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Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto


SOBRE LIGAÇÕES DE MADRUGADA, GAROTAS BOAS E GAROTAS MÁS

Ela ficava ligando. Ela é uma boa garota. Bebe algumas doses de vodka a mais, mas é uma boa garota. A gente saca só de olhar pra ela. Ela tinha batido o carro. Rolou a mó treta porque tinha uma criança no carro. Ninguém se machucou, graças ao Bom Deus com quem o Paulão toma um trago de vez em quando. Antes a gente tinha bebido um bocado e eu e o Brum fechamos a noite tocando músicas do Cazuza. A Fernanda cantou com a gente e foi du caralho: "Baby, você marcou touca / marcou / porque eu sou carne de pescoço / você topou com um louco / pra se livrar de mim, vai ser fogo, vai ser fogo". Aí começou a chover. Era uma chuva forte, do tipo que leva pra longe qualquer tipo de angústia. Coloquei o meu violão na sua capa plástica e saí andando no meio da chuva atrás de um táxi. Eu ando assim, totalmente independente depois que descobri que inventaram esse negócio chamado táxi e que você só tem que ter algum dinheiro pra ele te levar pra qualquer lugar. Se decido que vou embora, é um, dois. Não fico esperando carona de ninguém como eu fazia antes. Na verdade nunca fui disso. Ia embora andando no meio da chuva, de qualquer jeito. Sempre fui um filho da puta orgulhoso. E ontem tava chovendo pra caralho. Não passava nenhuma porra de táxi. Andei três quadras e nada. Fiquei na esquina com o violão na cabeça tipo uns dez minutos até aparecer um abençoado táxi graças ao Bom Deus pra quem o Paulão paga umas de vez em quando. Cheguei no Parlapatões e encontrei a Paulinha com o Marcelo Paiva. Ainda tinha meia garrafa de vinho que eu matei. E ela ficava ligando. Ela tinha batido o carro. Eu perguntava: "Onde cê tá?" Ela respondia com aquela voz malemolente que as gurias ficam quando tão muito bêbadas: "Eu não ssseeei". "Porra, então levanta daí e pergunta pra alguem na rua. Eu pego um táxi e vou aí te buscar, mas você tem que me dizer onde é que você tá." Mas ela ficava naquele mantra insuportável : "Eu nãããõ sssseeeiii" Depois de muito tempo e várias ligações, a janela do carro aberta, ameaça de assalto e o escambau, ela descobriu que tava na Rua Vergueiro e que era perto da casa dela. Conseguiu chegar em casa e me ligou de lá dizendo que tava tudo bem. Eu fiz ela prometer que ia me ligar. Porque eu sou o cara que desarma bombas, tá ligado? Sempre fui o sujeito que entra no meio do conflito e vai lá e desarma a porra da bomba. Eu não sou o cara que fica escondido atrás do tanque chorando porque a vida tá uma merda, porque o meu amigo me traiu e a minha mulher não me quer mais. Eu escrevo sobre isso, faço um blues, vou lá e desarmo a bomba. E depois vou contar piadas e rir com os amigos que me sobraram. E por isso a minha dor é menor que a dos outros? Se liga. A diferença é que eu não vou escrever novela pra televisão. A noite é assim. Ela nos proporciona, nos espanca e nos tira tudo o que temos. A noite não perdoa. Ando pra dentro dela. Meu violão nas costas. Todos os bons bares estão fechados. Venho pra casa. Tá um calor filho da puta. Meus amigos foram pra um bar da Rua Augusta. O tipo de bar que evito. Há alguns bares que evito. Bar pra mim é uma espécie de lar. Eu tenho que me sentir bem, senão vou querer ir embora, vou querer evitar, vou querer ir pra qualquer outro lugar. Fiquei andando pela kitchenete matando o que sobrou da garrafa de Bourbon. Vou abrir a outra amanhã. Tá um calor du caralho. Fiquei ouvindo o pianinho maluco de Henry Butler enquanto dava conta da garrafa de Bourbon. Ontem conversava sobre boas e más garotas. No fundo são todas boas garotas. Dessas que ligam pra gente de madrugada, largadas dentro de um carro, tão bêbadas que não sabem onde estão. As que ficam perdidas esperando uma ligação qualquer de um bêbado na madrugada e as que insistem contigo que são suaves apesar de você sentir de imediato o perfume entorpecedor da encrenca. Porque eu vou te dizer, meu camarada, tem gente que é viciada em drogas, outras em bebida, outras em jogos. E tem aqueles que são viciados em encrenca. Ainda bem que todos estão bem nas suas casas graças ao Bom Deus pra quem o Paulão paga uns tragos de vez em quando. Quanto a mim? Acabei aquela garrafa de bourbon e capotei. A última música que ouvi foi a do ventilador.



Escrito por Mário Bortolotto às 12h59
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A NOITE É QUE NOS PROPORCIONA

Foto de Fábio Reoli

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Uma garota me perguntou:

"Qual livro seu você me recomenda?"

Respondi:

"Nenhum. Eu te recomendo qualquer um do Dostoiévski"

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Pereio tava conversando com a gente e soltou essa:

"Disse pra ela então : Já fui rejeitado por mulheres muito piores que você"

E o Marcelo Paiva perguntou:

"Pereio, porque as mulheres nos rejeitam?"

Ele respondeu:

"Só posso responder por mim. No meu caso, é sempre por um motivo justo. E ainda bem que elas me rejeitam, senão como é que eu ia explicar na delegacia?"

