Histórico


Outros sites
 Saco de Ratos - My Space
 Blog da peça "Brutal"
 Joselito Bortolotto
 Fernanda
 Eliane Bortolotto
 Rodrigo Garcia Lopes
 Pinduca
 Marcelo Montenegro
 Jotabê Medeiros
 Maurício Arruda Mendonça
 Cassiano
 Carcarah
 Ricardo Carlaccio
 Paulo de Tharso
 Fábio Brum
 Marcelo Mirisola
 Rubens K
 Chacal
 Nelson Peres
 Linguinha
 Maléfico
 Marcelo Paiva
 Wanessa
 Paulão
 Denise
 Fernanda M.
 Morgana K.
 Priscila N.
 Michele
 Luíza
 Clarinha Averbuck
 Márcio Américo
 Martinha
 Boteco do Luiz Filipe
 Luiz Filipe
 Sergio Melo
 Patrícia Leonardelli
 Renato Parada
 Parlapatões
 Bruno Bandido
 Paulinha Cohen
 Ademir Muniz
 Mutarelli
 Helena
 Fábio Reoli
 Basa
 Ricardo Ara
 Paulo Stocker
 Pedro Pellegrino
 Teatro para alguém
 Bia
 Kim
 Batata
 Sergio
 Editora Atrito
 Vila Cemitério de Automóveis
 Rock and Roll em Londrina
 Watanabe
 Rodrigo Amadeu
 Xico Sá


 
 
Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


HOJE TEM O ÚLTIMO SHOW DA SACO DE RATOS NO CAFÉ AURORA

Pelo menos, por enquanto. É que em Agosto a gente não vai tocar lá porque nas quintas feiras vou estar em Brasília apresentando a peça "Êxtase". Talvez a gente volte em Setembro, mas ainda não tem nada certo. Então fica assim: hoje (quinta-feira) é o último show. No Café Aurora (Rua 13 de Maio, 112) a partir das 24h. Entrada : R$ 5.

Foto : Juliana Baraúna

___________________________________________________________________

E NA SEXTA E NO SÁBADO LANÇO MEU NOVO LIVRO

BLUES

 

Como levar alguém que vai morrer

pra ver o sol nascer

como se fosse a primeira vez

 

Como um garoto cruzando o Atlântico num barco a vela

 

Como uma jovem mãe que perde o filho

no parque de diversões

 

Tipo esses filmes ruins que me fazem chorar

como um idiota que perdeu a paz

 

Como o garoto solitário

que entra de penetra na festa de aniversário

 

Como o filho cobrindo os pés do pai

a beira da morte

 

Como o viciado contando os dias

que permanece limpo

 

Como alguém que desistiu de ver o por do sol

 

Como alguém fechando a tampa do piano

 

Como alguém que você espera

entrando pela porta

 

Como alguém que você sempre esperou

e que nunca vai entrar

 

Como aquela mulher que não vai voltar

 

Como aquelas desavenças que nunca deixamos pra lá

 

Como aquelas coisas que julgávamos indispensáveis

e que depois de muitos anos

encontramos no vão do sofá

_____________________________________________________

E TEM "TAPE" NO SATYROS 1

Eu sei que tá dificil de ler nesse flyer.

A parada é a seguinte. Hoje, quinta-feira às 21h no Teatro dos Satyros 1 (Praça Roosevelt, 214). E fica em cartaz sempre às quintas feiras.

O texto é do Stephen Belber

A Direção é minha

E no elenco estão Pedro Guilherme, Marcelo Selingardi e Carolina Manica.



Escrito por Mário Bortolotto às 06h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 Predador Flyer virtual

Hoje estréia peça nova do meu amigo Marcelo Paiva. Texto e Direção do Cara. Tive o privilégio de trabalhar com o Marcelo na primeira direção dele ("A Noite mais fria do ano"). O rapaz leva jeito. Agora é conferir a segunda direção dele.

___________________________________________________________________

E AMANHÃ TEM O ÚLTIMO SHOW DA SACO DE RATOS NO CAFÉ AURORA

Pelo menos, por enquanto. É que em Agosto a gente não vai tocar lá porque nas quintas feiras vou estar em Brasília apresentando a peça "Êxtase". Talvez a gente volte em Setembro, mas ainda não tem nada certo. Então fica assim: amanhã (quinta-feira) é o último show. No Café Aurora (Rua 13 de Maio, 112) a partir das 24h. Entrada : R$ 5.

Foto : Juliana Baraúna

___________________________________________________________________

E NA SEXTA E NO SÁBADO LANÇO MEU NOVO LIVRO

UM LUGAR LEGAL PRA ESTAR

(WHEN THE MUSIC STOPS)

 

Ela me disse casualmente

que havia notado a mancha de sangue na minha camisa

Disse a ela: Não se preocupe, não é nada

Ela respondeu: Eu não tô preocupada

Resmunguei: é melhor assim

Achei que podia me divertir um pouco

assistindo uma luta de boxe na tv

Tirei a camisa manchada de sangue e joguei no tanque

Ela vestiu uma micro-saia e saiu pra rua

Abri uma cerveja e resolvi esperar

Os ponteiros do relógio eram guilhotinas no meu pescoço

Quando ela voltou, não falei nada

Fiquei no escuro vendo ela se mexer

deixando cair sua saia

no caminho pro banheiro

Deixou a luz acesa e ouvi o barulho

não vou usar de eufemismos nesse momento

pra dizer o que ela estava fazendo

somos um casal com tempo de serviço

nossa indiferença mútua provava isso

meu enorme peso no sofá atestava isso

Ela acendeu um cigarro no escuro da sala

e a chama do isqueiro fez com que ela me notasse

"é mais difícil do que você imagina", ela disse

e o seu desprezo me acertou como um blefe de pôquer

Ainda ficou um tempo olhando pra mim

antes de vencer o orgulho e perguntar

"O que era a mancha na sua camisa?"

"Já disse. Não é nada. Não precisa se preocupar"

Ela soltou um foda-se e foi pro quarto,

deitou e ficou fumando olhando o teto

Levantei e fui até o banheiro

Cambaleei e tive que me apoiar na porta

Abri o armário e peguei o mercúrio cromo

ou você não sabia que a maioria das histórias de amor

terminam com alguém limpando as feridas?



