquei com saudades daquele ano que dormia na rede todos os dias. Senti um pouco de inveja dele dormindo lá. Só um pouco. Gosto da minha cama onde os lençois teimam em fugir. Esse post tá meio "Paulão", né? Aliás falando em "Paulão", ele é um dos quatro finalistas do CQC, né? Grande Paulão. Já que ele é a fim, então torço por ele. Rubens K aproveita e checa seus e-mails. Tá sem computador na casa dele. Vai embora e a rapaziada do Itaú Cultural chega pra gravar uma entrevista comigo pro site deles. É sobre o Leminski. Concedo a entrevista e leio o poema "quando acabar minha adolescência". Costumo brincar com a rapaziada dizendo que estou vivendo minha "última juventude". Tem a ver com o filme do Domingos de Oliveira. Daqui há pouco Fábio Brum baixa aqui em casa pra gente fechar os últimos detalhes do nosso CD (encarte, autorizações, etc). Mais tarde, ensaio da peça "Brutal". Liguem só no cartaz que o Carcarah fez pra peça. Sinistro. E depois vou tentar ver o Curta na Praça dos Parlapatões. Hoje vai passar o curta "Escritos à margem" do Paulo F. É um misto de documentário e ficção sobre poesia. Ele colocou quatro amigos poetas numa mesa de bar (Pinduca, Sérgio Melo, Marcelo Montenegro e eu) pra falar de literatura. Entrevistou também o Chacal e o Ulisses Tavares. E colocou o ator Eric Lenate como um poeta em crise de criação (algo assim). Ficou bacana. Vou lá ver e depois beber algumas com os amigos. Minha última juventude, né?



Escrito por Mário Bortolotto às 13h35
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Dia chato. Chuva intensa. Eu até gosto de chuva, quando posso ficar em casa lendo ou escrevendo ou assistindo televisão. Não foi o caso do dia de hoje. Perdi meu celular ontem à noite. Sei lá, como aconteceu. Tava no carro do Massao. Atendi um telefonema. Desci no bilhar e de repente percebi que tava sem celular. Quer dizer, perdi no trajeto do carro até entrar no bilhar. Não sei mesmo como aconteceu. Foda-se. O problema é que passei o dia tentando resolver isso. Troca de chip. Recuperação do número e da agenda. Tudo isso no meio da chuva. Puta saco. E com tanta coisa pra fazer em casa. De quebra, ainda tenho ensaio da peça "Brutal" hoje à noite. O Watanabe me avisa que não vai poder tocar hoje. Pagotto também não. Problemas familiares e outros problemas que não vem ao caso discutir em um blog. Enfim, tô ferrado. Na guitarra, o Brum se vira sozinho. Mas e no baixo? Falei com Rubens K e ele vai substituir o Pagotto na noite de ontem. Improvisos de rock and roll. Nos perdoem as bicas na trave. Mas os caras são grandes músicos e vai ser divertido, como sempre. Bem que a gente tá precisando.

Então hoje

Saco de Ratos é:

Mário Bortolotto : Vocal

Fábio Brum : Guitarra

Rubens K : Contrabaixo

Rick Vecchione : Bateria

 



Escrito por Mário Bortolotto às 17h48
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HOJE

Tem show da nossa banda "Saco de Ratos". Agora em novo endereço.

 Olha o que o meu amigo Marcelo Rubens Paiva escreveu no blog dele:

 "E a banda SACO DE RATOS, do meu parceiro de palco, conversa fiada e copo [o dele é sem gelo], MARIO BORTOLOTTO, mudou de casa.

Tocava todas às terças no THE WALL. Agora, se mudou para o CAFÉ AURORA, ao lado, no velho e bom BIXIGA, bairro tão mágico, tão detonado, de que falo para todos: está na hora de ressuscitá-lo.

Na mesma 13 DE MAIO de onde eu não saía nos anos 80 [CARBONO 14, CAFÉ PIU-PIU, CINECLUBE DO BIXIGA, MADAME SATÃ, cantinas baratas].

Além da banda que, a cada show, está melhor, mais afiada, com improvisos certeiros, solos [o disco sai em breve], escute com atenção as letras tão inspiradas de SACO DE RATOS [que faz pacto com o diabo, mas não faz com mulher], e se divirta com a participação especial dos fãs da banda, que dançam, sobem no palco e dão uma palha, amigos de todos, que fazem desse show um ritual dionisíaco, puro e autêntico rock and roll!"