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E hoje li no Blog do Bruno Bandido uma frase do filme "O último Boy Scout" (que é um dos meus clássicos). O filme tem grandes tiradas. É um grande roteiro com ótimos díalogos. Bruce Willis interpreta o personagem principal, um detetive de quinta categoria, loser total. Ele chega em casa, depois de uma noite em que perdeu todas no jogo e flagra o melhor amigo que tinha acabado de comer sua mulher. Ele pergunta pra mulher porque afinal ela o traiu. Ela diz que tava se sentindo sozinha, que ele sempre tá ausente e que ela precisa de carinho, enfim...todos nós tamos cansados de saber todas as justificativas delas. Ele então diz pra ela: "Você devia ter comprado um cachorro". O amigo morre numa explosão mais tarde e ele confessa: "Eu gostava daquele cara que comia a minha mulher". Aí o outro cara pergunta pra ele: "Você tem uma filha, né? Ela gosta de você?". Ele responde: "Não. Ela gosta do Prince".

E essa semana fui "acusado" de ser um cara romântico. Na verdade, não me incomodei com a "acusação". Só achei que não era segredo pra ninguém. Ela perguntou: "Posso te falar uma coisa?" Eu disse: "Claro, fala o que você quiser". Ela então disse: "Você é um cara romantico". Caramba, é claro que eu sou. Será que algum dia passei outra impressão? Sou um romantico meio atravessado, esquisito, mas é claro que eu sou. Se não fosse, não escrevia esse monte de poemas arrasados e esses textos deploravelmente angustiados que escrevo. E não fazia tanta merda e não metia os pés pelas mãos como sempre faço. E não me ferrava tanto. Posso até lamentar, mas sou.

E é por isso que gosto muito dessa frase do filme que o Bruno transcreveu:

queria que o céu não fosse azul, que a água não fosse molhada e que eu não amasse a minha mulher”.

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Agora vou lá pra Coletivo Galeria (Rua dos Pinheiros, 493) pra nossa primeira jam com churrasco. Vou lá tocar algumas baladas românticas.



Escrito por Mário Bortolotto às 16h47
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NOSSA PRIMEIRA JAM COM CHURRASCO

E hoje (Domingo)  vamos inaugurar a nossa Jam com Churrasco lá na Coletivo Galeria. É mais ou menos o que a gente fazia nas quintasfeiras por lá. Basa, Flavinho Vajman e eu ligamos os instrumentos e tocamos algumas de nossas músicas (rocks, blues e baladas auto-irônicas) e algumas de outros caras que a gente admira. E a rapaziada fica bebendo e participando. Às vezes largamos os instrumentos nas mãos de alguns amigos e ficamos na platéia bebendo e se divertindo. Aí o Brum chega e manda ver um puta blues. De vez em quando o Watanabe também baixa por lá pra botar "mais lenha nesse inferno" como diria o grande Itamar Assunção. Ou a Luciana Vitaliano. Ou a Fernanda, que disse que vai amanhã. Ou o Rubens K, enfim, gente pra caralho. É um clima de jam mesmo. Uma jam entre amigos, mas que não é fechada pra ninguém. Só os chatos são proibidos de participar. E o diferencial dessas jams de Domingo é que vai ter churrasco e vai ser tipo fim de tarde (vamos começar tipo 16h30) e se estender pela noite. O que você tem pra fazer em casa nos domingos à tarde? Assistir Faustão??? Caramba!!!

ah, e a bagaça é grátis. Tu só paga o que consumir de "churrasco" e bebida.



Escrito por Mário Bortolotto às 08h20
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HOJE NO SESC CONSOLAÇÃO

Vou participar do projeto "Que viva Leminski" lendo alguns poemas do Cara. Estarei muito bem acompanhado do meu amigo Ademir Assunção, da grande Alice Ruiz e da linda e talentosa Aurea Leminski (é muito foda o privilégio de ver mãe e filha lendo os poemas do marido e pai respectivamente). Começa às 20h no Espaço Beta. O Sesc Consolação fica na Rua Dr. Vila Nova, 245.



Escrito por Mário Bortolotto às 09h02
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HOJE TEM "BRUTAL"

E o meu amigo Márcio Américo escreveu sobre a peça em seu blog:

BRUTAL , O OVO DA SERPENTE

 

Tudo pode ter começado como uma brincadeira. Fim de churrasco. Amigos bêbados. Alguém começa a brincar com o litro de querosene, talvez apenas respingue gotículas no amigo chato, os outros gostam da brincadeira, e atiram mais algumas gotas, então, de repente, cria-se um pequeno método: se rir vai levar querosene. Logo haverá um deles encharcado. Brasas na churrasqueira. Alguém manuseará um ameaçador isqueiro. Já sente-se cheiro de carne humana queimada. A intolerância me parece seguir este mesmo trajeto. Tudo começa como uma brincadeira, como uma coisa que parece legal, que alivia a tensão. O espetáculo Brutal do meu amigo Mário Bortolotto narra com perícia esta trajetória. Um sujeito com grana e sem nenhum ideal na vida encabeça uma sub-seita, arrebanha pessoas, cria normas de convívio, de (a)moralidade, até que a intolerância, feito querosene, começa a espalhar-se por ali, o incêndio vem, e vem de uma forma brutal.

O espetáculo é construído de forma a não desviar teu foco do que está acontecendo. Há uma música, um troço que parece te pegar pelo colarinho e te dizer: Escuta Zé! Tudo é mínimo pra maximizar a informação. Não há blags, o riso é do tipo sardônico. Quanto ao time de atores... bem.... não vou cair na ratoeira inventada por algum critico de teatro que procura “destacar” o trabalho de tal ator. O que se vê em cena é um grupo coeso, cada ator trazendo muito de si, dando tudo, exaustos ao final da apresentação. Teatro é coletivo.