Escrito por Mário Bortolotto às 12h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



BE BOP BABY

 

Qual é a do trompetista

que dança de um jeito engraçado

que não sabe olhar o cardápio

que sempre perde no jogo de dados

e sempre canta a mulher errada

Qual é a do trompetista

que tem um gato gordo

que expele perdigotos

e não mede esforços

pra ser expulso do clube

Qual é a do trompetista

que dichava uns bops

e num golpe de sorte

ganhou uma passagem pra Miami

de uma loira peituda metida a madame

Qual é a do Negão

cheio de chinfra

dando uns tecos no orelhão da esquina

chamando gambé de “meu truta”

passando na cara um bando de puta

Qual é a do sacana escolado

mandando um ácido

passando um cagaço

no meio da viagem

jogando copos contra a parede

Afinal qual é a dele?

 

Qual é a do sujeito triste

mamado de whisky

chorando sozinho

tocando esse jazzinho

que só não me rasga o peito

porque já descobri que sou assim

torto e errado

meio whisky batizado

pó malhado de pirlimpimpim

Pra vocês meus amores

pra toda a vida e todo o sempre

O pior de mim



Escrito por Mário Bortolotto às 13h43
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



PEIXE CEGO NA SUPERFÍCIE AO ALCANCE DAS MÃOS

Então eu pensei que o melhor mesmo era não entregar toda a aflição de passar madrugadas em claro. Era fazer de conta que isso de alguma maneira faz parte da vida como peixes ou gatos se enroscando nas pernas quando sentem o cheiro de peixes ou quando saímos na rua e todos os táxis e todas as horas que esperamos por táxis e todos os táxis que descem a Augusta e que não nos recolhem porque sempre estamos do lado errado da rua e toda vontade de simplesmente não existir e todos os peixes grandes e pequenos e todas as fotos e tudo o que nos remete a esse sentimento que atende por saudade e todos os gritos lá fora dessa gente desesperada como peixes no fundo do barco e todas as putas tristes e as que não se mostram tristes no primeiro contato mas que são como peixes de vida curta e essas putas todas as putas que eu sei que tem um céu só pra elas todas putas e todas as notícias que me chegam pela Internet pelo telefone pelos amigos pelos que certamente me odeiam e que fazem de conta que se interessam ou até que me amam há um tipo de cinismo peculiar nos inimigos mas eu nunca pensei em ter inimigos mas eles existem e me acenam quando passam em seus carros ouvindo música alto no carro e eles não podem ver que estou condenado por isso me protejo perto dela e todas as pizzas e todos os filmes e todos os projetos de ir pra Buenos Aires mas eu sei que sou o último na fila dos que ainda tem algum tipo de esperança e então eu me forço a me enganar a fazer de conta que sou um sujeito possível alguém merecedor de lembranças e de um verso bem escrito ou de uma mísera nota de rodapé alguém que ainda é capaz de acender todas as luzes da Augusta com um sorriso sincero alguém que não se matou aos 23 porque queria desmentir todas as previsões e horóscopos e bruxas da Rua Direita alguém que ainda continua tentando um jeito de se mostrar útil para alguém e merecedor de fato dessas noites em claro e dessa vida torta e dos peixes sempre os peixes como símbolos de esgotamento de entrega de rendição e eu vejo ela ir embora depois de me dar toda a esperança e todo o sentimento mais puro e todo o sexo e todo o estranhamento e todo o céu e abro os braços como um sinal de seja o que o melhor de todos quiser e volto sozinho pra casa e pro whisky e pros filmes e pros planos e pra última fatia de pizza fria e pra coca-cola e pra noite que eu testemunho da janela e pra balada triste que intercala as notas com sons de campainhas que acordam os peixes e que fazem me sentir o mais solitário dos caras que acreditam em peixes e lagoas que refletem minha cara de peixe condenado a escapar do aquário e eu lembro dos seus cabelos esparramados no travesseiro e então subitamente eu decido do alto de minha incompetencia de não saber nadar com os peixes que é chegada a hora de garotos não fazerem mais o trabalho de homens.

______________________________________________________________

E HOJE TEM JAM NA GALERIA

 



Escrito por Mário Bortolotto às 06h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Na época do meu incidente, aliás, quando eu já tava me recuperando, a revista "Contigo" me encomendou um texto sobre o ocorrido. E eles foram muito bacanas comigo, já que tive total liberdade pra escrever do jeito que eu quisesse. E ainda me pagaram por isso. Fiquei lembrando desse texto hoje e da dificuldade que tive pra escrever, já que ainda estava com muitas dores. Não conseguia ficar muito tempo sentado e escrevendo porque as minhas costas doiam muito e só conseguia escrever com dois dedos de uma mão. Hoje é Domingo, acabei de chegar em casa e vou dormir. Mas antes queria postar esse texto porque fiquei pensando nele hoje e me lembrei como foi difícil escrever e lembrar tudo que aconteceu. É isso. Uma leitura pra um domingo enquanto as pessoas vão à feira e meus amigos ainda insistem em continuar no bar. Eu vou dormir. Aliás, tô mó a fim.

EU DEVIA TER FICADO NO CAFÉ SOLÚVEL

 

Não adianta porra nenhuma você ter plena consciência da nuvem negra pairando no ar nos últimos meses. Tudo dando literalmente errado em minha triste vida de bufão beatnick tentando ainda ostentar um ar de lord de sarjeta, o perdedor que vai embora do campo de cabeça erguida e de quebra ainda ganha um olhar furtivo e aparentemente apaixonado da garotinha de óculos fundo de garrafa e camiseta dos Smiths, com tão poucos atrativos aparentes que só lhe resta mesmo tímidos devaneios eróticos com o loser do mês, primeira página do calendário, tipo não tem pra ninguém, a taça do mundo é minha e a conta do boteco também. Era assim que eu me sentia nos últimos meses com a coisa toda se acentuando perigosamente nas últimas semanas com direito a um porre melancolicamente sozinho e o que é pior, em casa (prática essa que não admitia ter se me interrogassem sob um chá de porrada e eletricidade nos cornos até bem pouco tempo atrás). Nas últimas semanas até minha própria sombra já seria saudada por mim com fogos de artifício e teenleaders com coreografias tesudas. Não sou do tipo talhado pra cair nos braços da torcida, mas a maré de azar ancorada na minha nuca nos últimos meses já tava me parecendo uma brincadeira de mal gosto divina, ou como diria meu saudoso avô depois de uma talagada de cachaça: “Quando o urubu tá com azar, o chef francês é que é convidado pra preparar o jantar”. Mas eu andava por demais entorpecido pra prestar a necessária atenção aos sinais. Vinha me comportando de maneira displicentemente temerária, bebendo negligentemente feito um hooligan em final de campeonato ou um irlandês no dia do juízo final.