                                     (Marcelo Rubens Paiva)

 

Saco de Ratos é :

Mário Bortolotto : Vocal

Fábio Brum e Marcelo Watanabe : Guitarras

Fábio Pagotto : Baixo

Rick Vecchione : Bateria

 

 

 

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 02h55
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Foto de Luiz Filipe Ogro

JEALOUS GUY

Podia ser algum lugar da Grécia, ou mesmo em Florianópolis ou em Londrina. Algum lugar na Grécia com dez velhinhas e uma guia turística muito entusiasmada. Mas era um terraço de madrugada, um vinho sendo dividido entre dois estranhos íntimos. Ela lendo pra mim Clarice Lispector. Eu, pensando numa música do John Lennon. Já conhecia detalhes do seu corpo e praticamente nenhum susto de sua alma ignota.

“Você quer um vinho? Tá com gripe? Quer que eu te prepare um chá?”

“Do que é?”

“O que?”

“O Chá?”

“Ah! Maçã e Limão.”

“Bacana.”

“Você quer?”

“Ok. Depois eu também quero o vinho.”

“Eu imaginei que sim.”

Todo homem merece uma garota preparando um chá. Toda a poesia do mundo consiste numa linda garota fatiando um limão em seis partes iguais. Bebi o chá pensando no vinho. Bebi seus olhos pensando em ausências e longas distâncias. Algo que cantores pop chamariam de “saudade”. Fico com minhas definições que nunca colocam o pé no chão, que temem o contato firme com o solo. Meus pensamentos mais pueris são revistados na alfândega. Então a seqüestro pro terraço e a madrugada me acolhe como uma velha e melancólica amiga. Depois do sexo, a fúria. Depois do jazz, o estampido seco antes do trovão.

“Você parece melhor.”

“Sexo é terapêutico.”

“Carinho é que é.”

I didn´t mean to hurt you.

Faço de conta que não sei do que ela tá falando. Que nunca chorei em melodramas. Que não me equilibro em um fio de neblina. Faço de conta e quase acredito. Permaneço intátil e quase em segurança. Pensando em contorcionistas sexuais, numa puta me intimando:

“E aí? Você tinha coragem de subir lá?”

“Eu sou o mó covarde.”

No palco, ela se contorcia e chicoteava o mané que teve a coragem de subir lá. A puta de olho no meu coturno.

“Você tem o pé bem grande.”

“Bobagem. Eu uso sempre um número a mais numas de iludir as mulheres”.

“Parece que funciona.”

“Parece que sim.”

Fui chamado de volta em meio a evocações de Virginia Woolf e promessas de tardes cinematográficas. I was shivering inside. Eu sempre querendo ir embora do bar. I began to lose control. Antes da tempestade. Antes do furação. A fuga é um jeito de lidar com o ciúme que não sabe brincar com o imponderável. Depois da encrenca, a tentativa débil de desculpa. O meu menear de cabeça. I was swallowing my pain. Minhas palavras escapam de mim e ganham asas e vida própria, sobem pelas paredes do prédio, esbarram em pombas e aeronaves e se aconchegam numa nuvem de algodão doce, para meu leve desespero. I was trying to catch you eyes. Para meu leve desespero.

 

 

Jealous Guy é um clássico de John Lennon

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Esse conto foi publicado no Estado de São Paulo há uns três anos atrás (mais ou menos). Na época pediram para vários escritores escreverem contos a partir de músicas de John Lennon. Escolhi "Jealous Guy". Esse é um que vai entrar no meu primeiro livro de contos e que o Pedro Galé já me garantiu que vai publicar pela Editora Barcarola. Tenho muitos contos, mas eles estão espalhados por aí, publicados em revistas, coletâneas e fanzines. Vai ser uma boa oportunidade de reunir todos num livro. Pra breve. Assim espero.

 

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E amanhã tem show da nossa banda "Saco de Ratos". Agora em novo endereço.

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 16h07
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NOVOS TEMPOS

Estou me sentindo um excluído. Dia desses postei aqui essa foto. É do Luiz Filipe Ogro. Eu nem vi quando ele bateu a foto. Tava distraído sentado sozinho na mesa do bar. Ando ficando bastante assim. E não é porque sou exatamente um solitário. Eu tenho muitos amigos. Mas acontece que a lei anti-fumo criou essa nova cultura. Eu não fumo. Então fico muitas vezes sozinho na mesa do bar. Metade dos meus amigos está lá fora fumando. A outra metade? Está no banheiro.



Escrito por Mário Bortolotto às 17h34
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