Brutal mostra como tudo pode começar como uma boa idéia pra salvar a humanidade, uma coisa simples, algo como: ama teu próximo como a ti mesmo. A frase é sinérgica. Atrai pessoas. Mas logo os cabeças começam a notar insatisfação, seus membros simplesmente não conseguem “amar ao próximo como a eles mesmos”, eles então dão o próximo passo, criar regras a fim de que, se não podemos amar ao próximo como a nós mesmos, poderemos pelo menos saber a quem odiar. Faz-se então uma lista de pessoas a serem odiadas: aqueles que comem carne em determinados dias, as que abortam, aqueles que não cortam a pele em volta do pau, os que aceitam transfusão de sangue, os que dão a bunda, que chupam pau, que cometem adultério. Pronto. Eu não consigo amar ao próximo, mas isto já é coisa do passado, o que importa agora é exterminar com aqueles que não aceitaram o código. O código é o fogo. Mas o código é frouxo também. Assassinar com uma arma é perdoável, mas assassinar um embrião sem nome nem CPF é passível de fogueira. Botar o pau na boca de uma criança de 10 anos, ejacular em sua cara, é uma coisa muito feia, mas sair por ai dando a bunda pra qualquer um de forma se possa te rotular de “gay”, aí o bicho pega: Fogueira. Se você se envolve numa pesquisa para a fabricação de novos armamentos para exterminar a raça humana, tá tudo certo, mas se vocês fizer pesquisa com células tronco para salvar a humanidade: a fogueira te espera. Mas o código pode ir além, e o código nem precisa apresentar a lei por escrito, ela é apenas sussurada de um ouvido ao outro: negros, asiáticos, russos precisam morrer. Assim funciona a intolerância. A intolerância nossa de cada dia.

Se você ainda acha que é possível ser inocente, talvez você não veja, mas tenha nas mãos um fósforo aceso. Brutal pode ser um sopro na direção da chama.

                                                (Márcio Américo)

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Com essa temperatura devastadora, achei que a noite de ontem ia ser hardcore. Sempre acho que no clima quente acontecem grandes cagadas. Até escrevi isso no texto "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifacio". Mas foi das mais tranquilas, apesar de todo o alcool consumido. Jantei com a Fernanda e a gente aproveitou pra conversar sobre nossas vidas de uma maneira tranquila e serena como temos conseguido de vez em quando nesses últimos 20 anos que a gente já se conhece. É sempre muito bom quando conseguimos. Depois o Eldo e a Dani chegaram e foi tranquilo também. Depois fui lá pro Aurora fazer o show com a "Saco de Ratos". Bebi devagar e fizemos um dos nossos shows mais tranquilos e corretos musicalmente. Determinada hora falei pro Brum: "Vamos tocar Homem de Bar". ("Você quis me dar uma vida boa / mas eu sou daqueles tipos a toa / eu sou assim / como uma erva ruim"). Grande música do Renato Fernandes. A gente nunca tocou essa música com a banda. Mas aí um olhou pro outro e falou: "vamos lá, vamos fazer uma versão mais rock". E foi di prima. A gente até repetiu a música no final de tanto que a gente gostou do resultado. Depois fui jogar bilhar no Biro´s. Fiz uma dupla com o Basa e a gente não perdeu nenhuma. Nem o Massao conseguiu nos tirar da mesa. E aí os copos de whisky foram se materializando na minha mão de novo. Já era de manhã quando o Brum e eu entramos na "Amistosas" depois de um café da Manhã no "Estrela da Roosevelt". Apenas dois amigos conversando tranquilos e andando pela rua, com whisky em copos descartáveis. Vim pra casa tranquilo. Tinha um recado de uma amiga no meu e-mail. Respondi: "Te escrevo depois. Tô muito bêbado agora". Coloquei a música "Pensando em você" do Paulinho Moska ("Eu estou pensando em você / pensando em nunca mais / pensar em te esquecer"). Bonita música. Liguei o ventilador e fui dormir. Às vezes faço dessas coisas.

 



Escrito por Mário Bortolotto às 13h57
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HOJE TEM "SACO DE RATOS"

Hoje a gente volta com os shows da banda. Agora vai ser de quinta-feira. No Café Aurora. Mesma coisa de sempre. R$ 5 a entrada e cerveja em lata à R$ 3.

O Café Aurora fica na Rua 13 de Maio, 112 (Bela Vista). O show começa tipo 23h30.

Fotos de Luiz Filipe Ogro

Acabei de chegar do Rio de Janeiro. Não dormi porra nenhuma. Paulinha e eu ficamos bebendo até o sol nascer no Leblon. Como ninguém queria vender cerveja pra gente, ela subia no quarto do hotel, pegava cervejas e voltava. E a gente ficava bebendo olhando o sol nascer. Todas aquelas pessoas passando fazendo jogging e a gente enchendo a cara. E o mais engraçado é que ela ficava perguntando pra todo mundo se alguém tinha isqueiro. Foi muito engraçado ver a reação das pessoas. O profundo desprezo que elas tinham por nós e pelo pedido da Paulinha. Preciso dormir agora, numas de ficar razoável pro show de hoje à noite.



Escrito por Mário Bortolotto às 12h29
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ELVIS É ASSIM