Só faltava mesmo um escrotinho de merda me tirando de cuzão e vaticinando o meu fim.  Naquela noite de sexta-feira, depois de ter operado a iluminação do espetáculo “Brutal” onde assino texto e direção, tava razoavelmente decidido a sair fora mais cedo, voltar pra minha kitchenete e pra minha garrafa de Jack, assobiar um punk rock e lamber minhas feridas. Mas aí me pagaram a primeira dose de whisky e todos os meus planos de uma noite tranqüila desceram pela minha garganta com o primeiro gole. Tava bebendo no próprio bar do Teatro dos Parlapatões e foi um amigo guitarrista quem colocou o copo na minha frente. Quando me dei conta, já estava criticando o por demais eclético repertório musical, gritando com amigos do outro lado do balcão e tinha como certo um final de noite completamente chapado caindo de coturnos na minha cama. Não foi bem assim. Eu percebi os caras entrando. Parte do que vou narrar aqui extraí de uma nebulosa de álcool e da minha memória totalmente comprometida e que não merece nenhum crédito, mas devo atestar que reconstituí os fatos a partir de depoimentos e confidências de amigos que estavam no local durante o trágico (pelo menos pra mim) ocorrido, então creio que no atual estágio da minha vida, tirava de letra qualquer detector de mentiras. As portas estavam abaixadas deixando o bar totalmente incomunicável com a rua lá fora. Não sei onde é que tava o segurança. A Fernanda (a atriz Fernanda D´Umbra) e o Reinaldo (o escritor Reinaldo Moraes) haviam acabado de entrar no bar.  As portas foram levantadas pra eles, possivelmente pelo segurança. Os quatro caras entraram na cola. Dois deles renderam o segurança e o levaram pro andar de cima. Os outros dois entraram no bar e tocaram o terror. Eles se colocaram de maneira acintosamente autoritária, berrando pra que todos deitassem no chão, deram um empurrão na Manu (a atriz Maria Manoela) e uma coronhada na Guta (a atriz Guta Ruiz). Eu me neguei a deitar no chão. O cara com a arma veio pelas minhas costas e me acertou uma violenta coronhada na cabeça. Eu devia ter desmaiado com aquela porrada. Ia evitar todos os dissabores futuros, mas infelizmente sou mesmo um notório cabeça dura e não foi o que aconteceu. Levantei surpreso e indignado, olhei pro cara que tava brandindo o revólver e o inquiri: “Qual é, cara? Cê ta louco?” Ele apontou a arma e ameaçou atirar (isso tudo eu vi um mês depois pelo sistema de câmera interna de segurança do bar – tá tudo gravado). Não tenho nenhuma intenção de tirar uma de destemido ou de fodão, mesmo porque não me vejo assim. Sempre fui um cara cuidadoso e rego meus medos todas as manhãs, mas ao mesmo tempo quando sou desafiado, passo a ser irresponsável e inconseqüente. E isso que eu saiba não é sinônimo de fodão. E o cara na sua pose de bad-gangsta boy tirando uma de “eu sou mais que você porque tenho uma arma na mão” conseguiu me deixar descontrolado. Então eu gritei “Atira, filho da puta” e fui pra cima dele. Acho que ele não acreditou de prima no que tava acontecendo, já que ainda assim, eu consegui derrubá-lo no chão. E foi caído que ele disparou os tiros depois de ter levado um chute do meu amigo Carcarah (o ilustrador e ator Carlos Carah)que levou três tiros na perna. Ele acertou o primeiro tiro no meu braço. A bala entrou e saiu. Eu continuei andando. Quando levei o segundo no coração, foi um baque violento. Uma espécie de patada de elefante no peito. As pessoas tavam gritando. No chão, levei o terceiro de uma bala que se encostou atrevida na minha coluna cervical. Mais um sopro e eu não andava mais. Tava apagando quando ouvi e ainda vi o Carcarah do meu lado segurando a perna atingida e gritando: “Acertaram o Mário”. Resumindo o estrago, dos tiros desferidos pelo assaltante caído no chão, três foram pra minha carcaça, outros três foram parar na perna do Carcarah, e alguns no teto do bar. Devem estar lá até hoje e devem ficar eternamente como aqueles corações talhados numa arvore com canivete de escoteiro por casais de namorados. Fiquei sabendo ainda que o sujeito tava indo embora e resolveu voltar pra acabar o serviço e dar o tiro fatal. Devia estar puto por terem encontrado um irresponsável suficientemente louco capaz de acabar com a noitada deles. Mas aí o meu anjo da guarda já tava acordado e refeito do porre da noite anterior, e devo dizer, meu anjo é um bebum descuidado que sempre dorme em serviço, mas quando acorda, não tem pra ninguém. Deu um tapa de leve na mão do cara e o tiro só pegou de raspão. Os quatro caras, tendo seus intentos frustrados, fugiram. Meus amigos Basa (guitarrista e companheiro de noitadas de bilhar) e Ayalla (nosso roadie internacional importado do Paraguai) tavam chegando no bar quando viram os caras saírem correndo. Imaginaram que alguma merda tinha acontecido, só não imaginavam o tamanho. Quando entraram viram a Fernanda com minha cabeça no colo e tentando falar comigo que apenas repetia que ia morrer. Ela retrucava dizendo que isso não ia acontecer. Tentaram convencer alguns policiais a me levar imediatamente pro hospital. Eles contra argumentaram dizendo que deviam esperar a ambulância. Fernanda manteve a atitude firme e praticamente obrigou os caras a me levar no próprio Corsinha da polícia. O Basa e o Ayalla me colocaram no porta-malas e a Fernanda e o Brum (meu amigo Fábio Brum, guitarrista da nossa banda “Saco de Ratos”) foram junto comigo, sentados no banco de trás. A pronta atitude deles me salvou a vida já que os médicos me garantiram que se tivesse chegado dez minutos depois, certamente não teria agüentado. Fiquei dois dias em coma após uma cirurgia de nove horas. Lá fora meus amigos queridos e pessoas que sequer me conheciam pessoalmente, mas que de alguma maneira se acreditavam ligados a mim pelo meu trabalho, estavam reunidos em vigília pela minha recuperação. Se tem algo que me deixa realmente emocionado nessa história toda, é quando ouço relatos sobre esses dois dias e sobre a corrente de sincera solidariedade que se formou lá fora. Sempre que ouço relatos desses dois dias, me dá um nó na garganta e um aperto no estomago difícil de explicar e de conter. Se existe um verdadeiro e bom motivo pra eu ainda estar vivo é o fato de poder desfrutar por mais um tempo da companhia dessa rapaziada. O que aconteceu foi descrito pelos próprios médicos como um milagre. Dois dias depois, estava acordando na UTI da Santa Casa e vi ao lado da minha cama, minha ex-mulher Christine (e mãe de minha única filha Isabela) que tava sorrindo pra mim ao lado da minha irmã Eliane que me olhava num misto de consternação e alívio. Olhei pra elas, percebi que tava de volta e voltei a dormir logo em seguida. Imaginei que se o quadro clínico fosse dos piores, a Chris não estaria sorrindo de maneira tão franca. De qualquer maneira, as notícias, boas ou terríveis, podiam esperar mais um pouco.

 

Teve uma vez que eu caí de uma janela e perdi temporariamente a noção das coisas. Me levaram de ambulância prum hospital e me deram uma injeção me prevenindo de que eu deveria ficar em observação. Eu estava em São Paulo, morando no Brooklin e era casado com a Fernanda. Lembro que ficava perguntando pra ela o que eu estava fazendo naquele hospital em Londrina. Ela tentou me explicar que eu estava em SP, mas a convenci de que a gente devia fugir dali o quanto antes. Quando a enfermeira vacilou, me amparei no ombro da Fernanda e pedi enfaticamente a ela pra me levar até um táxi. Parecia que eu tinha passado por uma centrifuga de desenho animado, mas me senti feliz quando consegui fugir daquela ante-sala do inferno. 

 

E era assim que eu me sentia no hospital, por mais gentis que se mostrassem os médicos e enfermeiras. Imaginava o meu fígado arruinado, mas os médicos ainda me garantiram excelentes condições para um órgão tão maltratado por mais de 40 anos. Quebrei meu braço esquerdo e tive que sofrer outra cirurgia de três horas onde colocaram uma placa de titânio semi-assustadora com uma dúzia de parafusos dignos da criação imortal de Mary Shelley. Perdi meus coturnos e uma ótima camiseta da Jack Daniels, meu celular, o movimento pleno de minha mão esquerda (espero que temporariamente) e algumas crenças que ainda me restavam. Mas ainda estava por aqui com plenas condições de apitar a final de um campeonato de futebol de botão, convenhamos, é bem mais que grande parte da tripulação do Titanic conseguiu. Passei dois dias sem existir e confesso que não é nada demais. Um sonho tranqüilo como um mergulho em Fernando de Noronha com alguns golfinhos frescos fazendo às vezes de entourage marinha, lá onde todas as noites parecem iguais, mas o DJ ostenta um surpreendente bom gosto e uma loura fatal saída extraordinariamente de um filme noir ronrona suavemente no seu ouvido. Se for só isso mesmo sem aqueles cupinchas de belzebu ostentando fálicos tridentes, por mim tá tudo bem. Providencio o passaporte e espero a momento máximo de nossa inevitabilidade relendo minha coleção de Ken Parker. Porque eu não me lembro de ter rezado pedindo por uma nova chance. Sequer preenchi o requerimento em duas vias que os trâmites legais costumam exigir evitando o inevitável despejo, mas já que eu acordei e vi minha ex-mulher e minha irmã sorrindo do lado da cama, percebi que fui embora sem fechar a conta do boteco e o dono dessa espelunca vagabunda não é muito chegado em caloteiros. Agora faço de conta que essa Eisenbahn é um elixir de eternidade, brindo a duas ou três almas puras que sei que ainda andam por aí e coloco o pó na cafeteira. Já que fiquei por aqui vou evitar qualquer calmante fitoterápico e fazer dessa minha noite uma daquelas recepções onde o cicerone não economiza no bufê.

 

                                 - Mário Bortolotto -



Escrito por Mário Bortolotto às 06h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Existem poucas coisas melhores na vida do que descer a rua, depois de uma centena de partida de bilhar, ouvindo "That´s Life" com o grande Frank Sinatra. Uma parada na lanchonete da esquina pra uma torta e um café com leite. That´s life.

E hoje no Rio de Janeiro:

 

Amigos cariocas, apareçam por lá. Essa rapaziada é firmeza.

_____________________________________________________________

E hoje às 19h no Centro Cultural São Paulo tem show da Patife Band.

Eu diria simplesmente que é a melhor banda de rock de São Paulo. Mas eu acredito que a "Patife Band" não é só uma banda de rock. Acho que ela já transcendeu esse rótulo. É outro tipo de arte. Apareçam hoje por lá e vocês vão sacar o que tô tentando dizer. Só ouvindo, Brother.  



Escrito por Mário Bortolotto às 08h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



PRIMEIRA CHAMADA

A foto da capa é de Rodrigo Sommer

Semana que vem finalmente acontece o lançamento do meu novo livro de poemas.

"Um bom lugar pra morrer" na verdade tem dois lançamentos.

O primeiro (na sexta-feira - dia 30) na Mercearia São Pedro (Rua Rodésia, 34), onde vai acontecer um lançamento mais tradicional. Vou ficar lá bebendo e recebendo os amigos que espero que bebam comigo e até comprem o livro, se possível.

E no sábado (dia 31) vou lançar o livro lá na Galeria da Lu (Rua dos Pinheiros, 493). Com os amigos fazendo jam, tocando blues e lendo poemas do livro. Pra gente se divertir.

A MERCÊ DAS MANHÃS

 

Eu, pecador

me confesso

nessa manhã de domingo

voltando do banheiro

e pedindo um croque monsieur

Eu voltei pro alcoolismo

se tenho que ver essa garota linda

quase etérea no balcão

intimidando meus passos

a carinha de Juliete Binoche

perguntando: “o que cê tá fazendo?”

“você não tá gostando?”

“continua”.

meus dedos roçando suavemente

o lóbulo de sua orelha

atravessando a cidade

morrendo no balcão de uma padaria

Tenho a bandeira brasileira na porta do meu quarto

e um 38 na gaveta do criado

Tenho os olhos injetados

quando leio um poema do Del na frente do hotel

não preciso beber vodka

ninguém vai cheirar meu hálito quando eu chegar em casa

não tem ninguém esperando por mim nessa manhã

peço um corn flakes e misturo com cerveja

Se esse poema parece um epitáfio

é porque descobri que só é possível morrer

quando os deuses se distraem

Vou entrar num restaurante coreano

e pedir um karaokê

Me parece um bom lugar pra morrer

 

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 15h03
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



HOJE TEM SACO DE RATOS NO CAFÉ AURORA

Com Basanelli no lugar de Fábio Brum (excepcionalmente já que nosso guitarrista fujão vai estar tocando com o Made in Brazil em algum lugar que eu não faço a menor idéia de onde seja)

às 24h no Café Aurora (que fica na Rua 13 de Maio, 112, no Bixiga). Lá os ingressos tem preço único de R$ 5.