Esse é o nome do filme que emocionava a minha mãe. Sempre que eu tava assistindo na sessão da tarde, ela sentava na poltrona e em determinado momento do filme, mais precisamente quando Elvis cantava "Bridge Over Troubled Water", eu olhava pra ela e a flagrava com as lágrimas correndo pelo rosto. Ela não entendia o que o Elvis tava cantando, mas ela entendia o sentimento dele. Meu pai era um cara abrutalhado que se metia em brigas terríveis nos bares e toda a família dele era assim. Meu tio arrancou a orelha de um cara numa briga de bar. Então algum idiota podia imaginar que o meu pai era só isso. Mas eu sempre o entendi. Eu sei que ele foi obrigado a trabalhar dirigindo um caminhão antes de atingir a maioridade e que o caminhão que ele tava dirigindo caiu numa ribanceira e que o meu avô cobriu ele de porrada e fez com que ele trabalhasse exaustivamente até pagar o prejuízo. Eu sei do olhar perdido dele sentado lá fora com um copo de cerveja na mão e fumando um cigarro, triste pra caralho. Eu sei que minha filha escreve pra mim os e-mails mais emocionantes que eu tenho recebido nos últimos anos. Eu sei de tudo. Eu sei que os copos de whisky se materializam nas minhas mãos de uns tempos pra cá. E sei que fico louco, bêbado e carente de madrugada. E sei que ligo pra mulheres de madrugada esperando alguma espécie de afeto. E sei que me arrependo no dia seguinte. E sei que mesmo assim acho poético ficar completamente bêbado e ligar de madrugada. Isso prova que ainda tô vivo e me emocionando com verdade. Não me interessa o caminho do meio e da racionalidade. Só me interessa esse pulsar descompassado, essa embriaguez emocionada. Um amigo me deu de presente o último filme do Almodovar. Não consegui entender. Almodovar não me interessa. Até acho que ele é um bom cineasta. Não sou Caetano Veloso. Eu gosto é de Woody Allen, mas não vou dizer que o Almodovar é um cineasta menor, até porque não acho que ele é. Mas Almodovar não me interessa. Eu sou o caipira de Londrina que se emocionou assistindo o último Rock do Stalone. Eu não quero ser levado a sério pelos sujeitos bem inteirados. Eu não fui ver Lars Von Trier. Sinceramente não me interessa. Eu prefiro ficar em casa e ler pela enésima vez "Lily e o Caçador" do Ken Parker. Acho que as pessoas tem uma visão errada a meu respeito como tiveram do meu pai e da minha mãe e que ainda podem ter a respeito da minha filha ou da minha irmã ou a respeito do meu irmão cujo apelido era "taciturno". Nós somos assim. Um cara queria vir em casa e me mostrar algumas músicas. Disse pra ele: "Pelo amor de Deus, não faz isso não, gosto de ficar em casa sozinho. Depois você me mostra as músicas na rua". Eu sou o cara que gosta de ficar sozinho em casa à tarde, assistindo algum filme antigo ou lendo um livro e sou o mesmo cara que tem saudades dos amigos e que quando chega a noite, tem que sair e implorar por algum tipo de confusão. Vou continuar bebendo muito, e ligando de madrugada e me arrependendo depois (por ter sido muito chato) e na sequencia vou achar bonito ter tido a manha de ligar, de ficar sozinho no meio da noite esperando alguma resposta que não vai vir. Eu sou apenas o cara que se emocionou muito quando era garoto assistindo um velho filme com Dennis Quaid em que ele interpretava um cantor country que se metia em lutas de boxe. Lembro particularmente de uma cena em que sua esposa está brigando com ele. Em determinado momento ele explode e diz pra ela: "Eu te dei tudo o que podia e você pode pedir o que você quiser, mas não me peça pra perder minha sensibilidade". Eu sou o cara que não consegue parar de escrever. Tenho que entrar numa lan house e escrever algo, nem que seja apenas esse texto desconexo. Eu sou o cara que vai entrar num avião agora pro Rio de Janeiro. Vou ouvindo Lynyrd Skynyrd. Espero que isso não seja presságio de nada, se é que me entendem.



Escrito por Mário Bortolotto às 14h00
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HOJE NO RIO DE JANEIRO

Acordei bêbado e tô indo pra lá. Noites estranhas!



Escrito por Mário Bortolotto às 12h13
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FIM DAS SATYRIANAS

Bebedeira colossal. Cassiano apareceu com uma garrafa de Grand Old Parr. Daí pros Reds e Jacks dos Parlapatões e pros Blacks do Biro´s foi só um aceno. Antes quando ainda tava sóbrio fui assistir a estréia do filme "Cabeça a Prêmio", primeiro filme do Marco Ricca baseado no livro (o melhor dele, na minha opínião) homônimo do Marçal Aquino. O filme ficou bacana e o elenco tá muito bem. É claro que tem a merda da gente sempre gostar mais do livro, mas é um ótimo filme. O Marco consegue passar pro filme aquela tristeza seca dos livros do Marçal. Há particularmente um momento muito inspirado com Brito (Eduardo Moscovis) esperando sua namorada sair do trabalho (eles tinham se desentendido). Ele vai alternando essa cena com outras de outros personagens. Ela entra no táxi e ele vai embora sozinho andando pela rua deserta. Du caralho. E o final com Fulvio Stefanini na geladeira é di fudê. Parabéns, Marcão. Encontrei a Renata no elevador e a gente acabou assistindo o filme juntos. Engraçado porque há muito tempo não ia ao cinema com alguma mulher (mesmo sendo apenas uma amiga). Algo que eu sempre fiz com frequência. Lembro que a Rosi e eu quando éramos namorados costumavamos assistir o mesmo filme várias vezes no cinema. Lembro do dia que levei a Ana no cinema pra assitir "Fuga à Meia-Noite" e ela dormiu no meu ombro (narro essa história no livro "Bagana na chuva"). Acho que a última vez que fui ao cinema acompanhado foi no ano passado no Rio de Janeiro com a Martinha e a Ana Paula pra assistir o "Vick Cristina Barcelona". Gosto de assistir filme com uma mulher bacana do lado ou então com alguns amigos bêbados dividindo a garrafa como na ocasião que assistimos o "Factotum" na Mostra de Cinema. Acho que a nossa turma ocupou pelo menos duas fileiras do cinema. Ontem tinha três pessoas na nossa frente com problemas de coluna, sei lá que porra que era aquilo, só sei que elas ficavam se curvando pra frente o tempo inteiro, não conseguiam ficar encostados na poltrona e o mais absurdo é que os três faziam da mesma forma como se tivessem ensaiado. E aí eu também não conseguia ver o filme encostado com aquelas cabeças na minha frente. Cada dia que passa gosto mais (infelizmente) de assistir filmes em casa. Quando tiver grana pra comprar uma tv fodona de plasma, não vou nunca mais ao cinema (infelizmente). Quando a gente tava descendo a Rua Augusta, encontrei o Roberto Alvim e a Juliana Galdino em frente o teatro deles (o Club Noir). Era aniversário da Juliana. Bebi uma cerveja com eles e desci pra praça pra encontrar os amigos. Daí foi o inferno. Dormi totalmente bêbado e acordei sem nenhuma ressaca. Isso tá acontecendo direto comigo, não importa a quantidade industrial que eu beba. Só quando bebo cachaça é que acordo mal. Mas com whisky, sempre acordo zero Km, ou pelo menos quero imaginar que estou, sei lá. Agora é a volta pra vida. Amanhã vou pro Rio de Janeiro apresentar a peça "A Noite mais fria do ano". Excepcionalmente nessa semana não vai ter a peça na terça-feira. Na quinta tem "Saco de Ratos" no Café Aurora e no próximo domingo acontece a primeira jam com churrasco na Coletivo Galeria. Vai ser divertido. Espero estar vivo até lá.