As fotos são de Juliana Baraúna.

_____________________________________________________

E TEM "TAPE" NO SATYROS 1

Eu sei que tá dificil de ler nesse flyer.

A parada é a seguinte. Hoje, quinta-feira às 21h no Teatro dos Satyros 1 (Praça Roosevelt, 214). E fica em cartaz sempre às quintas feiras.

O texto é do Stephen Belber

A Direção é minha

E no elenco estão Pedro Guilherme, Marcelo Selingardi e Carolina Manica.

 



Escrito por Mário Bortolotto às 05h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Esse foi um dos discos mais importantes que comprei nos anos 90. Eu lembro que sempre que pensava em ir embora de casa e sumir no mundo, eu colocava esse disco e os dois do Cascadura na mochila. E achei de bobeira num sebo. Não fazia a menor idéia do que se tratava. E no sebo que comprei, a gente não podia ouvir o CD. Foi na sorte mesmo. E quando comecei a ouvir, fiquei chapado. Depois consegui outro CD deles (o primeiro) que é bacana, mas não é tão bom. E lembro que importei dois solos do vocalista Luther Russell, que também são CDs bacanas, mas que não tem nada a ver com a sonoridade da banda. Ontem à noite fiquei passando algumas músicas desse CD pro meu MP3 e procurando entender porque foi tão fundamental pra mim ouvir esse disco nos anos 90. A sonoridade essencialmente rocker, mas toda estranha, quebrada, como se fosse um rock pesado, experimental, mas com uma melodia bonita pra caralho. Um piano alucinado, mas que poderia facilmente tocar na banda do Arrigo Barnabé. O vocal rasgado do Luther Russell como um Joe Cocker jovem e ainda mais desesperado. Tudo isso faz de "Waitin´ for George" um disco emblemático na minha formação. Sempre agradeço a sorte de ter entrado naquele sebo e mexido naqueles CDs.

Não tem nada da banda no You Tube. Tem um outro "Freewheelers" lá que não tem nada a ver com a banda que eu tô falando.

Mas encontrei alguns vídeos do Luther Russell.

Esse aqui é bem bacana. Só ele e um guitarrista : http://youtu.be/iLGNqLAtTUI

Aqui tem o Luther tocando uma versão de "Stop Breaking Down" de Mr. Robert Johnson na rua: http://youtu.be/_j2RJHSu7pk

E mais um bem maneiro: http://www.youtube.com/watch?v=Tn2CQxbB8oY

E HOJE TEM JAM

A Galeria tá em reforma (para melhor atender sua seleta e simpática audiência), mas mesmo assim a gente vai lá tocar alguns blues e fazer nossa tradicional jam de segundas feiras. Não deve ser uma jam muito longa, daquelas de entrar pela madrugada, mas tá tudo certo. O Brum está descansando de sua atribulada vida de guitarrista operário num resort em Santos e por isso não poderá estar presente na Jam de hoje. Mas estaremos lá. Basa, Flavinho e eu. E estamos tentando aliciar o Sr. Marcelo Watanabe pra se juntar a nós. Se ele conseguir o alvará da noiva, pode até ser possível que ele apareça.

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 14h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



NOITES EM SÃO PAULO E O ROCK LONDRINENSE

DESCANSE EM PAZ, MEU AMIGO DIMAS GIMENEZ

Mutarelli e Linguinha - ontem na casa do Carcarah

Noites boas em São Paulo. Ontem fui na casa do Carcarah. Churrasco e cerveja. Existem poucas combinações melhores que essa. Talvez apenas arroz com carne moída. O Cabeça contando histórias e cantando seus mega-hits (quem ainda não ouviu "Menininho da cara tatuada" ainda não ouviu nada. Mutarelli se refugiando embaixo da mesa. O Angêli também tava lá. Muito bom encontrar com ele. Foi a primeira vez que a gente se trombou depois do incidente. Pra mim, é mais um daqueles caras que foram mitos na minha adolescência e que hoje tenho o privilégio de poder trombar e trocar idéia como velhos amigos. Falando em mitos que se tornaram amigos, Reinaldo Moraes me escreveu ontem. Tá em Buenos Aires com a família, mas como ele mesmo diz, a família dorme cedo, ele não. E a família não bebe, ele bebe. Grande Reinaldão. Saímos da casa do Carcarah já no cu da madrugada (eram tipo 4 e meia). A Wanessa me deixou no Biro´s e fiquei jogando bilhar com a rapaziada. Fiz dupla com o Flavinho dos Satyros e tava ruim de alguém tirar a gente da mesa. E a rapaziada foi chegando (Guizé, GrampáFlavinho Vajman, Pereio, Carcarah, Cabeça, Eldo, Jiraia, Linguinha) e formando duplas que a gente despachava. Já de manhã a gente perdeu pra dupla CarcarahLinguinha. Eram 9 da manhã e o querendo fechar o bar e era ruim da gente querer ir embora. Às 9 e meia, a rapaziada domingueira tava indo pra feira. Eu tava tomando uma cerveja com o Pereio, o Flavinho e o Jiraia no "Estrela da Roosevelt" e tentando evitar confusão. Uma vez eu disse que profissional sabe que tem uma hora que é pra parar. O Flavinho sempre quer tomar mais uma (É o Flavinho do Satyros, tá, Perla?). Pedi um café com leite e uma coxinha e fui dormir.

Hoje acordei e comecei a mexer na Internet. Aí encontrei esse blog que o Valkir tá escrevendo lá de Londrina. O Valkir é um amigo rocker das antigas. Ele canta (ou declama, como quiserem - a verdade é que ele é o band-leader) na "Bônus Trash" lá da nossa Pequena Londres. E ele inaugurou esse blog onde conta a história do rock londrinense. Tem ótimos textos lá que me transportaram imediatamente para o começo dos anos 80 quando tudo o que a gente fazia na cidade (música, literatura, teatro, vida boêmia) era rock and roll. Dia desses fiz uma letra meio que brincando e mostrei pro Brum (aí a gente colocou uma música que já estamos tocando nos shows da "Saco de Ratos" que é um pequeno raio X dessa época) que é assim: "Que saudade dos anos 80 / eu tava na casa dos vinte / não tinha barriga / enchia a cara e não me importava / naquele tempo eu barbarizava / não tinha ressaca / tudo era pretexto pra cair na estrada / eu tava sempre em movimento / era o rebelde do momento / naquele tempo eu era o tal / pensando bem, hoje até que eu tô legal"

É claro que se trata de uma auto-gozação com a nossa nostalgia. Mas fiquei pensando nessa música enquanto lia o blog do Valkir. Lembrei dos concorridos e bêbados (muito bêbados) shows da "Fahrenheit 451" (lendária banda de Londrina). Eu frequentava a república deles e a gente bebia muito por lá. Depois saía pra noite e ia pro shows e bebia ainda muito mais. As performances do grande, carismático e saudoso Dimas Gimenez (nosso Mick Jagger londrinense), e toda a saudável (?) loucura do resto da banda. E no outro dia a gente ia jogar futebol de salão, totalmente ressacados. Lembro de uma tarde que a gente ia jogar contra o Corpo de Bombeiros. Os caras bem preparados e tal, afinal eles faziam exercícios a semana inteira. Tinham que estar em forma pra combater qualquer incêndio. Mas não era o suficiente pra enfrentar o time de futebol de salão mais junkie da cidade. O Dimas sempre tava com um cigarro e uma cerveja na mão, até segundos antes de entrar na quadra. Aquele time parecia mais um Exército de Brancaleone cujo técnico era o Willian Burroughs. E mesmo assim a gente não perdia pros caras. Lembro que nesse dia terminou em empate. Não que eu ligue muito pra esse negócio de ganhar ou perder. Até pode parecer contraditório isso, já que falei que demorou pra gente perder no bilhar ontem e agora tô falando que nosso escrete junkie não perdia nem pro Corpo de bombeiros da cidade, mas é que é verdade mesmo. E na boa, tô cagando. Gosto de me divertir. Se ganho, acho legal. Mas se perco, tá tudo certo também. Afinal como diz o meu amigo Pereio: "Quem ama a vitória, ama a destruição". Mas é que a gente não perdia mesmo. Mas eu tava falando dessa rapaziada rocker de Londrina, né? Pois é, eram grandes caras e depois de ler o blog do Valkir, fiquei lembrando de tudo. Dos shows, das bebedeiras, dos jogos de futebol e das nossas longas conversas na madrugada. Foram tempos muito bons. Lembro um pouco dessa época na música "Walking on the City" (parceria minha com o Marcelo Leite da "Fahrenheit 451") que a gente gravou no disco "Cachorros gostam de Bourbon" e que de vez em quando a gente toca nos shows da "Saco de Ratos" ("pois tudo o que eu faço sem você é andar em ambulancias / conhecer enfermeiras que gostam de jazz / me explicar pra tiras que não gostam de polícia / beber um vinho em festas universitárias e procurar respostas na Cerimônia do Adeus"). E o Valkir tá lembrando de tudo lá no blog dele. E tem depoimentos da rapaziada que viveu tudo aquilo com a gente. Fiquei nostálgico mesmo nessa tarde graças ao blog do Valkir. E como diz o grande Rodrigo Amadeu (da "Cherry Bomb") em um dos depoimentos: "Descanse em paz, meu caro Dimas Gimenez. O resto é conversa".

AQUI O LINK PRO BLOG DO VALKIR : http://www.rocknrolllondrina.blogspot.com/

AQUI O LINK PRA UM ENSAIO DA BANDA "FAHRENHEIT 451" na lendária república perto do Zerão (eu tava lá nesse dia, sentado no chão bebendo cerveja, inclusive eles gravaram com a nossa câmera que na verdade era do Celsinho Matos, mas que a gente sempre andava com ela. A Formação no ensaio é Dimas Gimenez no vocal, Eduardo Victor na guitarra, Marcelo Leite no baixo e Marcio Galvan na Bateria) : http://www.youtube.com/watch?v=eg5jgQuLBUg



Escrito por Mário Bortolotto às 17h11
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Escrevi este texto há muito tempo. Não lembrava mais dele. Hoje tava mexendo nos meus arquivos e encontrei. É uma espécie de auto-biografia tumultuada ou intraduzível na íntegra, ou como preferi chamar, um reality show.

REALITY SHOW

 