E coisas realmente bizarras acontecem nos shows da "Saco de Ratos". Isso aconteceu no show das Satyrianas.

 

 



Escrito por Mário Bortolotto às 14h46
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Caramba!! Tô `bêbado pra caralho. Bom dia pra vocês.



Escrito por Mário Bortolotto às 05h35
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TOTALMENTE LARGADO

Acabou. Não tenho mais que trabalhar. Hoje e amanhã tô largado. Só tenho apresentação da peça no Rio na quarta-feira (excepcionalmente não vai ter nessa terça). Vou aproveitar pra acabar de ler o Carver o Kerouac. Terminar meu livro de poemas pra mandar pra Chris. Acabar de ver o filme com o Val Kilmer e a Sharon Stone. Quando esses atores meio ícones de beleza (mas talentosos) se tornam mais velhos, ficam invocados atuando. É legal ver o Val Kilmer e a Sharon Stone já avançados na idade contracenando. Forte pra caralho. É o filme "Ruas de Sangue" e se passa em New Orleans depois do furação Katrina. Pau na mesa. Tive que interromper o filme ontem pra tomar banho e subir pra praça numas de conceder uma entrevista pra uma rapaziada que tá fazendo alguma matéria sobre lei Rouanet. Insisti com eles que não entendia nada de leis de incentivo, mas eles em contra partida insistiram pra eu dar um depoimento. Então ok. Encontrei o Márcio Américo e a Naty Rodrigues e ficamos conversando um pouco. Depois a gente caiu lá pro Espaço Rio Verde. Joguei algumas partidas de bilhar com a Kiki e depois fizemos um pocket show no Coreto. Foi divertido. Depois resolvi ganhar todas na pior mesa de bilhar do planeta. A Kiki prometeu que vai reformar a mesa. Não vai adiantar se a rapaziada continuar sentando em cima, largando copos de cerveja e o escambau. Fiz dupla com uma garota que era amiga da Bruna Caçapinha (foi assim que eu apelidei a garota e pra azar dela, o apelido já pegou). Depois participei dos shows das minhas amigas Heleninha Cerello e Paulinha Cohen. Reboquei o Basa e o Flavinho junto comigo. Foram dois belos shows. As garotas cantaram muito bem, sabendo explorar os recursos de voz de cada uma, brincando com as possibilidades do microfone. A Heleninha cantou uma música em francês e uma Billie Holliday di fudê e a Paulinha esmerilhou em castelhano e fechou bonito numa versão de "Amapola" (que ela não sabia que o Roberto Carlos tinha gravado) em dueto com o Gero Camilo. Depois, o de sempre. Vim com o Marcelo Paiva pra praça e encontrei meio mundo. Whisky e um pouco de sono, teve uma hora que sentei sozinho na escadaria e fiquei ouvindo meu MP3 e bebendo whisky num copo descartável. Foi um momento bacana da minha noite. Ontem um amigo brigou feio com a namorada. Parece que uma amiga dela se meteu no lance e a coisa ficou feia. Sempre acontece de amigas se meterem, né? É engraçado isso. Com a gente não é assim. Uma regra básica pra nós é respeitar as histórias de nossos amigos com suas namoradas mesmo que a mina seja uma puta chata e na verdade a gente acredite que o nosso amigo mereça coisa melhor. Mas enfim, a regra é "cada um sabe de si nesse departamento". Algumas mulheres são especiais pra cada um de nós e ponto. Não dá pra explicar porque tem aquela mulher que quando entra no bar, parece que o resto do mundo ficou em "pause". Mas é assim. Para outros talvez não signifique nada, mas cada um de nós sente de um jeito diferente. Tem mulher linda que você transa uma vez e depois não tem mais a menor vontade de encontrar com ela. E tem aquelas que ficam anos com você. E ela nem precisa ser tão linda quanto aquela outra que você tá evitando. Mas só de ver a gente já fica de pau duro. É simples assim. Não dá pra explicar. O meu amigo tava bem chateado. Parece que eles já passaram por várias e agora eles tavam tentando se acertar depois de um tempo separados. Tem o lance da garota não gostar muito do estilo de vida dele (a merda de sempre). A gente não dá conselho um pro outro. O que a gente faz é ouvir o outro e falar um pouco da nossa experiência. O resto quem decide é ele. Só consegui murmurar: "amiga filha da puta".

O Bruno Bandido escreveu um troço bacana no blog dele hoje sobre um desentendimento com uma garota. Saquem só:

Teve uma hora em que a garota entrou pra ir ao banheiro e o Rodrigo foi atrás e ficou só eu e a Lu ali e a gente não tava muito bem um com o outro e os dois tavam torcendo pra não acontecer isso de ficar os dois sozinhos sem ninguém na volta. Eu fiquei olhando pras estrelas e abrindo outra garrafa com um velho canivete vermelho que meu pai ganhou há uns dez anos atrás quando comprou uma garrafa de Johnny Walker, o velho Johnny tá desenhado no canivete com sua bengala e sua cartola, keep walking. Aí pelo que ela falou, ela esperava que eu pedisse desculpas, o que eu podia fazer sem problema nenhum, o problema é que não iam ser tão sinceras porque eu seguiria fazendo todo aquele tipo de coisas que ela não gosta. É complicado de explicar, mas é simples, o que acontece é que as desculpas até são de verdade, o foda é que eu vou ter que seguir me desculpando sempre e uma hora ela não vai mais agüentar. “Eu já sabia que isso ia acontecer afinal, não sei nem por que é que eu tô me esquentando”, ela falou, e tinha algo de tristeza ou lamento nessa frase dela, daí se sentou no meu lado, botou um braço por cima dos meus ombros e com o outro pegou a garrafa e ficou bebendo e olhando as estrelas enquanto eu abria e fechava a faquinha do canivete.

Espero que o meu amigo esteja bem hoje e que as coisas tenham se resolvido. Todos nós precisamos de um pouco de paz. Gosto de ver meus amigos felizes com suas garotas. Sei que não é fácil, mas é bacana. Há algo de poético nisso. Assim como eu consigo ver poesia num sujeito sentado sozinho na escadaria bebendo whisky num copo descartável e ouvindo um blues no seu MP3. 

 


Hoje vou passar no Líbano pra ver o nosso DVD com o show da "Saco de Ratos". Porra, o Carver é foda. Dá vontade de não terminar o livro nunca. Não tenho nada especial pra fazer hoje. Não acredito que venha a ser um dia bom, mas se for suave, já tá valendo pra caralho.



Escrito por Mário Bortolotto às 14h39
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NO DIA DE FINADOS, UM COMPROMISSO COM A VIDA

O Bebum com Fábio Brum - No show da "Saco de Ratos" de ontem - Foto de Maíra Soares

"Não pode ver que no meu mundo / um troço qualquer morreu / um corte lento e profundo / entre você e eu".

Esses versos do Cazuza me parecem meio emblemáticos para o dia de hoje, sem contar que amanhã é Finados, porra. Ontem foi um dia cheio. Lembro que quando cheguei no Parlapatões lá pelas 2 e meia da manhã, encostei na porta com um copo de whisky (gentileza do meu amigo Cassiano) e simplesmente não consegui sair de lá. Fiquei conversando com os amigos sentindo um negócio esquisito, uma espécie de angústia, mas com serenidade. Isso é possível, posso garantir. Depois fui assistir a peça do Trovão e é claro, amanheci no Biro´s teimosamente encostado no balcão, bebendo a última dose e rezando pra criar coragem, levantar dali e ir embora. E foi o que fiz, depois que Deus me escutou e chutou minha carcaça bêbada de lá. E fui embora assim, descendo sozinho a Martinho Prado, triste pra caralho, não nego, com aquela angústia tão familiar, mas com uma serenidade indefinivel que realmente não há como traduzir. Eu não consigo pensar num motivo pra nenhuma espécie de comemoração, e realmente não há. Mas essa sensação quase tranquila de não pertencer, de não ser particularmente especial pra ninguém... e se isso não te estabelece uma condição de namoro sério com sua própria vida, então eu acho que nada mais consegue. Nesse dia de finados, devo dizer que estou comprometido comigo mesmo, que algo morreu, que estou quase sereno, quase lúdico, quase impossível, quase um velho disco de vinil enroscando em alguns riscos na faixa, às vezes repetindo o mesmo verso, mas ainda assim tentando chegar ao final, pra gente poder virar essa bagaça e ver logo o que é que existe no Lado B da vida.

ONTEM NA SATYRIANAS

Fui o curador da tenda "Residências". Foi muito tranquilo. Tudo correu bem. Todos se apresentaram muito bem. Sempre dentro do horário. Acho que todo mundo se divertiu. Foi cansativo pra mim, mas quando encostei lá na porta dos Parlapatões com o meu whisky num copo descartável, foi tipo "missão cumprida". Valeu, rapaziada. Algumas fotos dos eventos:

Sad Christmas - Alex Gruli e Nelsinho Peres - Foto de Fábio Pagotto

Cabeça em seu standup tragedy - Foto de Fábio Pagotto

Carcarah em standup tragedy - Foto de Fábio Pagotto

Niltinho Bicudo em seu standup tragedy - Foto de Fábio Pagotto

Rourke Song - o Bebum com Marcelo Paiva - Foto de Maíra Soares

No show da "Saco de Ratos" ontem - foto de Maíra Soares

O bebum com Fábio Pagotto no show da "Saco de Ratos" ontem

Foto de Maíra Soares

 E HOJE NAS SATYRIANAS

Vou participar do negócio que o Ruy Filho batizou como "Satyrianas Lado B". É bacana. Acontece lá no "Espaço Rio Verde" (Rua Belmiro Braga, 119). Ele reuniu uma pá de figuras pra cantar (alguns estão cantando pela primeira vez). Vou abrir a noite de hoje às 20h cantando algumas músicas acompanhado dos meus amigos Basa (guitarra) e Flavinho Vajman (gaita).