A noite clara. Lobiswoman descendo a rua. O leão de Neméia rugindo no Discovery Chanell. Alface ao limão do Marcião. Navalha na pele. Balas Apache. O Batmóvel. Basilicão para espinhas. Jim Bean de Natal. Bebo sózinho na madrugada de passagem. Jatos de porra no poster da playmate. Meu irmão deixando a perua atolar. Prece para um condenado. Quero que toda a Gurulandia se fôda. O melhor suco de melancia que tomei foi no Flamengo. Caligula enrabava efebos enquanto centuriões lambiam seu cu. A putaiada romana chupava cacetes palacianos. Marina Lima assobia um tango na noite de Ipanema. Aqui se come caqui. Afrodite não queria Helena por perto. Professor Rivato sabia 2.000 assuntos. Minha filha respira forte e me emociona. Meu pai se exibindo pras putas no Tibagi. Nunca usei calças boca de sino. Tenho esse problema com autoridade. O planetário. Pepe Lanzetta. Domingo de Ramos. Zé Buscapé. A máquina de costura ainda existe. Principe Submarino. Os vizinhos assistindo a Copa 70. O leão na jaula. A gente fugia pra ver. Depois brincava de bola queimada. Sandra que eu desejei no Recreio. Merenda de sagu era a mais gostosa. Aluga-se Moças. Rita Cadilac sendo enrabada no banco rebaixado. Festa de São João. Devastação de formigueiro. Eu plagiando o Barão de Munchausen e recebendo os maiores elogios. Um garoto morrendo sozinho, congelado, em algum lugar do Alasca. O Colosso de Rodes. A Miss dançando quadrilha. Salada Mista. Jakob Dylan chegando lá. Feios, sujos e malvados. Pepe Legal usa chapéu porque é carequinha da silva. Meus discos e nada mais. Bob Esponja é um puta nome legal, pra um bêbado. Posso ficar mais perto de você. Quer deixar pra amanhã? Tônica Diet. Já fui padre em casamento caipira. Caí de janelas e andei de ambulancia. Voltar pra casa, na chuva. O carro indo pra Ourinhos. Foi quando aprendi o que era distancia. Sexta-feira é dia de comer pastel na feira. Três Mosqueteiros. Ilha do Perigo. Tra-la-la. Andar no trem fantasma com uma bicha louca. Pedágio pra garantir os cincão. Fabinho e seu incenso do cão. Não enxergava porra nenhuma no quadro negro. Slides de bucetas rebentadas de sifilis. Feira de ciências. Panquecas no café da manhã. Bolo de fubá. Prenderam meu amigo Japa nas Lojas Americanas. O cara carregando um peixe nas costas. Leite de Magnésio. Pluto derrubou a escultura. Concurso de quem beija mais. Garota da Lotérica. O Druída Panoramix é o único que eu boto fé. Vinho Sangue de Boi debaixo da pia. Sorvete mini saia. Refresco Saci. Os gatos faziam a festa quando meu pai chegava do Tibagi. Os lagartos das Sete Quedas. Casinha Branca. Será que vamos lembrar de velhas trepadas? Dentro do vidro de Toddy tinha um indiozinho. Quando foi que comi o primeiro hot dog? Podem ficar com a agropecuária. O gato na barriga do meu pai. Tinha uma fonte. Tinha peixes na fonte. Tinha macacos no bosque. Dormir abraçadinho. Tem menina que chama de colherzinha. O incêndio do Joelma eu vi na tv. Troço feio de se ver. O padre que matava morcegos. Missa da Juventude. Procissão. O cara com nome de papagaio comprou um livro do Bakunin. Ilha da Fantasia. A gente ouvindo Rain Dogs. Os ratos passeando lépidos. Você vomitando grosso um brinco de pizza e cerveja barata. Missa do Galo. Peg-Pag. Não pode beijar no banco do supermercado.  Don Juan do Grupo Sérgio. Tio Miguel faz Aerowillis. Mãe Lica prepara ovo frito. Gravidade Zero. Propostas de casamento. Não tomei conhecimento de minha mãe no caixão. Sultão era um pastor alemão. Corredor da morte. Bruce Lee era Kato. Meu primeiro coturno foi um acontecimento. Carnaval em Curitiba. Nadia Lippi na Folhinha. Ki-chute e Iris Tock. Merda de pagode. Rose Di Primo. Cheirinho de pão feito em casa. Tinha que chegar antes das seis. Contendas na saída da aula. Cicatriz de arame farpado. Gota d’Agua. Bermuda Jeans. Papagaio que imita travesti. Minha mãe tirou dinheiro da poupança pra me comprar uma máquina de escrever. Meus pés inchados. Meu fígado detonado. Providencias proteladas. Torcida do Londrina. Vergonha de nudez. Noite em claro. Al Pacino tá puto da vida. SuperMan-o filme. Born to be alive. O negrinho do Pastoreio fazendo a alegria do formigueiro. Historinha filha da puta. Banho de agua fria. Dalila era bem gostosona. Sansão não quis saber e se fodeu. Carnaval é uma merda, mas tem a Valéria Valensa. Praia de Matinhos. Pecado Capital. Fio Maravilha é obra prima. Quando eu quis ficar elegante, lavei a cabeça com Colorama. Em Rio Preto a garota me roubou o chopp, depois sentou no meu colo dentro do onibus. Gincana do Apocalipse. Marvin Gaye. Tentei ler O Capital. Meu primeiro baseado em Maringá. Felicidade pra mim é uma música com o Silvio Brito. O melhor sonho fica na Major Diogo. Garfield sorri num dia de fúria. Eu vi Neil pisar na Lua e o outro Armstrong cantou Wonderful World. Eu tenho um dicionário Janio Quadros. Coloquei dois escorpiões pra ver qual é. Minha mãe me deu régua e compasso e eu não tinha a menor idéia do que fazer com eles. Farinha Deusa. Histórias em quadrinhos em preto & branco. Jimi Hendrix cantando pros amigos no boteco. Os tubarões não são os assassinos que queremos crer. Rubem Fonseca. Calvin & Haroldo. Meia Oito e Nanico. Wood & Stock. Abbot & Costello. Futebol de Salão. Saudosos sabados londrinenses. Não quero saber do que me contam sobre os outros. Tenho prestado mais atenção em minha vida. Não tem sido exatamente divertido. Mas tenho estado inexplicavelmente surpreso.



Escrito por Mário Bortolotto às 20h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



ENTREVISTA MINHA NO CRONÓPIOS

Foto : Nelson Kao

CLICA AQUI : http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4655



Escrito por Mário Bortolotto às 08h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