Depois a noite segue com

20h45 - Ivam Cabral
21h30 - Marisa Orth
22h15 - Celso Sim
23h00 - Paula Cohen / Helena Cerello
Vou participar cantando minha música "Gilete" com a Paulinha e depois vou fazer um dueto com a Heleninha Cerello em "Abre essas pernas" das "Velhas Virgens".
23h45 - Gero Camilo
00h30 - Rubi / Tata Fernandes
01h15 - Gustavo Machado / Tatiana Thomé
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E às 4 da madruga no Satyros 1 tem a estréia de "A Lua é minha", o meu texto com direção do Luís Eduardo Frin. Se estiver em condições, vou lá ver.
Aqui tem um pequeno trailler que a produção da peça colocou no You Tube : http://www.youtube.com/watch?v=yxB95sdiIAU 



Escrito por Mário Bortolotto às 15h08
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HOJE NAS SATYRIANAS

Pra quem não sabe, as Satyrianas é um evento maluco que acontece todo ano na Praça Roosevelt. São 4 dias ininterruptos com apresentações de teatro, música, dança, artes plásticas, debates literários e o escambau. Começou nessa sexta-feira e vai até segunda (feriado). E este ano me convidaram pra ser o curador (do sábado) de uma tenda que é a tal da "Residências". Montei uma programação de eventos que eu gostaria de assistir e a partir das 16h vou estar lá cuidando pra que tudo possa acontecer a contento.

A programação da minha tenda (Residências) nesse sábado (a partir das 17h)

31/10 (sábado)
Curadoria: Mario Bortolotto

17h – Banda “Fábrica de Animais” (rock e blues)

Fernanda D’Umbra (vocal) / Sérgio Arara (guitarra) / Flávio Vajman (gaita e rubboard) / Rubens K (baixo) / Cristiano Miranda (bateria)

18:30h – Leitura de poemas com Sérgio Melo (de sua autoria)
19h – Leitura de Poemas com Marcelo Montenegro (de sua autoria)
19:30h – Márcio Américo cometendo seu standup comedy. 
20h – Leitura de poemas com Paula Cohen (de sua autoria)
20:30h – Show com a banda "Saco de Ratos" (rock e blues)

Mário Bortolotto (vocal) / Fábio Brum e Marcelo Watanabe (guitarras) / Fábio Pagotto (baixo) / Rick Vechione (bateria)

22h – “Sad Christmas” (tex. Mario Bortolotto / dir. Otávio Martins com Nelson Peres e Alex Gruli)
22:30h – “Stand up Tragedy” com Carlos Carah
23h – “Stand up Tragedy” com Lulu Pavarin
23:30h – “Stand up Tragedy” com Wagner Cabeça
24h – “Stand up Tragedy” com Nilton Bicudo
00:30h – “O Meu Vira-Lata Só Ouve Be-Bop” (tex. Jarbas Capusso / dir. Marcos Loureiro com Paulo de Tharso e Zeza Mota)
1h – “Rourke Song” (tex. Marcelo Trasel / Dir. Fernanda D´Umbra com Mario Bortolotto e Marcelo Paiva)
1:30h – Grandes Sucessos de Carcarah e Cabeça

 



Escrito por Mário Bortolotto às 06h47
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HOJE

Tem "Brutal"


E saiu crítica no Estadão

O perigo que ameaça as vidas vazias

O autor e diretor Mario Bortolotto alerta, em Brutal, para a violência da alienação

Crítica Jefferson Del Rios

Em Brutal, em cartaz só às sextas, à meia-noite, no Espaço Parlapatões, Mario Bortolotto define sua dramaturgia na frase "pessoas vazias podem ser muito perigosas". Embora faça um teatro existencial, ele, à sua maneira, chega, assim, a temas sociais. Se, de um lado, lança no palco personagens desajustados e com algum viés autodestrutivo, mas basicamente inofensivos, por outro introduz gente que explora psiques indefesas e , em casos extremos, espalha a morte. São os curandeiros de subseitas evangélicas, os executantes de "magias" sangrentas e a ralé neonazista. Eles sempre dão as caras. Um dia, em São Paulo, no espancamento e morte de um homossexual por skinheads; no outro dia, no ritual "satanista" com vítima fatal (recentemente, no sul do País). O fenômeno é mundial, e com as mesmas características: são psicopatas manipulando quem está vazio. Por esse caminho, Mario Bortolotto faz um discurso ideológico relevante dentro de uma trama de impacto.

Quando o texto/espetáculo tem início, os envolvidos em um crime já estão presos e respondem ao interrogatório policial ( voz, em off, de Paulo Cesar Peréio). À medida que se explicam, desvendam carências de afeto, falta de rumo na vida, imensa alienação, enfim. Daí surge o embrutecimento. Cinco mocinhas cooptadas por um "guru" que prega a transcendência pelo sexo promíscuo e o racismo assassino. O que impressiona é a mediocridade delas, seu desconhecimento de regras morais elementares. A desumanidade, o nada de mentes embotadas. A vigilância interna dos integrantes da "seita" é exercida pela amante predileta do líder e um guarda costas selvagem. É tudo bastante pesado.

Como Bortolotto aborda com frequência o submundo, é possível se imaginar outro retrato naturalista da marginalidade. Não é. A peça converge para indagações bem claras, colocadas no texto. O próprio Bortolotto acrescenta pessoalmente aonde quer chegar: "Todo o processo de violência que a peça acaba por desencadear provém do fato de estarmos lidando com personagens de personalidade extremamente frágil. Se existissem pessoas com personalidade própria e com destino, toda violência poderia ter sido evitada. O que eu quero que a plateia pergunte é: Por que essas garotas estão seguindo esse cara? O que ele tem de especial?"

O espetáculo, ainda em horário alternativo, poderá igualmente receber o rótulo simplificador de "alternativo" quando, na verdade, é uma produção cuidadosa bancada por parte do elenco, e que espera pauta em outros teatros. Uma significativa prova do seu alcance se deu na recente Mostra de Artes Cênicas de Ourinhos, quando uma platéia jovem assistiu em absoluto silêncio, seguido de aplauso. Trabalho com poucos recursos, mas sem abrir mão de cuidadoso acabamento, sobretudo da iluminação e trilha sonora, Brutal tem sua força ampliada por um elenco primoroso.