HOJE TEM SACO DE RATOS NO CAFÉ AURORA

E vamos lá fazer o que a gente mais gosta. Talvez seja uma noite chuvosa, sei lá. Gosto de dias de chuva. Eu tenho até uma música que se chama "Dias de Chuva" ("Sua tonta / não sabe que em dias de chuva / eu passo da conta"). Fico em casa lendo um livro ou escrevendo. Às vezes paro tudo e fico deitado por longos minutos ouvindo a chuva cair. De vez em quando abro a cortina e fico olhando lá pra baixo. As pessoas correndo, tentando se proteger ou chegar logo aos seus destinos. Acho que a chuva tem estilo, elegância. Mesmo quando ela tá puta da vida e cai violentamente. Ainda assim, com grande estilo. Ontem, apesar da chuva, saí pra rua. Tinha que ir no banco. Depois fui fazer um dos troços que mais gosto que é andar pelo centro da cidade (acho que é uma das coisas que mais ia sentir falta se tivesse morrido no ano passado). Comer um X-Fartura na Galeria do Rock. Comprar DVDs na galeria do lado. Subir até a Baratos Afins pra trocar idéia com o Calanca. Ontem tava lá o Eddy Star. O último sobrevivente da "Sociedade da Grã-ordem Kavernista". O primeiro Glitter brasileiro. O primeiro homessexual assumido do Rock and Roll. Podem crer que não é o Serguei. Ele vai fazer um show no Studio SP por esses dias. Conversamos um pouco. Ele quis tirar uma foto. Cara muito bacana. Depois fui até a Aqualung pra pesquisar CDs de Blues. Saí de lá com o Terry Evans (que eu falei aqui ontem), um Taj Mahal, um Jimmy D Lane (filho do Jimmy Rogers - esse CD é foda - tem uma versão de "I Shall be released" que é de cortar logo os dois pulsos), um que eu não conhecia (e não gostei muito) do Derek Trucks Band (pelo menos tem a participação da Susan Tedeschi e do Salomon Burke - dispensava fácil a participação do Rubén Blades) e um outro de blues uruguaio ("Dias de Blues") que eu ainda tô tentando assimilar. Não tenho certeza se gosto ou não. Mas gosto desse tipo de raridade. Tenho até um LP de blues alemão que comprei há muito tempo. Depois voltei pra casa e fiquei escrevendo e digitalizando fotos. Só saí pra jantar no Planeta´s. Me sentei sozinho e fiquei lendo Piva enquanto esperava os meus amigos garçons me trazerem a comida. Depois voltei pra casa e assisti dois filmes. Um daqueles filmes de ação totalmente B de brigas de rua que eu gosto pra caralho ("Punhos de Aço" - dá pra sacar o naipe do filme pelo nome, né?) e um outro de suspense ("Beautiful") mais ou menos interessante. O personagem principal é bacana. Um garotinho meio outsider, tido como "esquisito" que não consegue ter amigos e nem se relacionar com ninguém se apaixona por uma gostosinha bem perva que mora ao lado da sua casa. Aí, é claro, o moleque só faz uma merda atrás da outra. Foi um bom dia. Tranquilo, do jeito que gosto. Ah, assisti também e recomendo o "To late Blues" do Cassavetes. Não conhecia. A história de um grupo de jazz que só toca em eventos furados. Tem um momento do filme que eles estão tocando num parque pra ninguém. Eles até brincam dizendo que estão tocando para os pássaros e para as árvores. O líder da banda (o pianista interpretado por Bobby Darin) é um daqueles músicos idealistas que não aceita negociar sua arte. Ele se apaixona por uma candidata à cantora e sua vida vira uma merda só. Um filme menor do grande diretor de "Shadows", mas ainda assim bom pra caralho. Nem sei porque tô escrevendo isso tudo. Acho que é porque foi um dia bacana e eu quis escrever. Blog é pra isso. Enfim, hoje tem "Saco de Ratos" no Café Aurora (com ou sem chuva) e vai ser bom como sempre tocar com os meus amigos da banda.

às 24h no Café Aurora (que fica na Rua 13 de Maio, 112, no Bixiga). Lá os ingressos tem preço único de R$ 5.

As fotos (maiores) são de Juliana Baraúna.

________________________________________________________

E hoje também tem "Tape" no Satyros 1. A apresentação da semana passada foi bem bacana com um público muito maneiro. Tô bem satisfeito com o resultado do trabalho e com o elenco.

Eu sei que tá dificil de ler nesse flyer.

A parada é a seguinte. Hoje, quinta-feira às 21h no Teatro dos Satyros 1 (Praça Roosevelt, 214). E fica em cartaz sempre às quintas feiras.

O texto é do Stephen Belber

A Direção é minha

E no elenco estão Pedro Guilherme, Marcelo Selingardi e Carolina Manica.



Escrito por Mário Bortolotto às 11h22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



NOITES DE WHISKY E BLUES

Ouvindo Terry Evans. Um CD de matar com o Ry Cooder na guitarra e o Jim Keltner na bateria. Lendo o livro "Encontros" com o grande Roberto Piva ("Vão pro diabo que os carregue. Eu vou pra praia"). Assistindo uma pá de filmes do Cassavetes. Meus dias tem sido tranquilos. As noites quase são. Ontem fiquei bebendo com meus amigos Brum e Pereio. Tudo certo. Mas por pouco não arrumo uma encrenca. Por mais que eu queira ficar na minha, sempre tem um babaca pra tirar a gente do sério. Às vezes penso seriamente em ficar refugiado bebendo em casa pra não ter que trombar com gente desse naipe. Mas é assim mesmo. A noite é o melhor da vida. Mas pode ser também o pior. Passei antes na Mercearia e fiquei bebendo sozinho encostado no balcão e trocando idéia com o Marquinhos. Tava uma noite boa, asfalto molhado. Abro a janela do táxi, e fico ouvindo música no MP3 enquanto sigo pela Dr. Arnaldo. Ah, se fosse sempre assim. The story of my life.

Um amigo me escreve e pede pra eu rezar por ele. Tá tentando se livrar de uma história muito pesada. Tô meio enferrujado nesse negócio de rezar. Não devemos perder os bons hábitos. Uma espécie de reencontro, sabem como é.

AMANHÃ TEM SACO DE RATOS NO CAFÉ AURORA

às 24h no Café Aurora (que fica na Rua 13 de Maio, 112, no Bixiga). Lá os ingressos tem preço único de R$ 5.

As fotos (coloridas) são de Juliana Baraúna.



Escrito por Mário Bortolotto às 19h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A MANHÃ OUVINDO FRANK SINATRA

O escritor Harvey Pekar, em foto de 2003

Fiquei sabendo agora que o Harvey Pekar morreu. Por coincidência tava ouvindo Frank Sinatra. Não sei porque mas sinto que há uma ligação entre eles, embora Harvey fosse do tipo que ouvia blues antigo. Ele conheceu Crumb comprando discos antigos de blues como aparece no filme "O Anti-herói americano" que retrata a vida de Harvey e é brilhantemente interpretado por Paul Giamatti. Os dois ficaram amigos. Crumb passou a desenhar as histórias de Harvey. Tô ouvindo Frank Sinatra e com vontade de assistir novamente o filme. Talvez faça isso. Talvez releia "Bob e Harv" que a Conrad lançou por aqui. Aliás, é o único Pekar no Brasil. Ele chegou até a escrever uma história sobre os Beats (The Beats: a graphical history). Vamos esperar que saia por aqui. Sinto que há uma ligação entre Harvey e Sinatra. Também sinto que há uma ligação entre ele e meu amigo, o brilhante escritor Marcelo Mirisola. Lembro de assistir o filme e ficar o tempo todo pensando no Mirisola. Era como se o Paul Giamatti conhecesse Mirisola. Bem, ele conhecia Harvey. Meu amigo Fábio Espósito (o Xepa) que interpreta genialmente o Mirisola no teatro (em "O Herói Devolvido" - quem ainda não viu, vai ter a oportunidade de ver na nossa V Mostra Cemitério de Automóveis em Setembro), poderia interpretar o Pekar, ou interpretar o Paul interpretando o Pekar. A verdade é que há uma ligação entre todos eles. Uma ligação que não sei explicar. Vou ficar por aqui ouvindo Frank Sinatra. Talvez releia Pekar. Grande Cara.



Escrito por Mário Bortolotto às 13h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]