A dupla masculina tem seus extremos na violência. A primeira, dissimulada, é o pregador encarnado por Laerte Mello (em atuação um pouco ausente. pois o perfil do delinquente pressupõe mais sordidez e tensão); e a outra, aberta e abjeta, do capanga criado de forma inquietante por Walter Figueiredo. O universo feminino em desagregação irrompe com exemplar força dramática nas composições de cinco atrizes jovens, bonitas e talentosas: Maria Manoella, Luciana Caruso, Érica Puga, Carolina Manica e Helena Cerello. Da psicopatologia direta à rebeldia confusa ou reações de pânico, a coesão delas é um dos méritos da direção de Bortolotto, não por encenar sua obra, mas por saber afinar cada intervenção.

O espetáculo é todo feito de pausas, olhares eloquentes e a calculada semi-obscuridade que traduz um lado sombrio de seres banais e assustadores. Anarquista de certa forma, insolente e corajoso, o dramaturgo surpreende uma vez mais pelo olhar atento e a capacidade de captar rápido onde a vida está feia e sangrando. Se Brecht escreveu que "é infeliz o povo que precisa de heróis" (frase sonora, mas discutível), é certo há perigo quando proliferam messias, exorcistas, milícias e justiceiros. Alguma coisa sem controle que o espetáculo estampa. Algo brutal que o artista quer mudar.


Serviço
Brutal. 90 min. 18 anos. Parlapatões (98 lug.). Pça Roosevelt, 158, 3258-4449. Sextas, sempre às 23h59. R$ 30. Até 20/11

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Escrito por Mário Bortolotto às 11h36
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COCKSUCKER BLUES E A VOLTA DA SACO DE RATOS

Robert Frank sempre foi um dos meus fotógrafos preferidos. Depois que folheei o excelente "The Americans" coloquei o suiço no meu top ten. O cara é foda. Além de fotógrafo, Robert também fez muita coisa bacana em cinema. Ele é o cara que fez o excelente beat-movie "Pull my Daisy" com narração de Jack Kerouac (aliás, Robert foi o fotógrafo beat por excelência). Também trabalhou com Tom Waits em "Candy Mountain". E Robert Frank foi o cara que dirigiu o documentário "Cocksucker Blues" que não é exatamente um documentário. Parece mais um avô do reality show. Ele simplesmente acompanha uma turnê dos Rolling Stones na época do lançamento do clássico "Exile on main Street" (1.972). Esse filme ficou censurado um tempão. Agora já tá disponível. É du caralho. Câmera solta, PB, flanando pelos quartos de hotel, avião, paradas de beira de estrada e captando momentos de show, camarim, meteção e chapação. Participações-apariçoes de Stevie Wonder, Andy Warhol, Truman Capote e Tina Turner. Tudo o que você pode esperar de uma banda de rock and roll. Ou de um grupo de teatro nos anos 80 quando éramos um bando de jovens desgovernados. Fiquei pensando que no fundo é tudo a mesma coisa. Só depende de quem são os protagonistas da bagaça. No caso são os Rolling Stones, então tá tudo certo.

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Me perguntam se com esses meus textos tenho alguma intenção de fazer apologia de consumo de álcool. Porra nenhuma. Eu só faço apologia de não caretice. A gente vive numa porra de mundo careta demais e sinceramente tenho ficado de saco cheio disso. Ninguém precisa encher a cara pra ser um cara legal. Há muitos caras legais que conheço que só bebem Fanta Uva. Aliás, Fanta Uva é muito legal. Eu gosto de beber, só isso. Se gostasse de usar drogas , também ia dizer. Todo mundo sabe que alcool faz muito mal pra saúde. Pode matar. Meu pai, por exemplo morreu de atrofia cerebral de tanto beber, porra. Mas o que ninguém diz é que caretice também mata. Você nem percebe, mas tá morrendo. Subserviência e caretice deixam suas bolas do tamanho de bolinhas de gude, maluco. E eu não nego que identifico muito mais dignidade num bêbado de rua que em qualquer desses merdas brandindo talheres milionários em jantares familiares. Dia desses um bebum colou em mim e mandou: "Aí, Irmão, descola uma grana pra mim. É pra cachaça mesmo". Até brinquei com ele parodiando a Regina Casé no extinto Tv Pirata: "Porra nenhuma, Maluco. Você pensa que me engana? Tu tá é a fim de encher a cara de pão". Ele riu. Passei a grana pra ele que foi beber sua cachaça, feliz da vida. Enquanto isso, alguns pulhas se reunem em frente a uma lareira depois do jantar e contabilizam quanto ganharam com o último golpe que deram e que vai reverberar justamente no bebum que tá desempregado e que me pediu dinheiro pra uma cachaça. E enquanto isso suas mulheres estão na sala de estar contabilizando o numero de caralhos que engoliram no último mês. Que se fodam.

Foto de Fábio Pagotto - Só um jeito sincero de levar a vida

Então fico assistindo "Cocksucker Blues" ou perdendo totalmente a vontade de beber quando um garçon fica a todo momento perguntando se eu quero mais um. Que merda. Esse filho da puta trabalhou em churrascaria rodízio e agora tá servindo White Horse num bar do Leblon? Volto mais cedo pro hotel. Eu e Paulinha Cohen, mais uma vez andando pela calçada da praia. Noites como essa mereciam um grau etílico mais satisfatório.

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Foto de Carlos Bozzeli

E hoje a banda "Saco de Ratos" volta a tocar. Excepcionalmente nesta quinta-feira, vai ser um show duplo. Às 23h30 toca a banda "Made in Brazil". Nós devemos começar lá pela 1h30. E excepcionalmente (já que trata-se de um show duplo), o ingresso vai custar R$ 10. No Café Aurora (Rua 13 de Maio, 112).



Escrito por Mário Bortolotto às 13h34
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